sábado, 30 de julho de 2011

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Relacionamentos que promovem o crescimento da Igreja



Por Hernandes Dias Lopes
Referência: Salmos 133
INTRODUÇÃO
1. Uma pessoa decide-se por uma igreja, via de regra, pela acolhida que lhe é dada. Ninguém consegue ficar numa igreja, onde não faz amizades.
2. O cristianismo é sobretudo relacionamento. A amizade é uma ponte para o evangelismo. MCI diz que 75% das pessoas que estão na igreja foram trazidas por amigos.
3. Nem todo crescimento é saudável e nem todo relacionamento é aprovado por Deus. Exemplo: A igreja de gueys em Dalas.
4. O perigo dos extremos: numerolatria e numerofobia.
5. A igreja é a família de Deus:
a) A igreja não é um clube, onde cada um paga sua mensalidade e vive isoladamente;
b) A igreja não é um abrigo de salvos, onde cada um busca os seus próprios interesses;
c) A igreja não é uma prestadora de serviços, onde só a procuro para atender minhas necessidades;
d) A igreja não é um supermercado, onde eu vou procurar aquilo que eu gosto;
e) A igreja não é uma casa de shows, onde sou apenas um espectador;
f) A igreja não é uma sala de obstetrícia, onde o pastor age como médico obstetra, mas os crentes não desempenham o seu ministério;
g) A igreja é uma família, onde temos o mesmo Pai, o mesmo irmão mais velho e somos todos irmãos.
I. A importância de relacionamentos saudáveis para o crescimento da igreja
1. A união entre os irmãos é bela aos olhos de Deus – Sl 133:1
Uma casa dividida não prevalece (Mt 12:25).
A desunião dos crentes é um gesto de imaturidade e carnalidade (1 Co 3:1-3).
Quando os crentes são unidos, a igreja passa a contar com a simpatia dos de fora (At 2:47).
2. A união entre os irmãos é terapêutica – Sl 133:2
A união entre os crentes é como óleo. O óleo é símbolo do Espírito. Ele produz cura, alívio (Lc 10:34; Tg 5:14). O óleo era usado como cosmético, remédio e unção espiritual.
A igreja de Corinto estava doente porque não havia comunhão entre os crentes (1 Co 11:30).
Onde há comunhão, há cura (Tg 5:16).
3. A união entre os irmãos é restauradora – Sl 133:3
A união é como o orvalho. O orvalho é símbolo da presença restauradora de Deus (Os 14:5).
O orvalho é discreto, cai sem alarde, sem trovões e relâmpagos.
O orvalho vem à noite, depois do calor e nas horas mais escuras.
O orvalho traz frescor.
O orvalho é constante e abundante.
A verdadeira amizade é discreta, constante e restauradora.
4. A união entre os irmãos é abençoada – Sl 133:3
a) Crescimento numérico – A vida de Deus
b) Crescimento espiritual – A bênção de Deus
Onde há união, ali Deus ordena a sua bênção e a vida para sempre. O relacionamento é a base da evangelização eficaz.
O relacionamento de comunhão e ajuda mútua na igreja de Jerusalém, deu a ela um estupendo crescimento.
Rick Warren afirma: Não é o que eu devo fazer para a igreja crescer, mas o que está impedindo a igreja de crescer.
5. Perigos que impedem o relacionamento de pessoas saudáveis e maduras
a) Crescimento retardado (Hb 5:11-14) – Uma igreja APAE (crentes com 15 anos ainda tomando mamadeira).
b) Hidrocefalia – Cabeça grande e corpo mirrado. Conhecimento sem prática.
c) Sedentarismo – Alimento sem exercício. Risco de colesterol alto e infarto.
d) Flacidez – Descanso sem atividade.
e) Altismo – Desligado de tudo à sua volta. Seu mundo só tem espaço para si mesmo.
f) Inanição – Alimenta-se apenas uma vez por semana.
g) Antropofagia (Gl 5:15) – relacionamentos quebrados. Falar mal dos irmãos (Tg 4:11).
h) Autofagia (Fp 4:6) – A ansiedade.
II. Identificando os problemas que afetam os relacionamentos e impedem o crescimento da igreja
1. A necessidade de romper a solidão e o isolamento da vida moderna – O homem é apenas um número, sem nome, sem cara. A igreja é a comunidade da solidariedade. Exemplo: A cura do homem da mão mirrada (Levanta-te; vem para o meio; estende a sua mão).
2. A necessidade do tratamento pessoal – As pessoas devem ser chamadas pelo nome. É assim que Jesus faz conosco (Jo 10:14,27).
3. A necessidade de ser sensível às pessoas – Precisamos começar onde as pessoas estão (Nicodemos, Samaritana, Paralítico de Betesda, Zaqueu, jovem rico).
4. A necessidade de nos envolvermos com as pessoas – Neemias fez perguntas. Neemias envolveu-se. Neemias mudou sua agenda.
5. A necessidade de sermos afetuosos nos relacionamentos – Paulo chora e beija os presbíteros de Éfeso. O conselho do presbítero Uziel.
6. A necessidade de acolhermos uns aos outros como Deus em Cristo nos acolheu – Jesus tocou o leproso e disse: Fica limpo. Jesus abraçou as crianças, comeu com os pecadores, entrou na casa de Zaqueu. Para Jesus as pessoas são mais importantes do que os rituais.
7. A necessidade de entendermos que somos conhecidos como discípulos de Cristo pelo amor
a) O amor “filadelphia”. Numa família as pessoas são diferentes, mas formam uma só família. As pessoas não vivem competindo. É inimaginável pensasr que um irmão cobiça a mulher do outro, que se entrisce com a vitória do outro. É amar uns aos outros com amor de irmão de sangue. É chorar com os que choram e alegrar-se com os que se alegram.
b) João 13:34-35 – O purê de batatas.
III. Propostas para cultivarmos relacionamentos que promovam o crescimento da igreja
1. Precisamos ser uma igreja de apoio às pessoas - Barnabé investiu em Paulo (At 9:26-27; 11:22-26) e em João Marcos (At 15:36-39). Paulo investiu em Timóteo. Elias investiu em Eliseu. Moisés investiu em Josué. Em quem você está investindo? Discipule alguém este ano. Use o seu telefone. Envie cartas. Mande um cartão.
2. Precisamos ser uma igreja de comunhão e ajuda mútua (Fp 2:3-4; At 2:44-45) – O amor honra o outro. Quem ama dá.
3. Precisamos ser uma igreja de perdão e cura (Lc 17:3-6) - Onde não há perdão as pessoas adoecem. Ilustração: A igreja de Areias (suicídio + adultério + tentativa de suicídio + estamos doentes).
4. Precisamos ser uma igreja aberta aos que chegam – A igreja não pode ser formada de panelinhas, grupos fechados. Exemplo: Diótrefes.
5. Precisamos ser uma igreja sensível aos visitantes – (Rm 15:7)
a) A ilustração do Jantar: 1) Uma igreja hostil ao visitante; 2) Uma igreja simpática ao visitante; 3) Uma igreja voltada ao visitante.
b) A ilustração da Clientela: Por que os clientes desaparecem? Standart Oil company: 1% dos clientes morrem; 3% mudam para outro lugar; 5% encontram um preço melhor; 9% mudam em função de conveniência; 14% descontentamento pessoal; 68% em função de mau atendimento.
c) Os dez mandamentos do relacionamento humano:
1) Fale com o visitante; esteja antenado no culto e depois dele para acolher o visitante.
2) Sorria para as pessoas: São necessários 72 músculos para franzir o rosto; apenas 14 para sorrir;
3) Mencione o nome das pessoas;
4) Seja cortês e cooperador. Quer ter amigos? Seja amigo!
5) Tenha um interesse genuíno pelas pessoas;
6) Seja cordial. Tenha uma palavra e uma atitude encorajadora;
7) Seja generoso nos elogios e cauteloso nas críticas;
8) Tenha consideração com o sentimento das pessoas;
9) Considere a opinião das outras pessoas;
10) Esteja pronto para ouvir.
6. Precisamos ser uma igreja com lares abertos – Convide uma pessoa nova para lanchar com você. Pessoas valem mais que coisas.
7. Precisamos ser uma igreja onde os lares sejam agência de evangelismo e discipulado – O ministério dos grupos familiares.

Culto ou Show? – C. H. Spurgeon



Fonte: http://www.vemver.tv/

quarta-feira, 27 de julho de 2011

DIÁRIO DE UM ADORADOR X


Por Gerson Ortega
O chamado
Um discípulo alto e forte, creio que pescador, me parou e disse: ” Onde vai rapaz? O Mestre precisa descansar agora!” Fiquei sem jeito, ele era bem forte, mas ouvi aquela voz incrível dizer: “Deixe-o Pedro! Este vai ser conhecido pelo meu nome e trará muitos a minha presença!”
Há momentos únicos da nossa vida que não podemos deixar passar! EU sabia que naquele momento, o chamado do Mestre não podia mais ser adiado…ele me olhou e disse:” Nabih quero que participe de um grupo de 70 homens que tem me seguido para que esteja comigo e veja as obras de Meu Pai através da sua vida!” O sentimento de ouvir o Mestre falar diretamente para mim era de um fogo no coração, uma espada, uma força que entrava dentro de você e provocava mudança, atitude…a voz do Mestre!
Pensei em segundos:” mas e a Miriam, meus pais, o trabalho de levita, minha casa, meu quarto, meus amigos…e agora?
“Ide; eis que vos mando como cordeiros ao meio dos lobos. não leveis bolsa nem alforje, nem sandálias; a ninguém saudeis pelo caminho. E, em qualquer casa que entrardes, dizei primeiro:”Paz seja nesta casa. E, se ali houver algum filho de paz, repousara sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós.”
“E curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes:É chegado a vós o Reino de Deus…Quem vos ouve a vós, a mim me ouve; e quem vos rejeita a vós, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou”
“Eu vi a satanás, como raio, cair do céu. Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum. Mas não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus”.
E, olhando para nós, o grupo de setenta, disse: “Bem- aventurados os olhos que vêem o que vós vedes; pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não ouviram.”
Eu pedi ao Mestre para poder ir me despedir da família e ele sorriu para mim, dizendo: “Bendize-os em meu nome! Va em paz!”
Abracei o Mestre sentindo como se O conhecesse há muito tempo agora…!
Andei uma longa distância para chegar a Betânia no final daquele dia. Encontrei meus pais se preparando para a cear. Lavei meus pés e mãos e me assentei a mesa tentando começar a conversa…
“Por onde você andou estes dias,  filho? Mica e os outros levitas sentiram sua falta nos ensaios!” perguntou-me meu pai, Izhar. Lembrei-me que meu pai tinha como seu maior orgulho ser descendente de Moisés, através de Gerson e Eliezer, seus filhos, com o mesmo nome do chefe da tribo levita que gerou chefes e lideres há muito tempo atrás.
“Pai, estive junto a Jesus de Nazaré, filho de Deus, que tem falado do Reino dos Céus, conhece a Torah, ama os pobres, perdidos e crianças e tem sido reconhecido por muitos como o Messias que tanto esperamos!”
“Messias? Mas não é esse profeta da Galiléia? Pode algo bom vir de lá?” respondeu meu pai, citando um ditado conhecido a respeito da Galiléia. Os profetas falam de Belém Efrata como cidade da chegada do Messias!?!”
“Sim!”respondi.”Judas Iscariotes, um de seus discipulos, me confirmou que ele viveu um tempo no Egito, na sua infância, quando Herodes, o grande quis matar todos os meninos de 2 anos para baixo, tentando assassinar o Messias que havia nascido! Também ouvi de Maria, sua mãe, que foi a Belém quando estava grávida de Jesus, devido ao recenseamento ordenado por César Augusto, junto a José seu marido.”
“Marido? Pai de Jesus de Nazaré? Pai do Messias? Não! não pode ser esse José o pai do Messias! Nós o esperamos como rei, com força, autoridade, não o filho de um carpinteiro, como já ouvi por aí! Não, filho, creio que você se enganou!”
“Pai, eu o vi multiplicar pães e peixes! Aconteceu na minha frente, junto ao mar da Galiléia! Eu vi! Eu vi! Muitas pessoas vem a Ele e são curadas! Eu já vi isso!”
“João, o Batista, também veio pregando sobre esse Reino, e foi decapitado por Antipas!! Se ele fosse enviado por Jeová, morreria dessa forma??? Servindo de prato para uma adúltera como Herodias e sua filha adolescente Salomé?!?!”
“Pai, não sei responder essas perguntas, mas o Mestre me chamou para seguí-lo e…e…vim me despedir de vocês para estar com ele por um tempo…”
Minha mãe começou a chorar e falar:”Mas, e o seu futuro, filho? Seu casamento com Miriam? Tudo o que planejamos? Você tem sido citado pelo Rabi constantemente para ser seu discípulo e, no futuro, ser o líder da sinagoga??”
“Mãe, não sei por quanto tempo estarei fora, mas preciso atender ao chamado do Mestre agora! Quando Ele fala, parece que meu coração se incendeia! Ele tem feito coisas que eu chamaria sobrenaturais, como a multiplicação dos pães que acompanhei, na minha frente acontecendo tudo!! Não posso negar Seu poder e autoridade! Ele é o Filho de Deus!”
“Cuidado, rapaz!” disse meu pai energicamente.”Você pode ser acusado de heresia! Jeová não tem filhos, Ele é único! E´o único Deus, não há outro! O Messias reinará como David, nosso pai, um reino que será maior que todo o império romano!”
“Por favor, me entendam!” eu disse meio desesperado.”Eu preciso seguí-lo!”
“Bem, pode ser que quando volte, Miriam já esteja casada e, se tudo isso for uma farsa, você pode perder sua descendência de Moisés, e trazer vergonha a seu pai que tem uma posição de respeito diante dos sacerdotes!”comentou um Izhar diferente, mais levita do que meu pai…mais cuidadoso do seu nome e respeito do que das coisas que eu lhe contei!
“Bem, se é assim, vou correr o risco; não posso deixar esse chamado. O Mestre está me esperando junto com outros discípulos para irmos as cidades de Israel.” Não pude despedir de Miriam…deixei um recado dizendo que a amava e que voltaria, se ela me esperasse.
Na manhã seguinte, sai para meu destino enviado pelo Mestre, sem alforge, sem outro par de sandálias, como Ele ordenou…minha única expectativa era conecê-Lo mais e descobrir a vida junto ao Filho de Deus.

terça-feira, 26 de julho de 2011

7 razões para não chamar músicos de “levitas”


7 razões para não chamar músicos de “levitas”

Por Josaías Jr.

Sei que esse assunto já foi batido e rebatido várias vezes, por isso é possível que esse texto não apresente nenhuma novidade para alguns irmãos. Entretanto, gostaria de compilar aqui algumas das melhores razões para não usarmos a expressão levita para designar as pessoas que tocam e cantam no “período de louvor”. E mesmo que você não use o termo, proponho que leia pelo prazer de ver a história da salvação se desenrolando na figura do sacerdote.
Com isso, desejo não apenas levar irmãos a repensarem esse costume, mas também mostrar que a teologia por trás do sacerdócio levítico é muito mais bela, ampla e grandiosa do que parece.  Quero deixar claro (antes que alguém objete) que uma igreja pode usar essa expressão e ainda realizar cultos de adoração verdadeira, e que ninguém será condenado pelo uso do termo.  Entretanto, não há nenhuma boa razão para cometer esse erro deliberadamente. E, creio, qualquer desvio do ensino bíblico, mesmo os que parecem mais simples, podem ser portas para distorções perigosas. Por isso, sugiro que líderes e pastores levem em consideração o que está exposto aqui.


1) Nem todos os levitas eram músicos


A Bíblia relata, é verdade, que existiam levitas envolvidos com a música no antigo Israel. Vemos corais e bandas formados por membros da tribo de Levi e voltados exclusivamente para esse ministério. Entretanto, também lemos sobre levitas que cuidavam de outras atividades cultuais, como o sacrifício, e aqueles que se  envolviam  em tarefas  administrativas e operacionais.
Sei que alguns defensores da expressão “levita” sabem disso. (Por exemplo, o polêmico concurso “Promessas” admite isso em seu site oficial). Ainda assim, preferiu-se ignorar todas as outras funções associadas ao ministério levítico e concentrar-se apenas nessa.  Por quê?
Alguns entendem que é por estrelismo dos músicos, mas prefiro pensar que há um motivo mais profundo – a valorização medieval de funções “sagradas” em detrimento de funções “seculares”. Varrer o chão, organizar culto, carregar coisas – qualquer um faz. Adorar, somente os crentes. Há um fundo de verdade aí, mas também há uma ignorância quanto ao chamado geral de Deus para humanidade. Tanto o administrador quanto o zelador podem glorificar a Deus em suas respectivas funções. Isso não é um culto público, mas é um culto.
Assim, alguém responsável por assuntos cotidianos como arrumar cortinas do templo poderia “ser tão adorador” quanto Asafe, o compositor. E um músico no culto público pode estar profanando o nome de Deus – se seu alvo não for a glória do Criador.


2) O chamado levítico originalmente envolvia toda a humanidade


Um dos assuntos mais interessantes da Bíblia é a teologia do local de adoração. Quando Adão e Eva foram criados, eles receberam um chamado de glorificar a Deus por meio do casamento e da procriação, do domínio sobre a natureza e do descanso no sétimo dia. E eles foram colocados em um Jardim, onde poderiam adorar o Criador e exercer a função de guardar e cuidar do Éden.
Algo que passa despercebido pela maioria dos cristãos é que Moisés e outros autores bíblicos repetiram certas expressões e símbolos sobre o  Jardim do  Éden quando falavam sobre o tabernáculo e o templo.  Ou seja, o Éden era um “templo” que deveria ser guardado pelos primeiros levitas  – Adão e Eva. O termo “lavrar e guardar”  (Gn 2.15) é a mesmo usado para as funções dos levitas em Números 3.7-8, 8.26  e  18.5-6. O chamado de adoração e cuidado com o “templo” é um chamado geral, dado a nossos primeiros pais, assim como o casamento, a família, o trabalho e o descanso.
“Se o Éden é visto como um santuário ideal,  então talvez Adão deva ser descrito como um Levita arquetípico”  (Gordon J. Wenham)

3) O levita tinha um papel de mediador, assumido por Cristo


Como ungidos do Senhor, os levitas tinham  um papel  de mediar a Aliança entre Yahweh e o povo de Israel. Eles não eram simplesmente  pessoas que “ministravam a adoração” para a congregação. Muitos veem o povo realizando sacrifícios e entendem que aquilo era o paralelo de nossos momentos de louvor hoje. Há certa relação, mas os sacerdotes faziam muito mais.
Como mediadores, eles exerciam o papel de representar Deus para o povo e representar o povo para Deus. É por isso que esse era um cargo de extrema importância e perigo. Se  o levita chegasse contaminado na presença de Deus, ele estava dizendo que  a nação estava em pecado.  Se  ele chegasse maculado  na presença de Israel, era uma blasfêmia – “Deus” estava corrompido. Eles não estavam simplesmente realizando cultos, eles tornavam o culto possível.
Hoje, esse papel é cumprido perfeitamente por nosso sacerdote e cordeiro Jesus. Como perfeito Deus e perfeito homem, ele pode posicionar-se como representante de Yahweh diante do povo e representante da igreja diante de Deus.  Como afirma o Apóstolo, “há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Tm 2.5). Assim, o ministro de louvor hoje é meramente alguém dependente do verdadeiro mediador, aquele que torna o culto possível, o Senhor Jesus.


4) Jesus não é representante do sacerdócio levítico


Entretanto, apesar de sacerdote, Jesus não pode ser considerado um levita. Um motivo para isso é biológico – ele não é descendente de Levi, mas de Judá. Como ele poderia assumir a função sacerdotal? O segundo motivo é teológico. O autor de Hebreus ensina que Jesus é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque  (Hb  5.10).
O Salmo 110 (não sem motivo o texto do Antigo Testamento mais citado no Novo) nos fala de um rei-sacerdote que se assenta no trono de Davi. De fato,o próprio Davi cumpriu certas funções sacerdotais sem ser realmente um levita. Como isso seria possível? Isso acontece porque esse sacerdote é da mesma ordem de um misterioso personagem de Gênesis 14, um rei de Salém (note as sílabas finais de uma tal Jerusalém) chamado Melquisedeque.
Esse personagem, por estar envolto em tanto mistério, é considerado uma figura de Cristo. Ele era “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus”  (Hb 7.3) e tanto rei de justiça, quanto de paz (7.2). Assim,valorizar demais o sacerdócio levítico pode nos levar a renegar uma ordem superior, a de Melquisedeque, por quem vem a perfeição  (Hb 7.11).


5) A Nova Aliança, da qual fazemos parte, tornou o sacerdócio levítico caduco


O autor de Hebreus vai mais além e diz que o sacerdócio da ordem de Arão foi revogado. Diante da superioridade de um sacerdote que é eterno  (Hb 7.24), mediador de uma Aliança  superior (Hb 8.6), ele conclui que o sistema anterior era fraco e não podia aperfeiçoar (7.18,19).
Usando o relato sobre Abraão e Melquisedeque, o autor de Hebreus mostra que, quando o Patriarca entregou seus dízimos ao Rei de Salém, estava ali comprovado que o sacerdócio levítico era inferior ao sacerdócio de Jesus.  Como assim? Ele explica que a tribo de Levi era  responsável pelo recolhimento do dízimo no antigo Israel. Mas o que vemos em Gênesis? Um antepassado dos levitas entregando as ofertas e sendo abençoado por outro sacerdote! Levi, ainda nos lombos de Abraão (7.10), colocou-se debaixo da autoridade de Melquisedeque.  Como sabemos, somente o maior abençoa o menor (7.7).
Assim, depois dessa interpretação pouco usual (mas inspirada), o autor de Hebreus conclui – a Nova Aliança envelheceu a primeira, que está velha e prestes a acabar (8.13). Assim, fazer referência a essa instituição em cultos neotestamentários é exaltar as sombras que  passaram, que não aperfeiçoam (10.1) e são fundadas no que é terrestre e passageiro (8.2).


6) Em Cristo, todos somos sacerdotes


Unidos a Cristo, somos tratados como portadores de sua perfeita vida de obediência e, assim, podemos  ser  considerados sacerdotes. Um dos  chamados de Israel era ser um reino de sacerdotes (Êx 19.6) – justamente a posição que Adão falhou em cumprir. O apóstolo Pedro aplica essa expressão à igreja e afirma que somos sacerdócio real (1 Pe 2.9).
Da mesma forma que a  humanidade foi chamada, no primeiro  Adão, para guardar o Éden, a nova humanidade, no último Adão, é chamada a ministrar na Nova Criação.  Todos os crentes são chamados a adorar e oferecer sacrifícios (Rm 12.1), não apenas uma classe especial  de pessoas. É isso que chamamos de sacerdócio universal dos crentes.


7) Cria uma divisão entre crentes “levitas” e “não-levitas”


A  última razão é mais prática que teológica. Em muitas igrejas, essa separação entre “ministros de louvor” e a congregação gera uma perigosa classificação de  espiritualidade.  É claro que pessoas que se colocam à frente da congregação (e, de certa forma, ensinam e lideram o rebanho) devem tomar um cuidado especial em relação a suas atitudes e serão responsabilizados mais rigorosamente.
Entretanto,  isso  não coloca necessariamente os cantores e  músicos em algum tipo de posição diferente, como alguém  mais consagrado, um foco maior de ataques do inimigo, imune à críticas, etc. Tanto  pastores, quanto músicos e “leigos” são aceitos por Deus por meio da fé em Cristo, porque ele viveu e morreu de forma perfeita por nós. Diante de Deus, todos têm 100% de aprovação.
Ao mesmo tempo em que músicos e cantores devem estar atentos  para que não caiam, eles precisam se  lembrar de que a cruz nivela tudo – somos todos merecedores da ira eterna, somos todos considerados perfeitos por Deus. 

Em Cristo, não em Levi, todos somos templo, sacrifício e sacerdotes. Se Deus nos uniu assim, quem somos para separar?

segunda-feira, 25 de julho de 2011

DIÁRIO DE UM ADORADOR IX


Nestes dois últimos capítulos deste primeiro episódio da vida de Nabih, as opções vão ficar mais difíceis e as escolhas mais apertadas! Seguir ou não o Mestre, eis a questão…
“Esse homem poderoso, que lidava com seres espirituais, anjos, demônios, e que estava curando por todo lugar onde andava, estava tomando conta de meu coração, me pedindo para seguí-lo…”
Eu andava muito pensativo e inquieto sobre o chamado de Jesus de Nazaré. Com freqüência eu estava conversando com Iscariotes, meu amigo zelote.  Quando a noticia da morte de João chegou a Jesus, ele decidiu afastar-se para um lugar mais vazio, desértico junto com seus doze Talmidim, ou seja, seus seguidores, ou discípulos !
Herodes Antípas, filho de Herodes o grande, tinha em torno de oito anos quando seu pai acompanhou o desenrolar de acontecimentos muito estranhos. Esta história parecia uma fantasia, algo irreal…uma combinação de mistério dos céus com poder terreno e riqueza. Uma história contada por seus avós que, sentados acima do deserto da Judéia, numa noite de lua sobre Masada, o lugar de uma de suas fortalezas no deserto, viram reluzir sobre  o Mar Morto aquela luz brilhante como um sinal dos céus que testemunhava e antevia o nascimento de alguém muito especial! Nômades e gente muito simples testemunhava que Herodes o grande, viu pessoalmente a estrela sobre Belém! Na época, Herodes o grande , perguntou a seus astrônomos quando e onde seria esperado o nascimento desse rei chamado, Messias!?! Os astrólogos do rei confirmaram a estrela no ano da conjunção de Saturno com Júpiter. Seus astrônomos não podiam responder com exatidão, mas lhe disseram que a cidade mais provável seria Belém. E lembraram seu rei da profecia da Torah:  ”e uma estrela procederá de Jacó, e um cetro subirá de Israel”
Pouco tempo depois dessas coisas, três visitantes chegaram a corte do rei. Eles diziam que eram astrônomos do Leste, membros da antiga sociedade dos Magos. Os avós de Antipas lhe contavam que realmente os magos eram Melchior, rei dos persas, Gaspar, governador da Índia, e Baltazar, líder das nações árabes!!! Antipas, que era criança na época, não conseguia entender por que lideres de nações pagãs viriam por um longo caminho até a Judéia , para celebrar o nascimento de um bebê judeu?! Os magos viajaram cruzando montanhas, rios, desertos para seguir a estrela que surgiu no céu e desapareceu…eles entraram na cidade para buscar os sacerdotes do Templo para tentarem resolver seu mistério. Bem, eles encontraram Herodes, que lhes fez as perguntas sobre lugar e tempo do nascimento e, quando tiveram uma oportunidade fugiram da presença do rei, percebendo algo estranho em sua pergunta: “Onde está o recém-nascido rei dos judeus?”
Todas essas lembranças vieram a mente de Antipas, quando soube de Jesus. Certamente chegou a pensar que Jesus seria João que ressuscitou…e poderia voltar a atormentá-lo por seus pecados, mortes , assassinatos, política religiosa com os saduceus e muitas coisas!                                                               Jesus certa vez, foi advertido por fariseus ( contrários a Antipas) do ódio de Herodes que queria matá-lo! E ele lhes respondeu:”Ide e dizei aquela raposa: Eis que eu expulso demônios, e efetuo curas hoje e amanhã, e no terceiro dia sou consumado” ( Lc13:32). Ah,ah,ah..Jesus chamou Antipas, o rei da Galiléia de raposa! Só ele mesmo! Que homem, profeta incrível!!! Cada vez mais ele se encaixava no Messias, o Salvador do nosso povo! Destemido, poderoso, sobrenatural!!!! Jesus de Nazaré!!  Mas, Jesus não tinha um exército, soldados para defenderem-no…Antipas poderia matá-lo!
Quando Jesus soube da morte de João chamou seus discípulos para um lugar de descanso junto ao deserto…pois seus discípulos andavam com ele por muitos lugares sem ter tempo para comida ou descanso .  Eu não agüentei e fui atrás dele, junto com uma multidão imensa que o reconheceu quando entrou no barco e se dirigiu para o outro lado do mar de Tiberíades! Chegamos  antes deles correndo por toda a volta da margem…muita gente de várias cidades estavam alí . Jesus saiu do barco, parecia cansado, com fome, olhos abatidos, mas compassivos que atraíam todos a ele, crianças, jovens, prostitutas, enfermos, aleijados, cegos, endemoninhados…o dia já ia caindo e as trevas começando a aparecer. Eu estava junto de Iscariotes e ouvi seus discípulos aconselharem o Mestre para mandar a multidão embora pois não havia comida. Jesus ,muito calmo em uma situação dessa mandou os discípulos darem de comer ao povo…como assim??? Dar o que de comer??? Com que dinheiro??? Judas não entendeu nada! Não tinha dinheiro suficiente nem para o grupo dos Talmidim ? Como Jesus?!?!  Como todos foram ficando desesperados, Jesus mandou que se assentassem em grupos de cinqüenta em cinqüenta  sendo quase cinco mil homens ( na nossa cultura, não se contam mulheres e crianças, mas posso imaginar, pelo menos umas quinze mil pessoas).                                                           Não entendi?! Para que separar o povo em grupos…e pedir para que se assentassem! Procuraram algo e trouxeram um garoto na presença do Mestre, com cinco pães e dois peixes que era o seu lanche…pensei: ” mas vão tirar o lanche do pobre menino para Jesus comer? não posso crer que Ele faria algo assim???!!! Olhei para o Iscariotes e ele me acenou para esperar e ter calma! Parecia que ele sabia o que ia acontecer, ou já tinha visto algo parecido antes!!!
Quando Jesus tomou nas suas mãos aqueles pães e peixes houve um silêncio naquela multidão. Uma presença quase palpável se sentia alí! Algo parecido com o que senti na sinagoga quando cai no chão, ou quando o samaritano me acordou no caminho para Jericó…incrível, parecia que o tempo tinha parado. Ele ergueu aqueles pães e peixes e, numa atitude intensa de adoração e agradecimento a Jeová, atitude essa que toda aquela multidão podia sentir e ver ao mesmo tempo, começou a partir os peixes e os pães e dar aos discípulos…mas, espera aí! Ele continuava dividindo os peixes e a divisão não acabava!!!?? Os discípulos foram pegando e distribuindo conforme os grupos de cinqüenta e…acredite! Não acabava o pão nem o peixe…havia uma presença ali…havia uma nuvem, um poder, algo inexplicável…ao mesmo tempo que o dia ia escurecendo, as mãos de Jesus pareciam ” brilhar”…cestos de pescadores foram sendo trazidos e ficavam cheios de pães e de peixes!?!?! Quem é esse??? O Filho de Deus? O Messias? O Salvador de Israel??? Quem é ele????? Trouxeram para mim  também uma porção de peixe e pão…quando a comida chegou as minhas mãos olhei para o Mestre…lembrei daquela incrível visitação que tive ouvindo Jesus cantar, das palavras que ele falou para mim e então ele se virou na minha direção, me chamou pelo nome e disse: Nabih, segue-me!!!!  Agora não tinha como! Fui até ele com dificuldade. Um discípulo alto e forte, creio que pescador, me parou e disse: ” Onde vai rapaz? O Mestre precisa descansar agora!” Fiquei sem jeito, ele era bem forte, mas ouvi aquela voz incrível dizer: “Deixe-o Pedro! Este vai ser conhecido pelo meu nome e trará muitos a minha presença!”

domingo, 24 de julho de 2011

Não Escuto o que Você Fala, Porque Vejo o que Você Faz




Carlos Moreira

 
Houve um tempo, na Grécia antiga, em que um grupo de professores viajantes obteve destaque e relevância. Eles eram chamados de sofistas, mestres que, por determinado preço, vendiam ensinamentos de filosofia.

Etimologicamente, o termo sofista significa sábio, mas, historicamente, eles ficaram marcados, sobretudo pelas críticas de Platão, como impostores. Para um sofista, não importava se um conhecimento era verdadeiro ou falso, mas apenas a capacidade de argumentação. O discurso de um sofista, apesar de primoroso, era esvaziado de conteúdos e significados, suas vidas restringiam-se a transmissão do conhecimento, jamais a sua encarnação. 

Conta-se que, de certa feita, Sócrates, argumentando sobre o embuste dos sofistas, afirmou: “os Sofistas buscam o sucesso e ensinam as pessoas como conseguí-lo; Sócrates busca a verdade e incita seus discípulos a descobri-la”.

Você consegue ver semelhanças entre o discurso dos sofistas e a pregação dos pós-pentecostais? Estou usando o termo pós-pentecostais para acabar, definitivamente, com o uso do termo, ao meu ver equivocado, neopentecostais.

O pentecostalismo é um ramo sério da Igreja, que prega as verdades das Escrituras, os dons do Espírito Santo, a vida simples e a propagação do Evangelho através de ações de misericórdia. Isto não tem nada a ver com os pós-pentecostais, que enganam pessoas, falsificam doutrinas, extorquem dinheiro do povo, vivem em busca do sucesso, da prosperidade e da “benção”.

Pensando bem, o nome que melhor se aplicaria a este grupo seria o de “sofistas modernos”. Para eles, não importa se o que pregam é verdade ou não, mas apenas o fato de conseguirem, com argumentações supostamente lógicas, ancorados numa hermenêutica fraudulenta, convencer o povo a obedecer doutrinas de demônios. E a “massa”, muito mais interessada nas “promessas” de Deus do que no caráter de Deus, naquilo que Ele pode fazer, e não em quem Ele é, vai sendo espoliada, “depenada” como ave que vai para o abatedouro.

Quando Paulo escreve sua carta aos Romanos, faz uma citação de Isaías no capítulo 10 verso 14 “...como são belos os pés dos que anunciam boas novas”. Ora, eu sempre pensei, em se tratando da proclamação do Evangelho, que o apóstolo deveria afirmar “como é belo o discurso dos que anunciam a salvação”. Mas ele é que estava certo...

A questão é que o discurso vazio, desprovido de sentido, desacompanhado de boas obras, de nada aproveita para a vida. É por isso que a fala precisa ser seguida de ações, ou seja, de pés que se movam na direção do outro, pés que abandonem a zona de conforto, pés que representem este estado de movimento, de não-fixidez, que simbolizem o “espírito” do hebreu, na melhor acepção da palavra, um ser errante, desenraizado, habitante de tendas, peregrino em terra estrangeira.

A pregação do Evangelho, em nossos dias, precisa ser ressignificada. Ao invés de usarmos a boca, para a divulgação das verdades do Reino – o discurso, os recursos homiléticos, a oratória – vamos passar a usar os pés, membros do corpo que não possuem tanta beleza, que talvez não recebam de nós tanto decoro, mas que podem nos levar pelo caminho da justiça e da verdade revelando que, em nós, Cristo se constitui ação, e não meras palavras, que os que nos vêem podem seguir-nos, pois fazemos o que falamos, a nossa fé tem se materializado através de atos de bondade e amor.

Desta forma, nunca se esqueça: a Palavra só se tornou verbo porque, um dia, o Verbo se fez carne, e habitou entre nós.    

Fonte: http://www.genizahvirtual.com/

sábado, 23 de julho de 2011

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Líderes em Fuga.




É de impressionar a quantidade de pessoas que estão fugindo do ministério hoje em dia. É claro que há uma explicação óbvia para isso. O cansaço e o desgaste que o dia a dia normalmente trazem e o descaso na hora de construir um líder.

Houve um momento na igreja evangélica onde qualquer pessoa um pouco carismática que chegava na igreja era empossado em algum cargo. Isso gerou uma onde de ordenações precoces e conseqüentemente uma safra de obreiros despreparados.

A bíblia é clara quando diz que não devemos chamar ao ministério neófitos (gente nova) porque lhes falta além de conhecimento, maturidade. Muitos pastores se deixam levar pelas habilidades dos membros da igreja. Por exemplo, se uma pessoa é bem sucedida no seu trabalho secular com sua equipe, automaticamente será bem sucedida com equipes na igreja.

Ledo engano! Igreja não é empresa, e nem funciona como empresa. As relações que são travadas na igreja são fraternas enquanto as da empresa são profissionais. Os métodos das empresas são em busca de resultados os da igreja são em busca do caráter cristão.

Hoje, conheço inúmeros casos de pessoas que nem querem ouvir falar de igreja porque a experiência que tiveram no ministério foi traumatizante. Ou porque a liderança foi além do que um ser humano suporta, ou porque não houve zelo com o processo de discipulado. Que Deus nos ensine a deixar a teologia do desperdício de lado e investir nas pessoas certas em lugares certos.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Nunca Envergonhado – C. H. Spurgeon


Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus. (Mateus 10.32)

Que promessa graciosa! Para mim é uma grande alegria confessar o meu Senhor. Não importando quais sejam as minhas falhas, não me envergonho de proclamar as doutrinas de sua cruz. O Senhor, eu não tenho escondido a tua justiça em meu coração.

Estimulante é a cena que este versículo me apresenta! Amigos me abandonam, inimigos se exaltam, mas o Senhor não se recusa a reconhecer seu servo. Sem dúvida, meu Senhor me reconhecerá neste mundo e concederá novos sinais de sua consideração favorável . Mas virá o dia em que terei de comparecer diante do grande Deus.

Que alegria tenho em pensar que Jesus me confessará naquela ocasião! Ele dirá: "Este homem verdadeiramente confiou em mim e se mostrou disposto a ser desprezado por amor ao meu nome. Portanto, eu o reconheço como meu". Há alguns anos, a rainha da Inglaterra deu a um homem o mais nobre título de "cavalheiro" e colocou em seu braço uma insígnia cravejada de jóias.

Mas qual a importância disso diante das bênçãos do crente? Quando Jesus nos apresenta ante a Majestade divina no céu, isto será para nós uma honra superior a todas as outras. Nunca devo sentir-me envergonhado de pertencer ao meu Senhor. Jamais devo nutrir um silêncio covarde ou satisfazer um comprometimento por timidez. Eu me envergonharei de reconhecer Aquele que prometeu reconhecer-me diante de Deus?

segunda-feira, 18 de julho de 2011

DIÁRIO DE UM ADORADOR VIII

Escrito por Gerson Ortega
Os filhos do mandamento !
A morte de João me trouxe a pergunta:”qual é o preço da verdade?” Sabendo de tudo o que havia acontecido com ele e das perguntas que , a partir daquele assassinato, permeavam minha mente em todo o tempo, comecei a questionar minha própria vida, valores, propósito e tudo o mais…
Jesus estava se tornando muito conhecido por milagres que fazia! Muitas pessoas o seguiam. Ele chamou alguns que eram conhecidos como seus discípulos…até alguns que seguiam a João, passaram a estar com Jesus pois João os preparou para isso! Judas Iscariotes, politicamente conhecido como zelote ( grupo que já expliquei antes) me disse que agora, Jesus levava consigo esses discípulos, cujos nomes eram: Simão Pedro e André seu irmão; Tiago e João também irmãos: Filipe e Bartolomeu: Mateus ( que era conhecido como coletor de impostos) e Tomé; Tiago que era filho de Alfeu e Simão chamado também de Zelote, Judas, filho de Tiago além dele, Iscariotes que cuidava da bolsa dos discípulos !
Fiquei muito impactado em saber que aqueles homens largaram tudo, sua pesca, seu trabalho, seu escritório de cobrança de impostos…para seguir a Jesus sem garantias! Nestes tempos, se um homem não tem um ofício, ele não pode cuidar de uma casa, ou mesmo se casar…Miriam…eu sou já um levita, minha herança é o Senhor, será que conseguiria uma forma de poder casar com ela???? Alguns dias quando estávamos preparando as canções para o Shabat, eu conversava com o Mica sobre nosso futuro…Jesus dizia” Vinde após mim e eu vos farei pescadores de homens”; mas, quanto isso me renderia para poder falar em casamento com minha amada Miriam…”olhai as aves dos céus, que nem semeiam nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas?” As vezes eu pensava em conversar com meus pais a respeito de seguir a Jesus e deixar meu ofício do templo…do Shabat! Como meu pai e mãe entenderiam aquilo? E a Miriam? Pensaria que eu não gostava mais dela? “Ninguém pode servir a dois senhores…”disse Jesus! Como “dois” senhores? Eu servia no templo e na sinagoga a Jeová!!!?!
Me recordo quando pequeno e na adolescência quando com treze anos  e um dia, fui cumprir minha B’nai Mitzva, cerimônia dos “filhos do mandamento”, para me  tornar um Bar Mitzva, um “filho do mandamento”, podendo então fazer parte do miniam, um grupo de pelo menos dez homens adultos para a realização de cerimônias judaicas…no dia de me tornar um Bar Mitzva, li um trecho da Torah que estudei por meses a fio, além do Perasha, uma parte do livro dos profetas…e lí no profeta Isaías: “O Espírito do Senhor Jeová está sobre mim…”exatamente o mesmo texto que Jesus de Nazaré leu naquele dia quando quiseram matá-lo!!!!! Quando terminou a cerimônia ,todos os presentes me desejavam Mazal-tov que seria algo como boa sorte ou parabéns ! Nesse mesmo dia, Miriam que tinha doze anos e um dia ( nosso aniversário era no mesmo dia!) se tornou uma Bat Mitzva , uma filha do mandamento ! A partir dalí ela se tornou alguém que ocupava um lugar na minha vida nunca ocupado antes por alguém, de uma forma tão forte e intensa…Miriam e eu…filhos do mandamento!
Desde então, meu pai Izhar passou a me considerar um homem na casa! Comecei a ter que tomar minhas próprias decisões, assumir meus erros e viver com mais responsabilidade. Cheguei a participar de alguns ensinamentos do grande mestre Shammai. Tive aulas de matemática, escrita, musica com certeza e parte importante do hebraico (a língua falada era o aramaico e muitos judeus precisavam de tradução para o hebraico quando da leitura da Torah, pois não o sabiam o suficiente!). Eu aprendi com meu amigo Judas algo do latim, língua usada pelos romanos para assuntos militares…mas Judas sabia algo, fruto de seus contatos zelotes infiltrados no meio militar romano.
Jesus falava muito o aramaico do povo, e usava com freqüência o dialeto aramaico da Galiléia que era bem perceptível. Seus discípulos galileus como Simão Pedro e André também falavam esse dialeto aramaico. Muitos textos que Jesus citava de cór, pois assim aprendíamos a guardar as Escrituras para ensinarmos a nosso filhos depois, tinham métrica ritmada o que tornava agradáveis seus ensinos, histórias e parábolas, além de facilitar a memorização!!! Jesus sabia o hebraico, pois contam que ele, quando se tornou bar mitzva, discutia no templo com os doutores, os mestres da Torah e ficavam maravilhados de ver a sua memória, seu conhecimento, sua capacidade em discutir e entender as Escrituras!!! Além disso, ele devia saber algo do árabe egípcio, afinal, quando fugiu com sua mãe Maria e José para o Egito, pois estava sendo perseguido de morte por Herodes, o grande, pai de Herodes Antípas, que matou o profeta João Batista, ele ficou alí por uns seis anos até a morte de Herodes, quando voltou para Israel! Que homem esse!!?! Jurado de morte já na infância?!?!?…e também sabia o ofício de carpinteiro que exerceu até chegar aos trinta anos quando o ví sendo batizado por João! Dizem que seu pai José morreu algum tempo atrás pois era bem mais velho que Maria sua mãe!
Esse homem poderoso, que lidava com seres espirituais, anjos, demônios, e que estava curando por todo lugar onde andava, estava tomando conta de meu coração, me pedindo para seguí-lo…eu não poderia deixar de atender a esse apelo! Afinal…eu era um bar mitzva !!!!
continua...