terça-feira, 27 de março de 2012

Como lidar com perdas?

Lamento, mas com perda não se lida: se sofre. “Que horror,  Zágari”, você poderia dizer, “não é bem assim”. Desculpe, mas é sim. É a pura verdade. Ao longo da nossa vida perdemos muitas coisas: bens materiais, tempo, crenças, saúde e, o que é mais precioso: pessoas. O parente que morreu. O irmão que foi morar em outro país. O amigo que te apunhalou pelas costas. A mulher amada que se casou com outro. A verdade crua é que, nessas situações, não há nada a se fazer. Exceto sofrer.
Eu sei, esse pensamento contraria o triunfalismo que é pregado em milhares de púlpitos brasileiros, segundo o qual sofrimento é para ímpio, crente não sofre. Mentira. Jesus, que era um homem de dores, nos prometeu aflições. Nos prometeu sofrimento. Nos disse que haveria perda.  “Quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á.” (Mt 10.38, 39). Perda. Ela virá. E com ela, sofrimento. Prepare-se.
“Diga para quem está ao seu lado: Somos mais do que vencedores!”, bradarão os empolgadores de multidões. Mas quer saber a verdade nua e crua, meu irmão, minha irmã? Ao longo da sua vida você vai perder. Muitas coisas. Muitas pessoas. Estenderá a mão e não as alcançará. E vai sofrer por isso. Acostume-se: assim é a vida. Davi, o homem segundo  o coração de Deus, perdeu mais de um filho. O primeiro que teve com Bateseba morreu bebê. Absalão foi assassinado. Te convido a ouvir a voz do pai quando soube da perda, relatada em 2 Samuel 18.33. Mas não leia simplesmente o versículo. Sinta-o. Tente sentir o que se passava no mais íntimo do coração do homem segundo o coração de Deus: “Então, o rei, profundamente comovido, subiu à sala que estava por cima da porta e chorou; e, andando, dizia: Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho!”.
Quanta dor, meu Deus, quanta dor.
Perda. Dor. Lágrimas. Angústia. Sofrimento. Certos e garantidos na vida daqueles que amam o Senhor e que lhe são fieis.  Jó, “homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal”, perdeu os sete filhos e as três filhas de forma terrível. Todos ao mesmo tempo e de maneira sangrenta. Morreram esmagados, sob os escombros de uma casa que desmoronou. Consegue nem que seja de longe imaginar (eu não consigo) o que sente um pai que perde dez filhos de uma vez estraçalhados por escombros? Dizem que a dor de perder um filho é a pior que há. Agora multiplique por dez e você terá uma vaga ideia do que o que o “homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal” sentiu. E, se ele passou por aquilo, por que conosco seria diferente? Eu, Mauricio Zágari, não chego à sola dos pés de Jó. Nem de longe sou um homem segundo o coração de Deus, como Davi, embora quisesse ser. E, apesar disso, desejo que minha vida seja um mar de rosas. E… confesse: você também quer. Petulantes que somos.
Duras palavras, meu irmão, minha irmã. Sei disso. Mas o descanso está apenas no porvir. Não há explicações para a perda, além da soberania de Deus, cujos caminhos são mais elevados que os nossos, que conhece todos os mistérios e cuja essência é o mais puro amor. Então como compreender isso?
Adeptos do Teísmo Aberto e da Teologia Relacional se chocam tanto com esse fato da vida, que o Deus amor permite tanto sofrimento, que preferiram forjar a explicação herética de que “nas perdas e tragédias Deus abriu mão de sua soberania e não participa”. Mentira. Deus nunca abriu mão de sua soberania, é atributo seu inseparável de seu Ser tanto quanto o amor. E do mesmo modo que o Senhor nunca deixaria de ser 100% amor, Ele nunca deixaria de ser 100% soberano. “Tá, Zágari, então como você explica as perdas e o sofrimento?”. Eu não explico, querido, querida. Sou incapaz e incompetente para compreender a mente de Deus. Sei que sofrerei perdas. Sei que sentirei dor. Sei que sofrerei. Sei que viverei lutos por pessoas que morreram e também por aquelas que seguem vivas, mas que perdemos. O que me cabe fazer? Fazer e dizer como Jó (Jó 1.21-23): “Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça e lançou-se em terra e adorou; e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor! Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma”.
Explicação não há. Há sim uma compreensão, que está em Romanos 9.14ss: “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. (…) Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz. (…) Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?”.
Você está vivo? Então prepare-se para ter perdas. Para sofrer. Prepare-se para o ai. Sim, você chorará. Prometer que só porque você é cristão e o Espírito habita em si isso não acontecerá é mentira triunfalista e antibíblica. Não creia nela.
Mas há um porém.
Uma simples promessa, escondida no meio de 66 livros, para aqueles que chegarem, doloridos, sofridos e vitoriosos, ao final da jornada: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida. O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho”. Essa é a esperança. Perderemos nesta vida. Ganharemos na próxima. Eis a essência do Evangelho.
Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Seja Feita SUA Vontade

Por Fernando Ortega
Lembra de quando Jesus estava no Monte das Oliveiras e fez esta oração?
Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua. – Lucas 22:42
Você já orou dessa maneira?
Eu estou vivendo algo exatamente assim. Gostaria que as coisas caminhassem de um jeito, mas no fundo, sei que a vontade de Deus é soberana sobre minha vida. Sem contar que ela é boa, perfeita e agradável. (Romanos 12:2).
Pois bem, estamos querendo casar! (Ô aleluiaasss!!) Mas para isso, é necessário que algumas coisas aconteçam em minha vida.
MAS, nossa oração não tem sido: “Pai, faz isso, isto e aquilo para que tudo dê certo!”.
Nossa oração tem sido: “Pai, seja feita Tua vontade”.
Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos. - Isaías 55:8-9
E é essa ansiedade que pode nos tirar a paz. A paz diferente de qualquer outra:
Ahhhhh!! É como água refrescante, límpida, que mata a sede de um peregrino no deserto. Essa paz que vai além do que pensamos!
As pessoas podem falar: “Mas você devia estar preocupado!!! E se acontecer isto, ou aquilo???” – Não adianta, essa paz excede todo entendimento, todo questionamento, toda dúvida e afoga a ansiedade num mar de graça, a graça de Deus.

Quem é mais “véio” de casa, sabe que eu tenho uma noiva na qual eu sempre digo que é a expressão física do amor de Deus sobre minha vida, a Fran.
A Fran e eu temos nossos planos do que seria necessário acontecer para que tudo ficasse resolvido. Dai poderiamos marcar a data e você, sim VOCÊ poder assistir via twitcam a este casamento (gritos de aleluias e brados de júbilo!). Aliás pra quem não sabe, meu relacionamento com a Fran é o motivo pelo qual o Não Morda a Maçã nasceu.
Continuando,
Nós temos nossos pensamentos e planos mas sabemos que…
…meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR.
Eu já entendi com todo meu coração que Deus tem sempre o melhor pra minha vida. Ainda que seja uma correção, Ele tem o MELHOR. Diante disso, a Fran e eu sabemos que Deus faz as coisas infinitamente melhores do que nós imaginamos…
Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam. – 1 Coríntios 2:9
É claro que não oramos e ficamos de mãos abanando. Como já falei em um outro post, nós estamos em orAÇÃO. Estamos fazendo nossa parte, mas agora, chegamos em um momento que realmente já não depende de nós fazermos algo se não orar.
Vocês acham que tem sido fácil? Pois é! Claro que não! A ansiedade busca a qualquer custo dominar nossos corações. Mas……..
Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. – 1 Pedro 5:7
Sim! Como um pai zeloso, Ele tem cuidado com muito amor de nós!
E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus. – Filipenses 4:7
Percebeu o que o verso diz? “Paz de Deus que excede todo o entendimento”!
Isso não só se aplica a nossa situação, mas em qualquer outra situação de sua vida. Submeta sua vontade à Dele sabendo que os pensamentos Dele são maiores que os teus. Mergulhe seu coração na fé. Isso impedirá qualquer ansiedade e te levará à paz de Deus, que excede todo entendimento.
Meu amigo Paulo Ignez disse recentemente em uma oração:
Estar em paz é estar na presença de Deus.
Fonte: http://naomordamaca.com/

domingo, 4 de março de 2012

Perdão! Um caminho difícil a ser percorrido!


Por Renato Vargens

Outro dia ouvi uma história muito interessante ocorrida na guerra do Kosovo. Em 1999, três americanos foram capturados e ficaram reféns por mais de um mês. Após intensas negociações, os prisioneiros foram postos em liberdade. Roy Lloyd fazia parte da delegação que conseguiu a sua libertação, na ocasião declarou: “Os três soldados são muito religiosos. Um deles, Christopher Stone, não saiu de lá até que lhe fosse permitido ir ter com o soldado que serviu de seu guarda e orasse por ele."

Caro leitor, este soldado poderia ter saído daquela prisão com um enorme ódio por aqueles que o mantiveram em cárcere privado. Poderia também ter desenvolvido um significativo sentimento de vingança do tipo toma-lá-dá-cá, entretanto, movido pela compaixão ele abençoou aquele que o maltratara.

Por acaso você já deu conta de que como este rapaz somos chamados a abençoar aqueles que nos perseguem? De que forma você tem lidado com aqueles que lhe ofendem? Será que você é daqueles que dá um boi para não entrar numa briga e uma boiada para não sair dela? 

Outro dia uma irmã em Cristo me falou: "- Eu sou difícil de brigar, mas se eu rodar a minha baiana gospel, ninguém me segura!" 

Prezado amigo, Cristo nos chama a exercermos misericórdia e perdoar INCONDICIONALMENTE aqueles que nos ofendem, ainda que isto implique em lágrimas e dor. É o Senhor que nos ensina a oferecermos a face em detrimento as afrontas e agressões sofridas.

A palavra grega traduzida como "perdoar" significa literalmente cancelar ou remir. Significa a liberação ou cancelamento de uma obrigação e foi algumas vezes usada nas Escrituras no sentido de perdoar um débito financeiro.

E você? De que forma tem lidado com os que lhe machucaram a alma? Tem guardado ressentimento? Tem nutrido o coração com o veneno da mágoa? Como alguém bem disse, quem guarda ressentimentos, bebe veneno, esperando que o outro morra.

Pois é, o caminho do perdão não é fácil, todavia, sem passarmos por ele não nos é possivel desfrutarmos da paz que somente Cristo pode nos dar.

Pense nisso!

Fonte: 

A igreja e seu relacionamento com o mundo




Por Rev. Hernandes Dias Lopes
Li algures que alguém foi procurar a igreja e a encontrou no mundo; foi procurar o mundo e o encontrou na igreja. A igreja é um povo chamado do mundo para ser enviada de volta ao mundo como luz do mundo. A igreja está no mundo, mas o mundo não pode estar na igreja, assim como a canoa está na água, mas a água não pode estar na canoa. Jesus, em sua oração sacerdotal falou-nos sobre essa relação da igreja com o mundo. Vamos mencionar aqui três pontos que Jesus destacou:

1. A igreja não é do mundo (Jo 17.14). “… o mundo os odiou, porque eles não pertencem ao mundo…”. A igreja de Deus não procede do mundo, por isso é odiada pelo mundo. Nascemos de cima, do alto, de Deus, do Espírito. O céu não é apenas nosso destino, mas também nossa origem. Somos estrangeiros e peregrinos no mundo. Aqui não é nosso lar permanente. Não podemos amar o mundo, pois aquele que ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Não podemos ser amigos do mundo, pois quem quiser ser amigo do mundo, tornar-se-á inimigo de Deus. Não podemos nos conformar com o mundo para não sermos condenados com o mundo. É uma tolice, portanto, pensar que vamos conquistar o mundo imitando o mundo. Devemos viver uma contracultura. Devemos viver aqui como filhos da luz, como cidadãos dos céus.

2. A igreja é guardada do mundo (Jo 17.15). “Não oro para que os tires do mundo, mas sim, que os livres do mal”. Não somos eremitas que se escondem em mosteiros. Não somos tirados geográfica e fisicamente do mundo. Somos guardados no mundo e do mundo. Nosso ministério acontece aqui. Nossa luta é travada aqui. Estando no mundo, somos a luz do mundo. Vivendo aqui, somos o sal da terra. Não somos arrancados do mundo, mas protegidos do maligno, o príncipe do mundo. O mundo sempre irá nos odiar, porque não pertencemos ao mundo como Jesus não o pertence. Porque o mundo odeia Jesus, ele também odeia a igreja, porque Jesus está na igreja e com a igreja. Não obstante, sermos alvos do ódio do mundo e dos ataques do maligno, nós não precisamos temer, pois somos guardados e protegidos por Jesus. Não estamos envolvidos numa missão de risco. Não entramos nessa peleja com a possibilidade da derrota. Já somos mais do que vencedores em Cristo Jesus. Nossa segurança está nas mãos daquele que criou o universo e sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder. Nele vivemos, nos movemos e existimos.

3. A igreja é enviada de volta ao mundo (Jo 17.18). “Da mesma maneira como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo”. A igreja não é do mundo, é chamada do mundo, é guardada do mundo, santificada no mundo e enviada de volta ao mundo como testemunha de Cristo. Assim como Jesus desceu do céu e se fez carne e habitou entre nós; assim como Ele se inseriu no meio dos homens, também, devemos estar presentes no mundo, não para sermos assimilados pelo mundo, amar o mundo, ser amigos do mundo e conformarmo-nos com ele, mas para sermos embaixadores de Deus, rogando aos homens que se reconciliem com Deus. A igreja é a agência do reino de Deus no mundo. A igreja é uma embaixada do céu na terra. O reino de Cristo não é deste mundo. O mundo vai passar e não temos aqui herança permanente. Nossa Pátria está no céu. Nossa herança está no céu. Vivemos aqui por causa da nossa missão. Nosso papel aqui é glorificar a Deus e anunciar sua glória entre as nações. Nossa missão é chamar os homens de todas as raças, povos, línguas e nações a se arrependerem e crer no Bendito Filho de Deus. Somos embaixadores de Cristo, arautos do Rei, ministros da reconciliação, portadores de boas notícias. Fomos tirados do império das trevas para sermos filhos da luz e luzeiros do mundo. Fomos arrancados da potestade de Satanás para anunciarmos ao mundo o reino da graça e o reino de glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo. Fomos desarraigados deste mundo tenebroso para proclamarmos ao mundo que Cristo morreu, ressuscitou e vai voltar em majestade e glória para julgar os vivos e o mortos.

Distorcendo a Missão da Igreja


Por John MacArthur

Em nossos dias, o mundanismo raramente é mencionado e, menos ainda, identificado com aquilo que ele realmente é. A própria palavra começa a soar como algo antiquado. Mundanismo é o pecado de permitir que os apetites, as ambições ou a conduta de alguém sejam moldados de acordo com os valores do mundo. "Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; mas aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente" (1 Jo 2.16,17).

Apesar disso, nos dias de hoje, presenciamos extraordinário espetáculo de programas de igreja elaborados explicitamente com o objetivo de satisfazer os desejos carnais, os apetites sensuais e o orgulho humano — "a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida". E, para satisfazerem esse apelo mundano, as atividades das igrejas vão além do que é meramente frívolo. Durante vários anos, um colega meu vem formando o que ele chamou de "arquivo de horror" — recortes falando de igrejas que estão lançando mão de inovações, a fim de evitar que seus cultos de adoração se tornem monótonos. Nos últimos cinco anos, algumas das maiores igrejas dos Estados Unidos têm se utilizado de recursos mundanos, tais como comédia "pastelão", peças cómicas entremeadas de música, exibições de luta livre e até mesmo imitações de strip-tease, para tornar um pouco mais atrativas suas reuniões dominicais. Nem um tipo de grosseria, ao que tudo indica, é ultrajante o suficiente para não ser trazida para dentro do santuário. O entretenimento está rapidamente se tornando a liturgia da igreja pragmática.

Além do mais, muitos na igreja crêem que essa é a única forma pela qual haveremos de alcançar o mundo. Por isso, dizem-nos que, se as multidões de pessoas que não frequentam as igrejas não querem ouvir pregações bíblicas, devemos dar-lhes aquilo que desejam. Centenas de igrejas têm seguido à risca essa teoria, chegando a pesquisar os incrédulos a fim de saber o que é preciso para que estes passem a frequentá-las.

Sutilmente, em vez de uma vida transformada, é a aceitação por parte do mundo e a quantidade de pessoas presentes aos cultos o que vem se tornando o alvo maior da igreja contemporânea. Pregar a Palavra e confrontar ousadamente o pecado são vistos como coisas antiquadas, meios ineficazes de se alcançar o mundo. Afinal de contas, não são essas coisas que afastam a maioria das pessoas? Por que não atraí-las para a igreja, oferecendo-lhes o que desejam, criando um ambiente confortável e amigável, nutrindo-lhes os desejos que constituem seus impulsos mais fortes? É como se, de alguma forma, conseguíssemos que elas aceitassem a Cristo, tornando-O, de algum modo, mais agradável ou tornando a mensagem dEle menos ofensiva.

Essa maneira de pensar distorce por completo a missão da igreja.

A Grande Comissão não é um manifesto de marketing. O evangelismo não requer vendedores, e, sim, profetas. É a Palavra de Deus, e não qualquer sedução mundana, que planta a semente que produz o novo nascimento (1 Pe 1.23). Nada ganharemos, senão o desprazer de Deus, se procurarmos remover o escândalo da cruz (Gl 5.ll).

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Falsa Santificação - Thomas Watson


Há coisas que parecem santificação, mas não são.

a. A primeira imitação da santificação é a virtude moral

Ser justo, temperante, de bom comportamento, não ter a fama manchada com um escândalo vergonhoso é bom, mas não é o suficiente, não é santificação. Um campo florido é diferente de um jardim. Pagãos se apegaram à moralidade, como Catão, Sócrates e Aristides.90 A boa educação é somente uma natureza refinada, não há nada de Cristo nela, o coração pode ser impuro e abominável. Debaixo dessas folhas de boa educação, o verme da descrença pode estar escondido. Uma pessoa virtuosa tem uma antipatia secreta contra a graça, odeia o vício e também a graça tanto quanto o vício. A serpente tem uma bela cor, mas pica. Uma pessoa enfeitada e alimentada com uma virtude moral pode ter um afeto secreto contra a santidade. Os estóicos, que eram os principais pagãos moralistas, foram os inimigos implacáveis de Paulo (At 17.18).

b. A segunda imitação da santificação é a devoção supersticiosa

Isso é abundante no papado. As adorações, as imagens, os altares, as vestimentas e a água benta, coisas que eu entendo como frenesi religioso, e que estão longe da santificação. Nada disso acrescenta nenhum bem intrínseco ao homem, não faz o homem melhor. Se as purificações e as lavagens da lei, que eram orientações do próprio Deus, não fizeram daqueles que as praticaram mais santos, e os sacerdotes que vestiram vestimentas santas e tiveram óleo derramado sobre si só eram santos com a unção do Espírito, então, certamente, as inovações supersticiosas na religião, que Deus nunca orientou, não podem contribuir para qualquer santidade dos homens. Uma santidade supersticiosa não custa muito, não há nada do coração nela. Se santidade fosse dizer orações com uso de um rosário, curvar-se diante de uma imagem, benzer-se com água benta, e tudo aquilo que é requerido daqueles que crêem nessas coisas para salvação, então o inferno estaria vazio, ninguém entraria lá.

c. A terceira imitação da santificação é a hipocrisia

Hipocrisia é fingir uma santidade que se não tem. Assim como um cometa pode brilhar e se parecer com uma estrela ou como um lustre pode brilhar em seu lugar a tal ponto de ofuscar os olhos dos que o contemplam. "Tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder" (2Tm 3.5). São lâmpadas sem óleo, sepulcros caiados como os templos egípcios que eram bonitos do lado de fora, mas dentro havia todo tipo de podridão. O apóstolo fala da santidade verdadeira em Efésios 4.24, implicando que há uma santidade que é espúria e fingida. "Tens nome de que vives e estás morto" (Ap 3.1), são como quadros e estátuas destituídas de um princípio vital: "Nuvens sem água" (Jd 12). Fingem estar cheios do Espírito, mas são nuvens vazias. Isso mostra a santificação como uma auto-alucinação. Quem pega o cobre no lugar do ouro engana a si mesmo. Os santos mais falsos enganam os outros enquanto vivem, mas enganam a si mesmos quando morrem. Fingir a santidade quando não há nenhuma é uma coisa vã. Que vantagens levaram as virgens néscias que tinham lâmpadas fulgurantes quando precisaram de azeite? Qual é a utilidade de uma lâmpada sem o azeite da graça salvadora? Que consolo uma demonstração de santidade trará no final? Será que algo pintado com a cor de ouro pode enriquecer? A pintura de água pode refrescar aquele que está com sede? Ou a santidade imaginária será um sofrimento na hora da morte? Não se deve acomodar com uma pretensa santificação. Muitos navios que tinham o nome de Esperança, Triunfo e Vigilante foram lançados contra as rochas, assim, muitos que tiveram o nome de santos foram lançados no inferno.

d. A quarta imitação da santificação é a graça suprimida

Isso acontece quando os homens se abstêm do vício, embora não o odeiem. O lema de um pecador pode ser assim: "Eu estaria disposto, mas não tenho coragem". O cão só pensa no osso, mas tem medo do bastão, assim os homens têm a mente para a luxúria, mas suas consciências se posicionam como aquele anjo com uma espada flamejante e, assim, ela os amedronta: eles têm a mente para a vingança, mas o medo do inferno é como um freio de cavalo que os adverte. Não há mudança de coração, o pecado é freado, mas não exterminado. Um leão pode estar enjaulado, mas ainda é um leão.

e. A quinta falsificação da santificação é a graça comum

É uma obra tênue e passageira do Espírito, mas que não ajuda na conversão. Há um pouco de luz em um julgamento, mas não o é para a humilhação pessoal. Alguns têm peso na consciência, mas não acordam.

Parece santificação, mas não é. Os homens têm as convicções formadas neles, mas abrem mão dessa convicção, como o animal que, ao ser flechado, livra-se da flecha. Depois da convicção, os homens vão à casa da alegria, pegam a harpa para expulsar o espírito de tristeza e tudo morre e não se chega a nada.

Como os apóstolos morreram



Conforme a tradição e história da igreja os apóstolos morreram assim:
1. Mateus foi martirizado na Etiópia por uma espada afiada.
2. Marcos morreu em Alexandria, Egito, depois de ser arrastado por cavalos pelas ruas da cidade até que foi dado por morto.
3. Lucas foi enforcado na Grécia porque era muito ousado na pregação do evangelho aos perdidos.
4. João enfrentou o martírio quando foi colocado dentro de um caldeirão de óleo fervente durante uma onda de perseguição em Roma. Salvo milagrosamente da morte, foi sentenciado a trabalhos forçados na ilha de Patmos. Ali teve a revelação de Cristo e escreveu o Apocalipse. Mais tarde foi libertado, retornou para Edessa, atual Turquia moderna, e morreu farto de dias. Foi o único dos apóstolos a morrer em paz.
5. Pedro foi crucificado de cabeça pra baixo numa cruz em forma de X e pediu aos seus algozes que queria ser crucificado assim, porque não era digno de morrer do mesmo jeito que seu Senhor.
6. Tiago, o Justo, líder da igreja em Jerusalém foi jogado de uma altura de trinta metros, do pináculo do templo, por se recusar negar a Cristo. Sobreviveu à queda, mas seus inimigos bateram nele com um porrete até morrer. Este foi o mesmo pináculo para onde Satanás levou a Jesus na tentação.
7. Tiago, o Grande, filho de Zebedeu, pescador, chamado por Jesus à beira-mar. Líder forte foi decapitado por Herodes em Jerusalém. O oficial romano que o vigiava ouviu atentamente a defesa de Cristo feita por Tiago. Depois, o oficial ficou ao lado de Tiago na hora da execução, e convicto, declarou sua nova fé aos juízes e se ajoelhou ao lado de Tiago para ser martirizado como um cristão.
8. Bartolomeu, conhecido também como Natanael foi missionário na Ásia e testemunhou a respeito de Jesus onde hoje é a atual Turquia. Bartolomeu foi martirizado na Armênia onde sucumbiu a morte debaixo de açoites.
9. André foi crucificado numa cruz em forma de X em Pátara na Grécia. Depois de ser surrado severamente por sete soldados, amarraram seu corpo à cruz para aumentar sua agonia. Testemunhas disseram que quando ele era levado para a cruz, André a saudou nesses termos: ‘Sempre anelei por esse momento feliz. A cruz foi consagrada pelo Cristo que nela morreu”. E ali, amarrado, continuou pregando aos seus algozes durante dois dias até expirar.
10. Tomé foi atingido por uma lança na Índia durante uma de suas viagens missionárias para estabelecer a igreja naquele continente.
11. Judas morreu atingido por várias flechas por se recusar negar sua fé em Cristo.
12. Matias, o apóstolo escolhido para substituir Judas Iscariotes, foi apedrejado e depois decapitado.
13. Paulo foi torturado e decapitado pelo imperador Nero em Roma no ano 67. Paulo enfrentou um longo tempo de prisão o que lhe permitiu escrever muitas epístolas às igrejas recém começadas em todo o império romano. Suas cartas fazem parte hoje do fundamento doutrinário do Novo Testamento. Quem sabe isso nos serve de alerta de que os sofrimentos que enfrentamos nos dias de hoje são incomparáveis a crueldade sofrida pelos discípulos e apóstolos.
Tradução de João A. de Souza Filho