sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Perseguição X liberdade religiosa
Duas fontes atuais nos ajudam a definir o que é a perseguição – As Convenções da ONU (Organização das Nações Unidas), e a própria Bíblia Sagrada.
De acordo com o Artigo 18 da Declaração Universal de Direitos Humanos, de 1948: “Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular”.
O Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, de 1966, expandiu esse Artigo:
1. Toda pessoa terá direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião. Esse direito implicará a liberdade de ter ou adotar uma religião ou crença de sua escolha e a liberdade de professar sua religião ou crença, individual ou coletivamente, tanto pública como privadamente, por meio do culto, da celebração de ritos, de práticas e do ensino.2. Ninguém poderá ser submetido a medidas coercitivas que possam restringir sua liberdade de ter ou de adotar uma religião ou crença de sua escolha.3. A liberdade de manifestar a própria religião ou crença estará sujeita apenas às limitações previstas em lei e que se façam necessárias para proteger a segurança, a ordem, a saúde ou a moral públicas ou os direitos e as liberdades das demais pessoas.4. Os estados-partes no presente Pacto comprometem-se a respeitar a liberdade dos pais - e, quando for o caso, dos tutores legais - de assegurar aos filhos a educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.
Pode-se dizer então, que o individuo é perseguido se for privado de qualquer dos elementos fundamentais da liberdade religiosa.
Segundo o fundador da Portas Abertas, Irmão André, “perseguição não se refere a casos individuais, mas sim, quando um sistema, político ou religioso, tira a liberdade de um cristão ou o acesso à Bíblia, restringe ou proíbe o evangelismo de jovens e crianças, atividades da igreja e de missões.
Para o Irmão André, não é legítimo usar o termo perseguição para descrever uma tragédia individual que ocorre numa sociedade que concede liberdade religiosa. É um termo que deve ser reservado para comunidades inteiras que enfrentam campanhas organizadas de repressão e discriminação, como ocorreu no estado de Orissa, na Índia, em 2008.
Perseguição segundo a Bíblia
Além do apóstolo Paulo, os cristãos do Novo Testamento enfrentaram cinco fontes de perseguição:
Governantes (Atos 12.2)
Sacerdotes (Mateus 26.3,4; Atos 2.36; João 18.31; Atos 7.54-59)
Mercadores (Atos 16 e 19)
Agitadores (Atos 17)
Família (Mateus 10.35,36)
Enfim, a Bíblia afirma: “De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Timóteo 3.12).
Para grande parte dos cidadãos do mundo ocidental, cristãos ou não, o tema “perseguição religiosa” pode soar estranho. Uma das explicações talvez seja o fato de que a maioria dos países deste lado do globo vive em plena democracia e por isso, em geral, as pessoas estão acostumadas a ter seus direitos garantidos por lei. No entanto, essa ideia de que a liberdade e o acesso a direitos fundamentais estão consolidados para a maior parte da população mundial neste século 21 tem se mostrado uma ilusão.
Os países que apresentam elevados índices de restrições à religião não são maioria – 64, no total –, porém abrigam a maior parte da população mundial.
Países como China, Índia, Irã, Iraque, Afeganistão, entre outros, costumam ocupar as manchetes por diferentes motivos, mas raramente são vinculados pela mídia secular à perseguição, muitas vezes implacável, que impõem aos adeptos da fé cristã. Admitir e conhecer a realidade da perseguição é o primeiro passo para que a Igreja se posicione ao lado daqueles membros do Corpo que sofrem por seguir a Cristo e para que passe a agir em favor deles.
Se quiser saber mais detalhes sobre a perseguição nos dias de hoje, leia o livro A fé que persevera – Guia essencial sobre a perseguição à Igreja, de Ronald Boyd-MacMillan, publicado pela Portas Abertas.
No livro, Ronald Boyd-MacMillan afirma: “[Há] dois elementos centrais que nos levam além do Artigo 18. Primeiro, nas palavras de um pregador palestino ‘Isso não diz respeito a nós’. A perseguição diz respeito a Cristo, e a trindade do mal (carne, mundo e diabo) está tentando chegar até Cristo por meio de nós. Não somos nós, estritamente falando, o objeto da perseguição. Nós somos as vítimas dela. Segundo, a perseguição é universal. Essa trindade do mal está perseguindo Cristo, o nosso novo Senhor, estejamos definhando num campo de trabalhos forçados ou deitados no convés de um iate. Bastante simples: se levamos conosco a nossa nova identidade de Cristo, seremos perseguidos”.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Crescendo na Graça e no Conhecimento em 2012
“Crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno”. 2Pe 3:18
O crescimento é um fenômeno esperado em todos os seres vivos. No pre-natal uma das coisas que o médico controla é o crescimento do bebe. Quando a criança nasce, o obstetra a pesa e mede o recém-nascido. E a cada consulta o pediatra, novamente, repete medições e pesagens. O que todos esperam como resultado é que com o passar do tempo, a criança vá crescendo. Na vida espiritual, o crescimento também é esperado.
Nós nascemos como filhos de Deus “pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade"(Tg 1:18). Devemos, pois, desejar “ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação” (1Pe 2:2). Mas o crescimento a partir daí é esperado. “Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo” (1Co 3:1). Na medida que avançamos no tempo, devemos avançar no desenvolvimento da nossa fé, para não ouvirmos o Espírito nos repreender dizendo “Quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido” (Hb 5:12). O nosso alvo é crescer “até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4:13).
Aqui, o crescimento não é apenas esperado, mas ordenado. “Crescei!”, diz Pedro. O verbo está no presente e é um imperativo, uma ordem. Devemos crescer. É verdade que o crescimento espiritual é “crescimento que procede de Deus” (Cl 2:19), mesmo assim nos é ordenado“desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Fp 2:12). Deus nos ordena o que Ele mesmo nos dá, então podemos confiar que o crescimento espiritual não apenas é esperado e ordenado, mas também possível!
O apóstolo nos diz para crescermos na graça. Mas o que vem a ser graça? Receio que de tão usada, graça é uma palavra cujo sentido escape a muitos. Uma definição de graça diz que é o“um dom gratuito e sobrenatural dado por Deus para conceder à humanidade todos os bens necessários à sua existência e à sua salvação”. Uma maneira de compreender a graça é contrastá-la com a justiça. A justiça é dar a cada um o que lhe é devido. É justo que um trabalhador receba o salário devido. É justo que um criminoso seja punido proporcionalmente ao seu crime. Mas a graça não é justiça, na verdade, ela muitas vezes aparenta ser injusta. Trabalhadores que trabalham apenas um hora num dia recebem igual pagamento que os que trabalharam o dia inteiro. Ovelhas fiéis são deixadas no deserto enquanto o pastor vai em busca de uma desgarrada. Um filho esbanjador ganha roupas novas, jóias e uma festa, enquanto que o irmão obediente ainda está no trabalho, e só ouve a música ao completar o dia no campo. A graça, portanto, nada tem a ver com merecimento. Pelo contrário, só há graça onde há demérito.
Sendo assim, crescer na graça não tem a ver com ser mais digno, mais apto, mais preparado, mais ativo, mais isto ou mais aquilo. Crescer na graça é reconhecer a própria indignidade, é descobrir-se completamente inapto e despreparado, enfim, é desesperar-se de si mesmo.“Então, ele me disse: a minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (2Co 12:9). Crescer na graça, é crescer como rabo de cavalo, para baixo, pois Deus “dá maior graça; pelo que diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4:6). Sendo assim, nosso lema deve ser “convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3:30).
Somos instados a crescer no conhecimento. “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” (Os 4:6) era um fato nos dias de Oséias, e é uma verdade nos dias de hoje. “Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus?” (Mc 12:24) descreve o motivo de tantos se desencaminharem hoje. De Jesus é dito que “crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele” (Lc 2:40). De nós deve ser dito “estais possuídos de bondade, cheios de todo o conhecimento, aptos para vos admoestardes uns aos outros” (Rm 14:14).
Ter conhecimento não apenas a acumular dados e informações. Dados e informações podem ser coletados e com os recursos disponíveis hoje, temos acesso a tanta informação que somos incapazes de dar conta dela. Conhecimento é informação processada, e no caso do conhecimento revelado na Escritura, é informação trabalhada em nosso coração pelo Espírito Santo. É necessária iluminação, “desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei” (Sl 119:18). É necessário meditação, “antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite” (Sl 1:2).
Tendo considerado a necessidade de crescer na graça e no conhecimento, precisamos descobrir o caminho para isso, embora alguma coisa já tenha sido adiantada. Indicarei então que Jesus é a fonte da graça e do conhecimento, pois “o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade” (Jo 1:14). Não obteremos mais graça nos aperfeiçando ou procurando em nós mesmos, “porque... a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo”(Jo 1:17). De igual modo, para obtermos o conhecimento que precisamos, temos que ir a Jesus“em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Cl 2:3). O segredo do crescimento na graça e no conhecimento é uma intimidade maior com Jesus Cristo e Sua Palavra.
À guisa de conclusão, uma palavra a respeito do objetivo maior do crescimento na graça e no conhecimento. Embora sejamos imediatamente beneficiados por esse crescimento, o propósito final é a glória de Deus. Pedro termina sua exortação com as palavras “a Ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno” (2Pe 3:18). Quando diminuímos para que Ele cresça, Ele é louvado. Quando aprendemos mais dEle, conhecendo-o melhor, melhor o glorificamos. Por isso, cresçamos na graça e no conhecimento, para glória dEle.
Soli Deo Gloria
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Louvor, a Causa da Vitória
Por Hernandes Dias Lopes
O louvor é uma expressão de júbilo do povo de Deus tanto nos momentos de profusa alegria como no vale da dor mais atroz. Jesus, estando com sua alma angustiada, na noite em que foi traído, depois de celebrar a ceia com seus discípulos, no cenáculo, cantou um hino e saiu para o monte das Oliveiras, onde travou uma luta de sangrento suor e derramou lágrimas, na mais titânica batalha da humanidade. Paulo e Silas cantaram na prisão, à meia noite, com seus pés presos no tronco e com seus corpos ensanguentados. O patriarca Jó, mesmo esmagado pela dor avassaladora da morte de seus dez filhos, num único acidente, prostrou-se com o rosto em terra e adorou a Deus. Mais tarde chegou a dizer que Deus inspira canções de louvor nas noites escuras.
Queremos examinar o assunto em tela, examinando a passagem de 2 Crônicas capítulo 20. Josafá, rei de Judá, homem piedoso e temente a Deus foi entrincheirado por três nações inimigas: Edom, Amom e Moabe. Esses inimigos entraram em acordo para atacar Jerusalém. A cidade de Davi estava cercada. Os adversários já estavam posicionados, estrategicamente, às margens do Mar Morto, muito próximo de Jerusalém. A notícia chegou ao rei de Judá numa hora em que não se tinha tempo suficiente para esboçar qualquer reação àquele grande exército invasor. Nesse momento, Josafá teve medo. Sabia que era uma causa humanamente perdida. Sabia que o tempo conspirava contra ele. Sabia que seus recursos eram insuficientes para entrar naquela peleja. Em vez de desesperar-se, porém, Josafá pôs-se a buscar o Senhor, e decretou um jejum em todo o Judá e conclamou o povo a orar. O próprio rei confessou não saber o que fazer, mas reafirmou sua confiança em Deus, quando disse: “os nossos olhos estão postos em ti”.
Quando o povo clama a Deus, a resposta vem e vem trazendo orientação segura. O povo não deveria temer. Deus lutaria por ele. A vitória não viria do braço da carne nem da estratégia militar. Deus mesmo desbarataria seus inimigos e lhes daria retumbante vitória. Surpreendentemente, Deus ordenou que se ordenasse cantores que, fossem à frente do exército, cantando louvores ao Senhor, em voz alta sobremaneira. A vitória viria não pela espada, mas pelo louvor. Viria não pelo combate, mas pela adoração. Diz a Escritura que, tendo eles começado a cantar e a dar louvores a Deus, o Senhor pôs emboscada contra os inimigos e eles foram desbaratados. A vitória não veio como resultado da batalha, mas como consequência do louvor. O louvor não é apenas arma de guerra, mas o brado do triunfo. O louvor não é apenas consequência da vitória, mas, sobretudo, a causa da vitória. Não devemos louvar a Deus apenas depois que o inimigo foi derrotado, mas devemos louvar para que o inimigo seja derrotado. Não devemos louvar apenas porque o sol está brilhando, mas devemos louvar mesmo nas noites escuras. Não devemos louvar apenas depois que a tempestade se foi, mas louvar para que ela se vá. O louvor é uma expressão de confiança inabalável de que Deus está no controle da situação, mesmo que nós já tenhamos perdido o controle. O louvor é a manifestação de nossa alegria em Deus, mesmo que as circunstâncias à nossa volta conspirem contra nós. O louvor não é apenas um sentimento ou uma emoção, mas uma atitude de descansar em Deus e exultar em sua bondosa providência.
Quando o povo de Israel chegou no acampamento do inimigo, o vale da ameaça, encontraram seus adversários mortos e o acampamento repleto de ricos despojos. O vale da ameaça foi chamado de “vale da bênção”. O lugar do perigo, tornou-se o território da vitória. O ambiente de apreensão e medo, transformou-se no palco da celebração. A arena da espoliação, converteu-se em campo fértil da provisão. Aquilo que apontava para a morte irremediável, transformou-se no cenário mais eloquente da vida. O louvor ainda hoje nos coloca acima dos problemas e mais perto daquele que está assentado na sala de comando do universo.
Tamanho é documento para Deus?
É notório que, no imaginário popular do evangélico brasileiro, uma igreja abençoada por Deus é uma igreja enorme. Cheia. De preferência, lotada. Com montes de departamentos, atividades, grupos disso e daquilo, ministérios mis e cheias de bons dizimistas. Quem entra nesses maracanãs da fé costuma achar que ali é a sucursal do Céu, pois tudo é grande, os projetos são ousados, o lance é arrebentar o inferno, mergulhar no oceano do Espírito, ter um grupo de louvor (ou mais de um) com CD gravado, um coral de 300 vozes (por que não 500?), grupo de dança, teatro, evangelismo e vamos que vamos! Só que, para mim, Deus não está nem aí para esse tipo de igreja. E explico por que.
O Senhor não suporta arrogância e orgulho. A Biblia diz que “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes” (Tg 4.6; 1 Pe 5.5). e que “Os arrogantes não são aceitos na tua presença” (Sl 5.5); “O Senhor preserva os fiéis, mas aos arrogantes dá o que merecem” (Sl 31.23); “Embora esteja nas alturas, o Senhor olha para os humildes, e de longe reconhece os arrogantes” (Sl 138.6).
A Bíblia deixa claro que humildade é uma das características que o Criador mais preza nas suas criaturas. Pois demonstra que elas sabem quem são diante da grandeza do Rei e que têm compreensão de sua natureza: pó. Ocorre que, se você observar com muita atenção, na grande maioria das vezes, líderes e outras pessoas ligadas aos diferentes ministérios dessas megamáquinas da fé são pessoas extremamente arrogantes. Se acham especiais – afinal, Deus as ” abençoou” com tamanho, com quantidade.
Já tive a oportunidade de observar às vezes simples líderes de juventude de megaigrejas se comportarem como os manda-chuvas do pedaço, exigindo tratamento diferenciado, destratando pessoas. Arrogância pura. Causada por o quê? Pelo pensamento equivocado de que “se Deus me pôs à frente de um trabalho tão grandioso, com tantas pessoas sob meu comando, eu devo ser algo especial”. Ao que a Biblia responde: “O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda” (Pv 16.18).
Quem conhece os bastidores desses Taj Mahals da fé sabe ainda que muitas vezes há pecados relacionados a dinheiro nas coxias dessas megaestruturas. Em impérios eclesiásticos, os olhos crescem. A concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida inundam corações outrora puros. Que me perdoem os Mike Murdocks e os Morris Cerullo da vida, mas ter muito dinheiro à mão, acredite, é uma desgraça para o cristão. Pois ele perde o senso de dependência de Deus, torna-se abusador, gasta mais do que precisa, esbanja. O cofre da igreja torna-se acessível a qualquer momento e como “o líder merece, afinal rala tanto por aquela igreja”, sente-se à vontade para sacar, alem de seu justo salário, quanto e quando quiser daquela conta corrente descontrolada. E sem meias-palavras? Isso é pecado.
É pecado pois esse dinheiro não pertence ao líder, mas a Deus. E deve ser investido nas coisas de Deus e não em benefícios para o líder e sua vida pessoal. Entenda isso: o líder de uma igreja é servo. E um servo não é dono da casa de seu senhor. Muito menos do dinheiro dele. Os que lançam mão daquilo que não é seu… bem, precisa dizer o nome que se dá a isso?
Essas megaigrejas se tornam fábricas de ex-bons cristãos: homens e mulheres de Deus que começaram suas caminhadas de fé de joelhos e na simplicidade mas que acabam se corrompendo. Se formos pensar apenas nessas igrejas que se destacam porque fazem música que ganha fama, lançam CDs e DVDs e vão a programas de auditório na TV, veremos pequenos servos de Deus que viraram artistas profissionais gospel movidos a cachê, a glamour, que passaram a amar dar autógrafos. Alisam ou arrepiam os cabelos, usam roupas moderninhas e “ministram” com uma estética que me lembra Elvis Presley Aliás, voltando um pouco atrás… que piada: cristãos que amam dar autógrafos. Tive que rir desse pensamento.
Mas o pior mesmo são os pastores que se perdem pelo meio do caminho. Pregadores que antes eram devotados a Cristo, homens de joelhos calejados e olhos marejados, homens de Deus humildes e simples que tornam-se vaidosos porque suas igrejas viraram arranha-céus da fé. Refratários a críticas. Acham que o seu jeito é o jeito certo pois, afinal, suas igrejas estao cheias e são enormes e se esquecem de que a quem muito foi dado muito será cobrado. Organizam eventos faraônicos. Compram canais de TV. E quando menos se espera deixarm de se preocupar com oração, jejum e vigílias para se devotar a empréstimos em bancos, asinaturas de documentos e negociatas com políticos.
Começa então a prostituição. O desejo por ter sempre mais leva muitos dos líderes desses palácios eclesiásticos a buscar qualquer forma de associação que lhes permita ganhar mais e mais. Associam-se ao poder político. Entram na maçonaria. Assinam contratos com gravadoras seculares. Fecham acordos com emissoras de TV pagãs. Quando nos damos conta, o monstro está tão grande que se torna uma besta descontrolada – e lá no meio, perdido em algum canto obscuro, empoeirado e esquecido, fica um tal de Jesus de Nazaré, olhando em volta e tentando dizer “ei… alguem aí se lembra de mim?”.
É por isso que acredito piamente que Deus não está nem aí para esse tipo de igreja. Que Deus ignora megaestruturas. Ignora megaeventos. Há mesquitas muçulmanas enormes. Templos budistas palacianos. Centros de umbanda que ocupam quarteirões inteiros. Grande coisa. Para o Senhor, pés-direitos altos são irrelevantes. Grandes torres, muitos bancos, milhões de decibeis de uma aparelhagem de som importada… tudo lixo no Reino de Deus. E imagino Jesus se perguntando “pra que isso tudo mesmo”? Ah sim, tem a questão da vaidade…
Nem toda megaigreja vira uma fria mansão vazia de espiritualidade. Nem todo líder de um palácio da fé se corrompe. Mas a experiência mostra que isso só acontece com poucos. Pois o ser humano se impressiona com tamanhos e grandes números. Isso é inegável. E tamanhos e números são um convite à vaidade. E a vaidade é o caminho mais curto para a ruína de uma alma.
Igrejas não precisam ser cheias. Precisam ser Igreja. Cristo não precisa de um megaevento por ano em palcos suntuosos, mas de pequenos cultos semanais em igrejinhas onde haja corações derramados. Os poucos membros têm de ser fieis. Têm de cumprir o que na raiz significa “Igreja”: ser eclésia, os chamados para fora do mundo, do pecado, de uma vida de vaidades, orgulho, arrogância e outros pecados fáceis de converter corações puros em soberbos. Jesus quer pessoas bem discipuladas, Ele disse isso em Mt 28.19, quando falou “vão e façam discípulos”. E você acha que Ele estava se referindo a quê? Jesus não disse “vão e encham igrejas”, ou “vão e criem monstros da fé que se achem acima do bem e do mal”. Jesus quer igrejas com homens e mulheres de Deus que entregariam seus peitos à espada e os pescoços aos leões alegremente para não negar Cristo. Só. Pois esse ato já diria tudo
.
Assinar:
Postagens (Atom)


