domingo, 10 de abril de 2011

Esconde – esconde


-Onde está você?
-Por que se escondeu?
Imagine essas palavras sendo pronunciadas pelo próprio Deus. Imagine Ele chamando por Adão no Jardim do Éden, logo depois que ele e Eva pecaram.
“Mas o Deus Eterno chamou o homem e perguntou: -Onde é que você está? O homem respondeu: -Eu ouvi a tua voz, quando estavas passeando pelo jardim, e fiquei com medo porque estava nu. Por isso me escondi.” Gênesis 3: 9 e 10
Adão e Eva haviam pecado. E porque tomaram consciência disso, se esconderam. Eles sentiram vergonha por estarem nus. O que antes era uma coisa natural e pura, agora era algo vergonhoso. O que fez eles se sentirem assim? PECADO.
O pecado faz com que você se sinta impuro. Faz com que você tenha medo.
E qual é a sua atitude?
Se esconder e tentar se tapar com folhas de figueira, como Adão e Eva fizeram.
“Nesse momento os olhos dos dois se abriram, e eles perceberam que estavam nus. Então costuraram umas folhas de figueira para usarem como tangas” Gênesis 6: 7
As coisas na nossa vida não são diferentes.
Quando pecamos e sabemos disso, nos escondemos com medo. E tentamos nos tapar com folhas, que são nossas desculpas. Tentamos nos esconder atrás de folhas, que teoricamente, nos esconderiam de Deus. Essas folhas (desculpas) pensamos que seriam capazes de nos esconder dos olhos do Senhor.
Mas, será que Deus não sabia onde Adão e Eva estavam, que chamou por Eles?
É claro que Ele sabia. Estamos falando de um Deus onisciente e onipresente.
“Os olhos do Senhor estão em todo lugar” Provérbios 15:3
Se Deus sabia onde eles estavam, porque Ele chamou por eles então?
Porque ele queria ouvir da boca deles o arrependimento.
NÓS gostamos de brincar de esconde-esconde com Ele, pensando que Ele demorará para nos encontrar. Nós gostamos de pecar e de nos esconder. Pensamos que Ele não vai nos achar. Pensamos que estamos tão bem escondidos no meio de nossas folhas de figueira, que Ele não vai nos ver.

Mas Deus não gosta de brincar de esconde-esconde. Porque, pra Ele, não tem graça. Ele está em TODOS os lugares, e sempre sabe onde você está! Ele sempre vai te achar!
“Aonde posso ir a fim de escapar do teu Espírito? Para onde posso fugir da tua presença?  Se eu subir ao céu, tu lá estás; se descer ao mundo dos mortos, lá estás também.  Se eu voar para o Oriente ou for viver nos lugares mais distantes do Ocidente,  ainda ali a tua mão me guia, ainda ali tu me ajudas.  Eu poderia pedir que a escuridão me escondesse e que em volta de mim a luz virasse noite;  mas isso não adiantaria nada porque para ti a escuridão não é escura, e a noite é tão clara como o dia. Tu não fazes diferença entre a luz e a escuridão.” Salmos 139: 7-12
Mas uma coisa muito legal sobre Deus, é que se você brincar de esconde-esconde com Ele, Ele vai fazer questão de te achar e ainda vai te receber de braços abertos.
Agora, pare por um minuto para ouvir a voz de Deus… será que Ele não está chamando o seu nome?
-Onde está você?
- Por que se escondeu?
Com amor
Escrito por Pati Geiger

Como funciona a santificação? – John MacArthur



A palavra santificar nas Escrituras vem de palavras gregas e hebraicas que significam "separar". Ser santificado é ser separado do pecado. Na conversão, todos os crentes são libertos da escravidão do pecado, libertos do cativeiro do pecado — separados para Deus, ou santificados. No entanto, nesse momento, o processo de separação do pecado apenas teve seu início. ( Conforme crescemos em Cristo, nos tornamos mais separados do pecado e mais consagrados a Deus. Assim, a santificação que ocorre na conversão apenas inicia um processo, que dura toda a vida, pelo qual somos separados mais e mais do pecado e moldados em conformidade com Cristo — separados do pecado e separados para Deus.

Cristãos no processo de amadurecimento nunca transformam-se em pessoas que se autojustificam, presunçosas ou satisfeitas com seu progresso. Não buscam a auto-estima, mas em vez disso procuram trabalhar com seu pecado. E quanto mais nos tornamos semelhantes a Cristo, mais sensíveis ficamos aos vestígios corruptos da carne. Quando amadurecemos na santidade, nosso pecado se torna mais doloroso e mais óbvio a nós mesmos. Quanto mais rejeitamos nosso pecado, mais percebemos as tendências pecaminosas que ainda precisam ser abandonadas. Este é o paradoxo da santificação: quanto mais santos nos tornamos, mais frustrados ficamos pelos restos resistentes do nosso pecado. O apóstolo Paulo descreve nitidamente sua própria angústia sobre esta realidade em Romanos 7. 21-24:

Então, ao querer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra iei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?

Romanos 7 apresenta muitos desafios difíceis aos intérpretes da Bíblia, mas certamente a questão mais difícil de todas é como é que Paulo pôde dizer essas coisas após ter escrito no capítulo 6: " Foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; porquanto quem morreu está justificado do pecado" (Rm 6.6,7).

Essas são verdades vitais para o cristão entender. Elas detêm a fórmula para um andar espiritual saudável e dão um discernimento prático de como deveríamos batalhar contra o pecado em nossa vida.A fim de entendê-las melhor devemos voltar a Romanos 6. De acordo com o Dr. Warfield, Romanos 6 "foi escrito com o único propósito de afirmar e demonstrar que justificação e santificação estão indissoluvelmente ligadas". Ou, na imaginação de Paulo, o morrer com Cristo (justificação) e o viver com Cristo (santificação) são ambos resultados necessários da verdadeira fé. Aqueles que acham que a graça trata a santidade como opcional estão tragicamente enganados. Aqueles que acham que experimentaram toda a santificação que precisavam estão igualmente iludidos. Aqueles que acham que a auto-estima é mais importante que a santidade estão cegos para verdade. Se conhecêssemos os princípios de Deus para trabalhar com o pecado, deveríamos compreender que isso é uma luta de vida e morte, até o final. Contentar-se com bons sentimentos a respeito de si mesmo é contentar-se com o pecado.

Tome a Cruz - C. H. Spurgeon



Puseram-lhe a cruz sobre os ombros, para que a levasse após Jesus - 

Lucas 23.26





Fonte: http://www.charleshaddonspurgeon.com/

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Prepara-te Para te encontrares com Teu Deus - C. H. SPURGEON



Todas as árvore das florestas do mundo estão marcadas para o machado, portanto, não vamos construir nossos ninhos sobre elas. Em breve elas cairão sob as garras do tempo e da morte, e se nós construirmos nossos ninhos sobre elas e buscarmos nelas conforto, partilharemos de sua queda.


Caro leitos, não ponha o seu afeto nas coisas passageiras do tempo, antes disso, busque uma porção eterna e que continuará sendo tua quando o sol e a lua se escurecerem. Jesus o Filho de Deus, salva todos aqueles que confiam suas vidas em suas mãos. Sua morte na cruz fez uma grande e perfeita expiação pelos pecados de todos aqueles que crêem em seu nome. Se você nunca olhou para ele para ter vida e perdão, olhe agora. Não te detenhas, pois o tempo é curto.

Em minhas meditações solitárias, ouvi uma voz, como que falando em nome do Senhor. Inclinei a cabeça pra receber a mensagem e a voz disse, “Clame”, e eu respondi: “Que hei de clamar?” A reposta chegou a mim como a Isaías há muito tempo atrás: “Toda a carne é erva e toda a sua beleza como a flor do campo.Seca-se a erva, e cai a flor, soprando nela o Espírito do SENHOR. Na verdade o povo é erva”.(Is 40.6,7).

Então eu pensei ver diante de mim uma campina imensa e larga que alcançava grande distância, e era como um arco-íris com suas diversas cores, com flores de verão em grande beleza. Mas no meio dela eu vi um ceifador de aspecto sombrio e cruel, que com uma foice viva e brilhante, estava limpando trechos enormes do campo cada vez que passava a foice, com as flores murchando em grandes montes.

Ele avançou grandemente deixando grande desolação atrás dele, e então eu entendi que seu nome era Morte. Enquanto eu olhava fui tomado pelo medo por minha casa e meus filhos, por meus parentes e conhecidos, e por mim também; pois o ceifador se aproximava mais e mais, e com ele veio uma voz que eu ouvia como se fosse uma trombeta que falava ao meu ouvido e eu acredito que ao teu também – “Prepara-te para te encontrares com teu Deus”
Fonte: http://www.blogger.com/

Você ama a Deus?



Por  Pr. Jorge Linhares


“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” Ref: Romanos 8.28.


Você ama a Deus?
Dentro desse texto, uma coisa é certa, ou amamos a Deus, ou não amamos. Talvez você esteja passando por uma grande luta na sua empresa, no seu namoro, no noivado, casamento, mas se você ama a Deus, tenha a certeza que Deus está no controle da situação.

Em situações difíceis diga:“Senhor sei que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e eu te amo, por isso já te louvo pela vitória que o Senhor tem pra mim.”

Existem pessoas passando por grandes lutas. Eu tinha o costume de atender os irmãos antes do culto e percebi que poderia orientá-las a colocar os pedidos de oração na arca, também as convidei a compartilhar seus problemas no altar, e aconteceu que subiu uma pessoa que havia perdido sua filha - a mesma havia se suicidado.

Depois do relato dessa mulher, os outros irmãos não quiseram subir para relatar o que estavam passando, porque perceberam quão grande era o problema daquela mulher e que diante disso o problema deles era mínimo.

Muitas vezes pensamos que temos problemas, mas se pararmos para assistir a televisão veremos como existem pessoas sofrendo com problemas terríveis. Muitos vivem uma vida de sofrimento, de dor. Você já foi visitar uma pessoa no hospital de loucos?

Existem pessoas perdendo a vista, morrendo nas estradas, recebendo diagnósticos terríveis... São problemas verdadeiramente reais.

Não seja apenas um expectador da dor alheia, conscientize-se, interceda se estiver ao seu alcance estenda a mão e entenda que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, ainda que o problema que você esteja passando, esteja lhe incomodando.

Já percebeu que Deus tem cuidado da sua família? O ladrão não entrou na sua casa, ninguém que você conhece foi abusado (a), nem seqüestrado...

Quantos livramentos o Senhor efetuou na sua vida? Pare de murmurar, existem pessoas verdadeiramente sofrendo.

Os problemas que passarmos, serve para nos aproximar mais do Senhor. Não se desespere diante das lutas que aparecem, porque você não sabe o dia de amanhã. O que você está enfrentando em breve passará.

Jó era um homem temente a Deus e que se desviava do mal, porém seus filhos davam-se a bebedeiras e festas e por eles Jó fazia sacrifícios.

Um dia, satanás quis colocar uma prova na vida dele e o Senhor permitiu essa luta. Ele perdeu seus 10 filhos, sua fazenda pegou fogo, e uma chuva de pedras matou todo o seu rebanho.

Ele adoeceu, sua esposa ficou desolada, triste , ele não entendia nada do que estava acontecendo, mas disse: eu sei que meu redentor vive, aleluia! A Palavra de Deus diz que quando Jó orou por seus amigos, sua sorte foi restaurada, e lhe foi restituído tudo em dobro.

Ele teve mais 9 filhos e seu casamento e finanças foram restaurados.

Muitas vezes não entendemos porque algumas coisas acontecem e para isso Jesus nos deixou uma solução: “não andeis ansiosos por coisa alguma. Basta cada dia o seu mal.“

Se amarmos e servirmos a Deus, estaremos escondidos n’Ele. O Senhor é a nossa defesa, o nosso escudo, e debaixo das asas d’Ele estamos seguros. Lembre-se: "Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que ama a Deus e que andam segundo o seu próposito."

Fonte: http://www.guiame.com.br/

domingo, 3 de abril de 2011

Para que serve a igreja?



Por  Pastor Jonas Neves

Há inúmeras opiniões sobre este tema: A Bíblia - e ninguém mais - tem a resposta para essa pergunta. A Igreja é criação do Deus da Bíblia Sagrada. É Ele quem diz para que a criou.
Desde o princípio, o Criador tem tomado providências para que o homem O conheça e tenha relacionamento espiritual com Ele. A igreja é a Sua última ação para tornar-Se conhecido, até mesmo, dos anjos, que também são seres criados: “Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais” (Efésios 3:10).
Deus enviou o Seu Filho ao mundo e Ele afirmou: “... Eu edificarei a minha Igreja...”. É d’Ele e de ninguém mais. O escritor aos Hebreus assegura: “Havendo Deus, outrora, falado de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho...”. Jesus é esse Filho de Deus. Ele viveu entre nós e treinou os Seus discípulos para que fossem igreja de acordo com a natureza, o poder e o propósito estabelecido por Ele. Toda a pregação, ensino, milagres, sinais e maravilhas que Jesus realizou era um trabalho divino para a transformação daqueles homens, a fim de prepará-los como fundamento da igreja.
Depois de mais de três anos de ministério terreno, por meio de Sua morte, Jesus selou a Nova Aliança com os Seus, anulando a Antiga Aliança, e transformando os que creem n’Ele em membros do “Corpo de Cristo” (Efésios 1:22,23 e Hebreus 9:15-17). “Corpo” significa o meio pelo qual o Cabeça, Jesus, Se manifesta na Terra. Assim, o Senhor está afirmando que pela igreja Ele Se revela ao mundo
Após Sua ressurreição, Jesus derramou o Espírito Santo sobre os discípulos, cobrindo-os com a vida e o poder da Nova Aliança. A era da Igreja é inaugurada. Esse é o mesmo Espírito no qual são selados os que recebem a Jesus pela fé (Efésios 1.13,14) e por meio do Qual o crente pode realizar as mesmas obras que Jesus realizou (Marcos 16.17,18). “A Igreja é a família espiritual de Deus, uma comunidade criada pelo Espírito Santo, baseada na obra expiatória de Cristo”. Cristo é o Dono, o Senhor da Igreja. Ele criou a Igreja com três propósitos específicos:

1º. Adorar a Deus- Paulo lembra que fomos criados “para o louvor da Sua glória” (Efésios 1). João registra as seguintes palavras de Jesus: Vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade; porque são os que o Pai procura para Seus adoradores. Deus é Espírito e importa que os Seus adoradores O adorem em espírito e em verdade (Jo 4.23,24). “A principal e mais elevada finalidade do homem consiste em glorificar a Deus e desfrutar d’Ele para sempre – (Catecismo de Westminster). Todos, sem exceção, de alguma forma adoramos a alguém ou a algo. O Eterno Criador busca que O adoremos. E só a Ele: “Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a Ele darás culto” (Mateus 4.10).

2º. Evangelizar – Jesus veio para buscar e salvar o perdido. E enviou a igreja para fazer o mesmo. Está escrito: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” – Mateus 28.19,20. “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer, será condenado” – Marcos 16.15,16. Pregar é proclamar, anunciar, testemunhar. Discipular é acolher, ensinar, educar, nutrir, indicar o Caminho. Evangelizar e discipular é ORDEM do Senhor aos que Lhe pertencem.

3º. Edificar – Evangelizar é o trabalho de conquista de vidas para Jesus feito pelos Seus adoradores, cujo coração está inteiramente voltado para Deus. Edificar é nutrir o crente até que ele se torne semelhante a Jesus. O objetivo é que, pela ação do Espírito Santo, a vida e o caráter de Jesus Cristo sejam implantados no convertido, e que o seu comportamento manifeste a presença e o poder do Reino de Deus na Terra.
Fica clara a importância da igreja para Deus e também para a raça humana que por Ele foi criada. Como resultado do seu relacionamento com o Senhor, ela santifica as suas relações com os homens e lhes transmite o conhecimento do Criador.
A igreja deve se empenhar em tudo o que puder ser feito, para que seus objetivos se concretizem. Mas, também deve fugir de tudo o que prejudica as principais finalidades da sua existência.
Essa é a nossa fé. Por ela a Igreja Batista do Povo tem se empenhado nestes seus 30 anos de existência. Por essa fé também viveremos todos os nossos dias.

A Bíblia Nos Promete Uma Vida de Prazeres?


A Bíblia Nos Promete Uma Vida de Prazeres?

Quando Saulo tornou-se Paulo, uma voz divina anunciou: “Vou lhe mostrar como você poderá gozar muito melhor a sua vida!” Será que é o que realmente está escrito na Bíblia? Pelo contrário, lemos: “Eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome” (At 9.16).Foi o que Deus disse a Ananias acerca de Paulo. Portanto, foi quase o oposto do que muitos entendem hoje por vida cristã.

Prazer e sofrimento

O Novo Testamento está permeado pelo tom do sofrimento, e é justamente isso que não agrada à nossa velha natureza, que adora cuidar bem de sua carne e de gozar a vida. Paulo e Barnabé, por exemplo, exortaram os discípulos “a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (At 14.22).
Paulo, o apóstolo dos gentios, lembra a Timóteo, seu discípulo mais fiel, que “todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3.12).
Isso não soa como uma vida de prazeres e de riqueza abundante, como tanto se apregoa hoje em dia. Temos inclusive uma carta inteira no Novo Testamento que se ocupa com o tema do sofrimento: a Primeira Epístola de Pedro. Ele explica que a fé é provada e aprovada através do sofrimento (1 Pe 1.6-7). Portanto, em completa oposição à sociedade caracterizada pelo entretenimento e ao cristianismo que confunde discipulado com diversão e festa. Aos crentes da Ásia Menor, Cristo é apresentado como exemplo naquilo que sofreu, para que sigamos os Seus passos (1 Pe 2.21).
Será que não acabamos literalmente criando um outro evangelho, um evangelho de bem-estar, que afaga o ego e o velho Adão?

Jesus e o sofrimento

A Carta aos Hebreus menciona, inclusive, que nosso Senhor, “embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hb 5.8). Se isso foi válido para o Filho de Deus, quanto mais vale para nós! O servo, como se sabe, não está acima de seu Mestre.
Pedro diz ainda mais: “Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento; pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado, para que, no tempo que vos resta na carne, já não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus” (1 Pe 4.1-2).

Tema recorrente

Sofrimento e não prazer ou bênçãos materiais é o tema recorrente nas cartas dos apóstolos. Paulo chega a dizer: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele” (Fp 1.29). De forma semelhante, Pedro admoesta em sua carta:“Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando” (1 Pe 4.12-13).
A fé é provada e aprovada através do sofrimento.
Será que isso ainda é proclamado em nossa sociedade de consumo, que já chega a “celebrar” o discipulado e a vida cristã? Será que frases tão negativas não deveriam ser sumariamente riscadas da Bíblia? Não acabamos literalmente criando um outro evangelho, um evangelho de bem-estar, que afaga o ego e o velho Adão?

Sem rodeios

Aos coríntios, que igualmente estavam em perigo de exercer poder e “domínio”, Paulo escreve sem rodeios: “Já estais fartos, já estais ricos; chegastes a reinar sem nós; sim, tomara reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco. Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens. Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo; nós, fracos, e vós, fortes; vós, nobres, e nós, desprezíveis. Até à presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa, e nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos” (1 Co 4.8-13).
Isso soa como prazer, sucesso, conforto e prosperidade? É quase o oposto de tudo aquilo que hoje nos é apresentado simuladamente pelos “evangelistas da prosperidade” como se fosse o Evangelho de Cristo.

Negativo e derrotista?

Para que minhas palavras não sejam interpretadas como uma defesa do sofrimento e uma declaração de derrotismo cristão, devo mencionar que Deus deseja que “vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito” (1 Tm 2.2). Na mesma Carta a Timóteo está escrito: “Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento” (1 Tm 6.17).
O Senhor nos promete, sim, uma vida abundante (Jo 10.10), porque para os cristãos as questões primárias da culpa e do sentido da vida já estão resolvidas.
Somos gratos por toda a paz e pelo bem-estar que a graça de Deus tem nos concedido no mundo ocidental por um tempo admiravelmente longo. Mas fazer dessa realidade um evangelho é, brandamente falando, contradizer o espírito do Novo Testamento. O Senhor nos promete, sim, uma vida abundante (Jo 10.10), porque para os cristãos as questões primárias da culpa e do sentido da vida já estão resolvidas. Em obediência a Deus, o discípulo de Jesus pode ter, sim, muita alegria, alegria plena (1 Jo 1.4). Mas essa alegria é em primeiro lugar espiritual e não está, necessariamente, refletida no nível material.

Movido pela alegria

Quando Paulo ditou sua carta “movida pela alegria” aos filipenses exortando os crentes a “alegrar-se sempre” (Fp 4.4), ele próprio encontrava-se algemado na prisão.

Discutindo com os super-apóstolos

Em suas discussões com pregadores “poderosos” e triunfalistas, que Paulo chama ironicamente de “sábios”, “fortes”, “nobres” (1 Co 4.10), ele se gloria de sua própria fraqueza (2 Co 12.9), especialmente porque esses falsos mestres se vangloriavam de seu grande poder e de sua própria autoridade. Eles também passavam a idéia de que apenas através deles o mundo daquela época fora alcançado com um evangelho “poderoso” e “pleno” (2 Co 10.12-16). Paulo contrapõe a esses falsos apóstolos e obreiros fraudulentos, como também os chama, a extensa lista de seus próprios sofrimentos (2 Co 11.22-23), provando que ele era um apóstolo legítimo.
Isso ainda é pregado atualmente? Isso ainda é proclamado nos programas cristãos de televisão? Os apóstolos residiam em belas casas e lá ditavam suas cartas? A visão mais profunda dos mistérios do tempo da graça é fornecida por Paulo nas cartas aos efésios e aos colossenses, que ele escreveu quando se encontrava encarcerado. Em seu discurso de despedida em Mileto ele disse: “o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações” (At 20.23). Isso não soa como a expectativa por eventos especialmente prazerosos.

Vida de prazeres?

Humildade, lágrimas, provações, ciladas, cadeias e tribulações, de fato, uma vida “de prazeres”! Mesmo quando Paulo suplicou por uma vida física mais ou menos normal, sem o espinho na carne, seu pedido não foi atendido. Será que ele não deveria ter enfrentado essa limitação física com visualização ou pensamento positivo? Esse homem de Deus podia dizer de si mesmo: “...pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo” (2 Co 6.10). Devemos temer, com justiça, que muitos dos pregadores de sucesso de nossos dias literalmente invertem a ordem das coisas: “ricos, mas empobrecendo a muitos”.
Todo esse evangelho da prosperidade e do bem-estar é um cumprimento de 2 Timóteo 4.3, onde está escrito que os homens dos últimos dias cortejarão mestres por cujas palavras sentem coceira nos ouvidos, mestres que os agradem. Muitos gostariam de ouvir que Deus quer nos fazer grandes, ricos, saudáveis e poderosos. Essa era a mensagem dos amigos de Jó, que não conseguiam entender que Jó enfrentava tanto sofrimento por se encontrar dentro da vontade de Deus.
Paulo explicou: que os “crentes” dos últimos dias não apenas serão “amantes de si mesmos” (2 Tm 3.2, Ed. Revista e Corrigida) mas “mais amigos dos prazeres (tradução literal da palavra grega “philedonos”) que amigos de Deus” (2 Tm 3.4).

Uma geração hedonista

Esta é a mensagem para uma geração hedonista, como Paulo explicou: que os “crentes” dos últimos dias não apenas serão “amantes de si mesmos” (2 Tm 3.2, Ed. Revista e Corrigida) mas “mais amigos dos prazeres (tradução literal da palavra grega “philedonos”) que amigos de Deus” (2 Tm 3.4).
Será que Jesus também ofereceu uma falsa fé? Ele disse à igreja de Esmirna:Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o Diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10).

O oposto do triunfalismo

Isso é totalmente oposto ao atual triunfalismo do evangelho da prosperidade. É monstruoso o que é tolerado e propagado na cristandade contemporânea. Esta geração ocidental literalmente criou um evangelho resumido e derivado de seu hedonismo, de sua amoldagem ao espírito da época, de sua loucura por saúde, bem-estar e entretenimento, de seu desejo por prazeres carnais e de sua auto-estima.

Pobre, miserável, cego e nu

Talvez a melhor caracterização da situação espiritual desses pregadores e adeptos do evangelho da prosperidade e do bem-estar seja a declaração de Jesus Cristo a uma igreja próspera e abastada, mal acostumada ao sucesso, a igreja de Laodicéia: “pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu” (Ap 3.17).


Fonte: http://www.chamada.com.br/