segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Seguindo a Deus de Perto – A. W. Tozer



“A minha alma apega-se a ti: a tua destra me ampara” (Sl 63:8.).


O evangelho nos ensina a doutrina da graça preveniente, que significa simplesmente que, antes de um homem poder buscar a Deus, Deus tem que buscá-lo primeiro.
Para que o pecador tenha uma idéia correta a respeito de Deus, deve receber antes um toque esclarecedor em seu íntimo; que, mesmo que seja imperfeito, não deixa de ser verdadeiro, e é o que desperta nele essa fome espiritual que o leva à oração e à busca.
Procuramos a Deus porque, e somente porque, Ele primeiramente colocou em nós o anseio que nos lança nessa busca. “Ninguém pode vir a mim”, disse o Senhor Jesus, “se o Pai que me enviou não o trouxer” (Jo 6:44), e é justamente através desse trazer preveniente, que Deus tira de nós todo vestígio de mérito pelo ato de nos achegarmos a Ele. O impulso de buscar a Deus origina-se em Deus, mas a realização do impulso depende de O seguirmos de todo o coração. E durante todo o tempo em que O buscamos, já estamos em Sua mão: “... o Senhor o segura pela mão” (Sl 37:24.).
Nesse “amparo” divino e no ato humano de “apegar-se” não há contradição. Tudo provém de Deus, pois, segundo afirma Von Hügel, Deus é sempre a causa primeira. Na prática, entretanto (isto é, quando a operação prévia de Deus se combina com uma reação positiva do homem), cabe ao homem a iniciativa de buscar a Deus. De nossa parte deve haver uma participação positiva, para que essa atração divina possa produzir resultados em termos de uma experiência pessoal com Deus. Isso transparece na calorosa linguagem que expressa o sentimento pessoal do salmista no Salmo 42: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando irei e me verei perante a face de Deus?” E um apelo que parte do mais profundo da alma, e qualquer coração anelante pode muito bem entendê-lo.
A doutrina da justificação pela fé — uma verdade bíblica, e uma bênção que nos liberta do legalismo estéril e de um inútil esforço próprio — em nosso tempo tem-se degenerado bastante, e muitos lhe dão uma interpretação que acaba se constituindo um obstáculo para que o homem chegue a um conhecimento verdadeiro de Deus. O milagre do novo nascimento está sendo entendido como um processo mecânico e sem vida. Parece que o exercício da fé já não abala a estrutura moral do homem, nem modifica a sua velha natureza. É como se ele pudesse aceitar a Cristo sem que, em seu coração, surgisse um genuíno amor pelo Salvador. Contudo, o homem que não tem fome nem sede de Deus pode estar salvo? No entanto, é exatamente nesse sentido que ele é orientado: conformar-se com uma transformação apenas superficial.
Os cientistas modernos perderam Deus de vista, em meio às maravilhas da criação; nós, os crentes, corremos o perigo de perdermos Deus de vista em meio às maravilhas da Sua Palavra. Andamos quase inteiramente esquecidos de que Deus é uma pessoa, e que, por isso, devemos cultivar nossa comunhão com Ele como cultivamos nosso companheirismo com qualquer outra pessoa. É parte inerente de nossa personalidade conhecer outras personalidades, mas ninguém pode chegar a um conhecimento pleno de outrem através de um encontro apenas. Somente após uma prolongada e afetuosa convivência é que dois seres podem avaliar mutuamente sua capacidade total.
Todo contato social entre os seres humanos consiste de um reconhecimento de uma personalidade para com outra, e varia desde um esbarrão casual entre dois homens, até a comunhão mais íntima de que é capaz a alma humana. O sentimento religioso consiste, em sua essência, numa reação favorável das personalidades criadas, para com a Personalidade Criadora, Deus. “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste".
Deus é uma pessoa, e nas profundezas de Sua poderosa natureza Ele pensa, deseja, tem gozo, sente, ama, quer e sofre, como qualquer outra pessoa. Em seu relacionamento conosco, Ele se mantém fiel a esse padrão de comportamento da personalidade. Ele se comunica conosco por meio de nossa mente, vontade e emoções.
O cerne da mensagem do Novo Testamento é a comunhão entre Deus e a alma remida, manifestada em um livre e constante intercâmbio de amor e pensamento.
Esse intercâmbio, entre Deus e a alma, pode ser constatado pela percepção consciente do crente. É uma experiência pessoal, isto é, não vem através da igreja, como Corpo, mas precisa ser vivida, por cada membro. Depois, em conseqüência dele, todo o Corpo será abençoado. E é uma experiência consciente: isto é, não se situa no campo do subconsciente, nem ocorre sem a participação da alma (como, por exemplo, segundo alguns imaginam, se dá com o batismo infantil), mas é perfeitamente perceptível, de modo que o homem pode “conhecer” essa experiência, assim como pode conhecer qualquer outro fato experimental.
Nós somos em miniatura, (excetuando os nossos pecados) aquilo que Deus é em forma infinita. Tendo sido feitos a Sua imagem, temos dentro de nós a capacidade de conhecê-lO. Enquanto em pecado, falta-nos tão-somente o poder. Mas, a partir do momento em que o Espírito nos revivifica, dando-nos uma vida regenerada, todo o nosso ser passa a gozar de afinidade com Deus, mostrando-se exultante e grato. Isso é este nascer do Espírito sem o qual não podemos ver o reino de Deus. Entretanto, isso não é o fim, mas apenas o começo, pois é a partir daí que o nosso coração inicia o glorioso caminho da busca, que consiste em penetrar nas infinitas riquezas de Deus. Posso dizer que começamos neste ponto, mas digo também que homem nenhum já chegou ao final dessa exploração, pois os mistérios da Trindade são tão grandes e insondáveis que não têm limite nem fim.
Encontrar-se com o Senhor, e mesmo assim continuar a buscá-lO, é o paradoxo da alma que ama a Deus. É um sentimento desconhecido daqueles que se satisfazem com pouco, mas comprovado na experiência de alguns filhos de Deus que têm o coração abrasado. Se examinarmos a vida de grandes homens e mulheres de Deus, do passado, logo sentiremos o calor com que buscavam ao Senhor. Choravam por Ele, oravam, lutavam e buscavam-nO dia e noite, a tempo e fora do tempo, e, ao encontrá-lO, a comunhão parecia mais doce, após a longa busca. Moisés usou o fato de que conhecia a Deus como argumento para conhecê-lO ainda melhor. “Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o Teu caminho, para que eu Te conheça, e ache graça aos Teus olhos” (Ex 33:13). E, partindo daí, fez um pedido ainda mais ousado: “Rogo-te que me mostres a tua glória” (Ex 33:18). Deus ficou verdadeiramente alegre com essa demonstração de ardor e, no dia seguinte, chamou Moisés ao monte, e ali, em solene cortejo, fez toda a Sua glória passar diante dele.
A vida de Davi foi uma contínua ânsia espiritual. Em todos os seus salmos ecoa o clamor de uma alma anelante, seguido pelo brado de regozijo daquele que é atendido. Paulo confessou que a mola-mestra de sua vida era o seu intenso desejo de conhecer a Cristo mais e mais. “Para O conhecer” (Fp 3:10), era o objetivo de seu viver, e para alcançar isso, sacrificou todas as outras coisas. “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus meu Senhor: por amor do qual perdi todas as cousas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Fp 3:8).
Muitos hinos evangélicos revelam este anelo da alma por Deus, embora a pessoa que canta, já saiba que o encontrou. Há apenas uma geração, nossos antepassados cantavam o hino que dizia: “Verei e seguirei o Seu caminho”; hoje não o ouvimos mais entre os cristãos. É uma tragédia que, nesta época de trevas, deixemos só para os pastores e líderes a busca de uma comunhão mais íntima com Deus. Agora, tudo se resume num ato inicial de “aceitar” a Cristo (a propósito, esta palavra não é encontrada na Bíblia), e daí por diante não se espera que o convertido almeje qualquer outra revelação de Deus para a sua alma. Estamos sendo confundidos por uma lógica espúria que argumenta que, se já encontramos o Senhor, não temos mais necessidade de buscá-lO. Esse conceito nos é apresentado como sendo o mais ortodoxo, e muitos não aceitariam a hipótese de que um crente instruído na Palavra pudesse crer de outra forma. Assim sendo, todas as palavras de testemunho da Igreja que significam adoração, busca e louvor, são friamente postas de lado. A doutrina que fala de uma experiência do coração, aceita pelo grande contingente dos santos que possuíam o bom perfume de Cristo, hoje é substituída por uma interpretação superficial das Escrituras, que sem dúvida soaria como muito estranha para Agostinho, Rutherford ou Brainerd.
Em meio a toda essa frieza existem ainda alguns — alegro-me em reconhecer — que jamais se contentarão com essa lógica superficial. Talvez até reconheçam a força do argumento, mas depois saem em lágrimas à procura de algum lugar isolado, a fim de orarem: “Ó Deus, mostra-me a tua glória”. Querem provar, ver com os olhos do íntimo, quão maravilhoso Deus é.
Ë meu propósito instilar nos leitores um anseio mais profundo pela presença de Deus. É justamente a ausência desse anseio que nos tem conduzido a esse baixo nível espiritual que presenciamos em nossos dias. Uma vida cristã estagnada e infrutífera é resultado da ausência de uma sede maior de comunhão com Deus. A complacência é inimigo mortal do crescimento cristão. Se não existir um desejo profundo de comunhão, não haverá manifestação de Cristo para o Seu povo. Ele espera que o procuremos. Infelizmente, no caso de muitos crentes, é em vão que essa espera se prolonga.
Cada época tem suas próprias características. Neste exato instante encontramo-nos em um período de grande complexidade religiosa. A simplicidade existente em Cristo raramente se acha entre nós. Em lugar disso, vêem-se apenas programas, métodos, organizações e um mundo de atividades animadas, que ocupam tempo e atenção, mas que jamais podem satisfazer à fome da alma. A superficialidade de nossas experiências íntimas, a forma vazia de nossa adoração, e aquela servil imitação do mundo, que caracterizam nossos métodos promocionais, tudo testifica que nós, em nossos dias, conhecemos a Deus apenas imperfeitamente, e que raramente experimentamos a Sua paz.
Se desejamos encontrar a Deus em meio a todas as exteriorizações religiosas, primeiramente temos que resolver buscá-Lo, e daí por diante prosseguir no caminho da simplicidade. Agora, como sempre o fez, Deus revela-Se aos pequeninos e se oculta daqueles que são sábios e prudentes aos seus próprios olhos. É mister que simplifiquemos nossa maneira de nos aproximar dEle. Urge que fiquemos tão-somente com o que é essencial (e felizmente, bem poucas coisas são essenciais). Devemos deixar de lado todo esforço para impressioná-lO e ir a Deus com a singeleza de coração da criança. Se agirmos dessa forma, Deus nos responderá sem demora.
Não importa o que a Igreja e as outras religiões digam. Na realidade, o que precisamos é de Deus mesmo. O hábito condenável de buscar “a Deus e” é que nos impede de encontrar ao Senhor na plenitude de Sua revelação. É no conectivo “e” que reside toda a nossa dificuldade. Se omitíssemos esse “e”, em breve acharíamos o Senhor e nEle encontraríamos aquilo por que intimamente sempre anelamos.
Não precisamos temer que, se visarmos tão-somente a comunhão com Deus, estejamos limitando nossa vida ou inibindo os impulsos naturais do coração. O oposto é que é verdade. Convém-nos perfeitamente fazer de Deus o nosso tudo, concentrando-nos nEle, e sacrificando tudo por causa dEle.
O autor do estranho e antigo clássico inglês, The Cloud of Unknowing (A nuvem do desconhecimento), dá-nos instruções de como conseguir isso. Diz ele: “Eleve seu coração a Deus num impulso de amor; busque a Ele, e não Suas bênçãos. Daí por diante, rejeite qualquer pensamento que não esteja relacionado com Deus. E assim não faça nada com sua própria capacidade, nem segundo a sua vontade, mas somente de acordo com Deus. Para Deus, esse é o mais agradável exercício espiritual”.
Em outro trecho, o mesmo autor recomenda que, em nossas orações, nos despojemos de todo o empecilho, até mesmo de nosso conhecimento teológico. “Pois lhe basta a intenção de dirigir-se a Deus, sem qualquer outro motivo além da pessoa dEle.” Não obstante, sob todos os seus pensamentos, aparece o alicerce firme da verdade neotestamentária, porquanto explica o autor que, ao referir-se a “ele”, tem em vista “Deus que o criou, resgatou, e que, em Sua graça, o chamou para aquilo que você agora é”. Este autor defende vigorosamente a simplicidade total: “Se desejamos ver a religião cristã resumida em uma única palavra, para assim compreendermos melhor o seu alcance, então tomemos uma palavra de uma sílaba ou duas. Quanto mais curta a palavra, melhor será, pois uma palavra menor está mais de acordo com a simplicidade que caracteriza toda a operação do Espírito. Tal palavra deve ser ou Deus ou Amor”.
Quando o Senhor dividiu a terra de Canaã entre as tribos de Israel, a de Levi não recebeu partilha alguma. Deus disse-lhe simplesmente: “Eu sou a tua porção e a tua herança no meio dos filhos de Israel” (Nm 18:20), e com essas palavras tornou-a mais rica que todas as suas tribos irmãs, mais rica que todos os reis e rajás que já viveram neste mundo. E em tudo isto transparece um princípio espiritual, um princípio que continua em vigor para todo sacerdote do Deus Altíssimo.
O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa — Deus — de maneira pura, legítima e eterna.
Ó Deus, tenho provado da Tua bondade, e se ela me satisfaz, também aumenta minha sede de experimentar ainda mais. Estou perfeitamente consciente de que necessito de mais graça. Envergonho-me de não possuir uma fome maior. Ó Deus, ó Deus trino, quero buscar-Te mais; quero buscar apenas a Ti; tenho sede de tornar-me mais sedento ainda. Mostra-me a Tua glória, rogo-Te, para que assim possa conhecer-Te verdadeiramente. Por Tua misericórdia, começa em meu íntimo uma nova operação de amor. Diz à minha alma: “Levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem” (Ct 2:10). E dá-me graça para que me levante e te siga, saindo deste vale escuro onde estou vagueando há tanto tempo. Em nome de Jesus. Amém.

A Experiência da Presença de Deus – M. Lloyd-Jones




. . .precisamos dar-nos conta de que estamos na presença de Deus. Que significa isso? Significa a percepção de algo de quem Deus é e do que Ele é. Antes de começar a proferir palavras, devemos sempre • proceder assim. Devemos dizer-nos a nós mesmos: «Estou entrando agora na sala de audiências daquele Deus,  o Todo-poderoso,   o  absoluto, o eterno e grande Deus, com todo o Seu poder, força e majestade, aquele Deus que é fogo consumidor, aquele Deus que é luz, e não há nele treva nenhuma, aquele perfeito, absoluto e Santo Deus. É isso que estou fazendo» . . . Mas, acima de tudo, nosso Senhor insiste em que devemos aperceber-nos de que, além de tudo aquilo, Ele é nosso Pai. . .

Oh, que compreendamos essa verdade! Se tão-somente entendêssemos que este Deus onipotente é nosso Pai mediante o Senhor Jesus Cristo! Se tão-somente compreendêssemos que . . .toda vez que oramos é como um filho dirigindo-se a seu pai! Ele sabe todas as coisas que nos dizem respeito; Ele conhece cada uma de nossas necessidades antes que Lhas contemos. . . Ele deseja abençoar-nos muitíssimo mais do que desejamos ser abençoados. Ele tem opinião formada a nosso respeito, Ele tem um plano e um programa para nós, Ele tem uma ambição a favor de nós, digo-o com reverência, uma inspiração que transcende o nosso mais elevado pensamento e imaginação. . .

Ele cuida de nós. Ele já contou os cabelos de nossa cabeça. Ele disse que nada nos pode suceder fora dEle. Depois, é preciso que lembremos o que Paulo declara tão gloriosamente em Efésios 3. Ele é «poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos,, ou pensamos».Esse é o verdadeiro conceito da oração, diz Cristo. Não se trata de ir fazer girar a roda de orações. Não basta contar as contas. Não diga: «Devo passar horas em oração; decidi-me a fazê-lo e tenho que fazê-lo» . . . Temos que despojar-nos dessa noção matemática da oração. O que devemos fazer, antes de tudo, é dar-nos conta de quem é Deus, do que Ele é, e de nossa relação com Ele.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

SEM CRUZ, NÃO HÁ MINISTÉRIO!




“Uma cruz santificada é melhor do que um conforto não santificado. A perda na misericórdia é melhor do que o deleite na ira. " (Samuel Bolton).

O ministério pastoral precisa ser encarado na dimensão do sofrimento. Afinal de contas, bebemos o cálice do Senhor e fomos batizados com o mesmo batismo que ele o foi, segundo texto de Marcos 10. Na realidade, sofremos por cumprimento expresso da vontade de Deus em nossas vidas, uma vez que não consigo mensurar um ministério que não tenha uma reserva de renúncia e sofrimento.

É inadmissível encararmos o conceito de um ministério (não apenas pastoral, mas toda e qualquer expressão de serviço no Reino de Deus) que não esteja antenado com aquilo que eu chamo de “escravidão sob as consciências alheias”. No texto clássico sobre esse assunto, o apóstolo Paulo escrevendo à complicada igreja de Corinto fez questão de informar-lhes que o ministério que ele desenvolveu entre eles foi como de alguém que está imbuído de uma “mordomia” (do grego oikonomos).

I Coríntios 9:16-17
16 - Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!
17 - E por isso, se o faço de boa mente, terei prêmio; mas, se de má vontade, apenas uma dispensação me é confiada.

Cabe aqui uma citação a guisa de comentário desses versos do reformador João Calvino: “O homem, uma vez chamado, deve pôr indelevelmente em sua cabeça que ele não é mais livre para retroceder, quando bem lhe convir, se porventura as frustrações arrebentarem seu coração, ou as tribulações o esmagarem; porquanto ele está dedicado ao Senhor e à Igreja, e se acha firmemente amarrado por um laço sagrado, o qual lhe seria pecaminoso desamarrar.”.

O ministério precisa dos melhores homens, já disse Spurgeon aos seus alunos, e esse é um fato incontestável! Não dá para conviver no ministério com gente fraca, ensimesmada e refém das novidades mercadológicas, sobretudo em contextos de “movimentos de crescimento de igrejas” onde a regra é fazer de tudo para agradar aos homens, e não a Deus. Para estes, o apóstolo Paulo mais uma vez deve ser citado:

Gálatas 1:10
10 - Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo.

Eu sonho com o tempo em que nossas denominações serão livres de obreiros interessados apenas em si mesmos, que ainda não passaram pelo teste do tempo maduro, e que, pelo contrário estão sempre em busca da supremacia do poder pela “meritocracia” e não pelos favores oriundos da Graça de Deus. Quem não passou ainda pela morte do seu eu na cruz não pode transitar pelos limites altos do sobrenatural, fica “patinando” aqui em baixo com um ministério puramente firmado em suas opiniões pessoais.

Em outras palavras, a minha tese a ser exposta é que, se o ministério pastoral ou eclesiástico no sentido mais abrangente da palavra não reunir homens e mulheres que não queiram “viver de brisa”, mas sim que se submetem a passar pela moenda do sofrimento, sem ignorar a verdade de que, mais cedo ou mais terá de encarar muitas “noites sombrias da alma”, onde na maioria das vezes estarão sozinhos, mas nunca desamparados, pois o Senhor não abandona os seus soldados feridos, e como diz uma música, ele não os deixa morrer!

PS. Esse artigo é uma homenagem aos verdadeiros pastores que eu conheci, sendo que os que mais me encantaram com o testemunho aguerrido foram os haitianos. O Haiti, embora seja o país mais miserável das Américas é o lugar onde eu vi o meu ministério pastoral sendo submetido a uma dura prova. Pois vi homens ali que não possuem formação alguma, não brigam por querelas teológicas, mas adotam dezenas de crianças abandonadas, e alguns mantém seus cultos em campos abertos, onde a palavra de Deus é pregada sem triunfalismos próprios da miserável “teologia da prosperidade”, mas sim pela emergência da cruz. Eu ouvi alguns dos pastores lá conversando, e a despeito do abismo linguístico eu percebi em seus semblantes, os mesmos semblantes de Daniel, Hananias, Mizael e Azarias, que tiveram seus “rostos melhores” por conta da decisão que colocaram no coração de não se contaminar com as iguarias reais. Tenho para mim, com tristeza que muitos dos pastores brasileiros já se venderam ao sistema, a ponto de o desejo de estarem diante dos Nabocodonozores de nosso tempo é maior do que está diante do Rei dos Reis, aquele que morreu para viver e perdeu para ganhar! Abaixo a sofisticação pastoral e que, o Senhor tenha misericórdia dos pastores convertidos em nosso país para que mantenham a “pureza e a simplicidade” que se encontra no Senhor Jesus.

Tenho dito e choro quando digo o digo.

QUEM SÃO OS FARISEUS DE HOJE?





Por Manoel Silva Filho

QUEM SÃO MESMO OS FARISEUS DE HOJE?

São os exterminadores da liberdade alheia, que excluem sumariamente as pessoas e se afastam delas, achando que são muito melhores do que elas.

São os que usam luvas de assepsia e jogam no lixo os diferentes, os quais diferem deles quanto ao estilo, conceitos, doutrina, postura moral, ética e religiosa.

São os que têm “complexo de São Pedro” por se julgarem acima da lei, se achando no direito de abrir ou fechar as portas do céu de acordo com seu julgamento distorcido, separando antes do tempo determinado o joio do trigo, quem é salvo ou não, quando Jesus proíbe veementemente tal atitude.

São os que pensam que estão sozinhos no mundo, e acham que eles e sua igreja, serão os únicos que vão ser salvos, e sua doutrina, teologia, liturgia e preceitos morais são os únicos certos e todos ao redor estão errados.

São os que se prendem a teias de legalismos tentando comprar a graça de Deus com obras humanas e ofertas de desempenho pessoal. Estes, na prática, esperam ainda obter o favor de Deus, com boa moralidade e bom comportamento, anulando assim, completamente o sacrifício de Cristo na cruz.

São os que colam máscaras de religiosidade na cara para impressionar o mundo, assumindo ridículas atitudes de bajulação e arrotando vantagens, tecem grandes relatos de proezas espirituais exacerbadas.

São os que ficam à espreita da liberdade dos outros, criticando e disseminado suspeitas de todo tipo, visando salvar sua própria reputação e descobrir e expor à vergonha a reputação de quem não concorda com sua maneira hipócrita de ser.

Se nos tempos de Cristo os fariseus eram os líderes religiosos de sua época, os anciãos do povo, os que compunham o Sinédrio, os líderes que detinham o poder religioso e mantinham o status quo econômico da nação, os fariseus de hoje também compõem grande parte da liderança das igrejas de hoje. Eles são os que se assentam nos concílios, nas juntas administrativas, nas comissões gestoras das organizações eclesiásticas, e se reúnem como donos e os chefes das grandes corporações da fé.

São, no entanto, aos olhos infalíveis de Jesus, hipócritas (atores que atuam com máscaras) que disseminaram ervas danosas no meio do trigo da igreja.

Sua atitude, apesar do alto teor moral, é tida diante de Deus, como palha que queima e que, ao passar pelo crivo do fogo purificador dos olhos do Rei, só sobrará cinza e poeira.

São os que ainda hoje Jesus chama de cobras venenosas, sepulcros caiados, bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e todo tipo de imundície, os que coem um mosquito e engolem um camelo, guia de cegos, e dignos do inferno.

São esses aos quais Jesus disse que o honram com os lábios mais seu coração está longe Dele, e que adoram a Deus em vão, e cujos ensinos não passam de regras ensinados por homens.

Fico pensando em quão inconsistente é, para Jesus, tanta pompa, tantas construções, tantos cursos infindáveis de educação religiosa, tantas regras proibitivas, tantos sistemas complexos, tantos preceitos inócuos, e que no final pouca coisa sobrará de útil para o Reino, e quase nada que perdurará para vida eterna.

Não seja nem consinta ser um fariseu de hoje. Sai das fileiras da hipocrisia, e venha se alistar no exército dos filhos da luz, que andam na verdade, na simplicidade do Reino e que não tem outra motivação que não seja agradar ao Rei oferecendo um coração sincero e transparente, e motivações que advém do coração, por saber que Ele se compraz (se alegra sobremaneira) da verdade no íntimo.

A cruz do passado, e a cruz do presente
















Por A.W.Tozer
Silenciosamente e sem que se apercebesse, uma nova cruz apareceu nesses tempos modernos tomando conta dos círculos evangélicos. É muito parecida com a velha cruz, mas só na aparência, porque é diferente: A semelhança é superficial, e a diferença fundamental. Dessa nova cruz apareceu uma nova filosofia de vida cristã e a partir dessa nova filosofia surgiu uma nova técnica evangélica, um novo tipo de culto e de pregações. Esse novo evangelismo usa a mesma linguagem que o antigo, mas seu conteúdo já não é o mesmo e suas ênfases não são iguais ao velho evangelho.
A velha cruz não estava engajada com o mundo. Para a velha carne adâmica ela significava o fim de uma jornada. Carregava consigo a sentença imposta pela lei do Sinai. A nova cruz não se opõe à raça humana, ao contrário, é uma amiga e, se bem compreendida tornou-se a fonte de bem-estar, de beleza e de inocentes prazeres mundanos. Ela permite que o Adão viva sem interferências. As motivações de sua vida continuam a mesma; o homem não muda. Continua a viver para seu próprio prazer, com a diferença de que agora se deleita em cantar hinos e de ver filmes cristãos – os quais se tornaram substitutos das músicas do mundo e das bebidas. A tônica de sua vida continua o prazer – um prazer num nível mais elevado e intelectualizado.
A nova cruz encoraja uma abordagem evangelística totalmente diferente. O novo evangelho não exige que a pessoa renuncie à vida de pecado para poder receber uma nova vida. Ele não aborda os contrastes, mas as similaridades. Faz questão de mostrar ao seu auditório que o cristianismo não faz exigências e demandas desconfortáveis, ao contrário, oferece o que o mundo dá, apenas num nível superior. Os glamoures do mundo são substituídos pelos glamoures da nova religião que é um produto bem melhor.
A nova cruz não sacrifica o pecador, apenas o redireciona. Ela o conduz por uma vida mais limpa e alegre e preserva sua auto-reputação. Para o auto-determinado diz: Venha e tome uma determinação por Cristo. Ao egoísta proclama: Venha e se alegre no Senhor. Para o aventureiro, diz: Venha e descubra a aventura da comunhão cristã.
A mensagem cristã segue a moda em voga para ser aceitável ao público. A filosofia por trás dessa cruz pode até ser sincera, mas a sinceridade não encobre sua falsidade. É falsa porque é cega. Perde de vista completamente o sentido da cruz. A velha cruz é símbolo de morte. Está ali para dizer ao homem de forma violenta que sua vida chegou ao fim. No império romano quando alguém passava pelas estreitas ruas carregando uma cruz, já havia se despedido de todos os amigos. Não podia voltar atrás. Tinha de seguir até o fim.
A cruz não permitia acordos, nada modificava e nada preservava. Ela matava o homem completamente e para seu bem. A cruz não fazia acordos com sua vítima; ela agia de maneira cruel e dura, e quando sua tarefa terminava, o velho homem deixava de existir. A raça adâmica está condenada a morrer. Não há comutação ou substituição da pena nem escape.
Deus não aprova nenhum dos frutos do pecado, por mais inocente ou belo que pareçam aos olhos do ser humano. Deus salva o homem liquidando-o completamente pra depois ressuscitá-lo a um novo estilo de vida. A evangelização que traça paralelos amistosos entre os caminhos de Deus e do homem é falsa, anti-bíblica e cruel para as almas dos ouvintes.
A fé de Cristo não anda paralela com o mundo; ela o intercepta. Ao nos achegarmos a Cristo não elevamos nossa velha vida a um plano maior; nós a deixamos na cruz. O grão precisa ser enterrado e morrer, antes de ressurgir uma nova planta. Nós os que pregamos o evangelho devemos deixar de lado a ideia de que somos agentes do bom relacionamento de Cristo com o mundo. Não podemos alimentar a ideia de que fomos comissionados para tornar Cristo agradável aos grandes homens de negócios, à imprensa, à mídia, ao mundo dos esportes e da cultura. Não somos diplomatas; somos profetas, e nossa mensagem não é uma aliança, um acordo, e sim um ultimato.
Deus oferece vida, mas não a improvisação da velha vida. A vida que ele oferece é vida que nasce da morte. É uma vida que se posiciona ao lado da cruz. Todos os que a querem têm de passar sob a vara. Precisam negar-se a si mesmo aceitando a justiça de Deus sobre sua vida. O que dizer de uma pessoa condenada que encontra vida em Cristo Jesus? Como essa teologia pode ser aplicada à sua vida? Simples: O homem tem que se arrepender e crer. Ele precisa deixar para trás seus pecados e depois sentir-se perdoado. Não pode encobrir coisa alguma, defender-se e escusar-se.
O homem não pode tentar fazer acordos com Deus, tem que baixar a cabeça ante o descontentamento divino. Deve reconhecer que está disposto a morrer. Depois, espera e confia no Senhor ressuscitado, porque do Senhor vem a vida, o renascimento, a purificação e o poder.
A cruz que deu fim à vida terrena de Jesus põe fim ao pecador; e o poder que ressuscitou a Cristo dos mortos, agora ergue o pecador para sua nova vida com Cristo. Àqueles que fazem objeção a esse fato ou acham que é um ponto de vista estreito e particular da verdade, é preciso dizer que Deus estabeleceu sua marca de aprovação dessa mensagem dos dias de Paulo até hoje. Ditas ou não com essas mesmas palavras, este tem sido o conteúdo de todas as pregações que trouxeram vida e poder ao mundo ao longo dos séculos. Os místicos, os reformadores e os avivalistas deram ênfase à cruz, e sinais, milagres e maravilhas de poder do Espírito Santo são testemunhas da aprovação de Deus.
Será que nós, os herdeiros desse legado de poder podemos contender com a verdade? Será que podemos com nossos lápis (escritos) apagar a marca registrada ou alterar o modelo que nos foi mostrado no monte? Que Deus nos proíba! Preguemos sobre a velha cruz e conheceremos o velho poder.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Pare! – Martyn Lloyd-Jones




Você e eu somos pessoas que havemos sido, chamados por Deus do presente mundo mau. Fomos adquiridos pelo preço do sangue do unigênito Filho de Deus derramado numa cruz, na colina do Calvário, não apenas para que recebêssemos o perdão e pudéssemos ir para o Céu, mas para que fôssemos libertos de todo pecado e iniquidade, e para que Ele purificasse «para si mesmo um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras» (Tito 2.14) . . .sempre que surja alguma perplexidade ou alguma coisa que tenda a sacudi-lo, tome-a e coloque-a sob essa luz.  .  .

Não importa em que nível resistimos a esse inimigo de nossas almas, não importa quão baixo seja o nível, desde que resistamos.  .  . esse homem (Salmo 73) resistia num nível bem baixo. Apoiou-se simples¬mente num princípio: «Se eu fizer isso, ofenderei esse povo ...» Não me preocupa quão baixo seja o nível. Tão logo você encontre algo que o segure,  utilize-o.   .   . Firme-se em qualquer ponto possível.  .   .

O assunto se resume nisto: quando seus pés resvalam, a única coisa de que você precisa é poder estar firme. Pare de escorregar e deslizar. Mantenha firmes os seus pés por um momento e aferre-se a qualquer coisa que se ofereça para este fim; fírme-se nisso e permaneça ali. Estamos engajados num alpinismo espiritual. As ladeiras são como vidro, e você pode escorregar ravina abaixo e perder-se. Digo, pois, que se você vir algum perigo, ainda que seja um pequenino broto,  agarre-se a ele,  segure-o, ponha os seus pés no mais diminuto buraco, ou na mais estreita borda, qualquer coisa que lhe sirva para firmar-se e que o capacite a parar um pouco. Uma vez que você tenha parado de escorregar e cair, poderá recomeçar a subir. Foi porque o salmista achou aquele pequeno ponto de apoio e nele fincou os pés, que ele parou de escorregar. E a partir daquele instante começou de novo o maravilhoso processo de escalar, até que eventualmente viu-se capaz de regozijar-se mais uma vez com o conhecimento de Deus, e até de compreender o problema que o deixara perplexo.

Você não pode servir a si mesmo e a Deus - C. H. Spurgeon



O principal propósito da vida do autêntico cristão deve ser o de tentar expandir o reino de Cristo. O cristão deve também procurar demonstrar a glória de Cristo em sua vida. Se vocês empenham seu tempo servindo a si mesmos, então não são servos de Deus. Se Cristo realmente vive em vocês, desejarão viver para Ele. Muitas pessoas dizem que são cristãs, mas não vivem como cristãs. Elas servem a Deus limitando-se a freqüentar a igreja. A Bíblia nos diz que as nossas obras para Cristo que não são verdadeiras serão queimadas por completo como se fossem madeira, palha ou restolho. Até mesmo pregadores podem pregar a mensagem de Cristo com falta de sinceridade. Eles podem estar pregando somente para demonstrarem suas próprias habilidades. Tais pregadores trazem desonra ao nome de Cristo.

Venhamos a Cristo e confessemos nossas faltas. Peçamos graça para que em dias futuros possamos viver somente para Ele, que é o nosso "culto racional" (Rom. 12:1). Nossos espíritos, almas e corpos pertencem a Ele.

A oferta das primícias no Velho Testamento era voluntária. Não era obrigatório trazer as primícias. Entretanto, se a pessoa não trouxesse as primícias, ela perdia a bênção de Deus. Se trouxesse as primícias, Deus a amava porque era uma pessoa que dava prazerosamente. Peço que vocês se entreguem a Deus com a mesma disposição. Aos cristãos que não se entregaram verdadeiramente, eu digo: "Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Rom. 12:1). Rogar é uma palavra bem forte. Mas de fato eu "rogo" que vocês se entreguem a Deus. Em breve deixaremos este mundo. Lamentaremos então que perdemos oportunidades de servir ao Senhor. Vocês estão fazendo tudo que podem por Cristo? Jovens, vocês têm certeza que estão usando todas as habilidades que Deus lhes deu? Há algo mais que podem fazer por Cristo? Podemos continuar vivendo vidas vulgares. No entanto, tudo pode ser feito para a glória de Deus, até o comer e o beber. Qualquer que seja o nosso trabalho, devemos fazê-lo diligentemente e no temor de Deus. Então nosso serviço será aceito por Deus como se fôssemos pregadores do evangelho, os quais estão a serviço de Cristo em tempo integral. Venham como são e entreguem-se com tudo que possuem com alegria a Deus. Façam de vocês mesmos um "sacrifício vivo".

Observem em Deuteronômio 26:4 que o homem trazia as espigas de trigo numa cesta. Ele trazia de livre vontade, porém não era ele quem as oferecia a Deus. "E o sacerdote tomará o cesto da tua mão, e o porá diante do altar do Senhor teu Deus". Nossa oferta deve também ser entregue a Deus por meio de um mediador. Não podemos nos oferecer diretamente a Deus. Devemos vir a Deus através do nosso Mediador, o Senhor Jesus Cristo. Nada que podemos fazer é em si mesmo aceitável a Deus. Cristo deve cobrir tudo que fazemos com Seu próprio mérito. Devemos trazer nossos corações e nossas obras ao Senhor Jesus Cristo, que é o nosso Sumo Sacerdote. Devemos pedir a Cristo que nos tome da maneira que somos e nos ofereça diante do trono eterno de Deus. Quando Cristo faz isso, somos feitos "agradáveis no amado" (Ef. 1:6). Somos aceitos por causa do sangue e da justiça de Cristo.

Depois que as primícias foram oferecidas, parece que o adorador em Deuteronômio, capítulo 26, fazia uma confissão do que ele devia a Deus. O judeu lá permanecia com suas espigas de trigo. Ele confessava que seu pai era "Siro". Por "Siro" ele queria dizer "Abraão". Os descendentes de Abraão emigraram ao Egito. Lá, Deus multiplicou-os e eles se tornaram a nação de Israel. Deus libertou e trouxe os filhos de Israel do Egito, através do deserto, para a terra que Ele lhes havia prometido. O adorador lembrava-se então que à parte da bondade de Deus ele nada tinha. Ele dizia a Deus: "... tudo vem de ti, e da tua mão to damos" (I Crôn. 29:14). Nós também devemos lembrar de tudo que Deus nos tem feito. Por isso, devemos nos entregar de novo — e tudo que temos — a Deus.

Que privilégio é conhecer o Senhor Jesus Cristo como Salvador por muitos anos. Tivemos muitas experiências em nossas vidas. Fomos muito ingratos e omissos. Mas Deus tem demonstrado fidelidade e benevolência a nós que nada merecemos. Louvemos a Deus pelo Seu amor, pela Sua imutabilidade e pela Sua graça perdoadora. Lembrem-se de todos os pecados que lhes foram perdoados e de toda a graça que receberam. Lembrem-se de todas as orações que foram respondidas. Pensem em todas as provações das quais foram libertos. Pensem em todos os conflitos em que Deus lhes ajudou a ser vitoriosos e ofereçam-se como sacrifícios vivos a Deus. Se você, amigo, nunca negou nada de si para Cristo, faça-o agora. Quanto mais negar a si mesmo e fizer mais por Cristo, tanto mais feliz você será. A religião será um peso ao cristão indiferente, um costume a ser suportado, não um banquete a ser desfrutado.

O adorador seguia seu caminho após ter apresentado seu feixe de trigo. Deuteronômio diz que seu coração ficará alegre, e que ele será abençoado. O fato de que as primícias foram dadas a Deus significava que toda a colheita seria abençoada. Da mesma forma, os crentes hoje em dia são abençoados por Deus e são eles próprios uma bênção para os seus semelhantes.

A Bíblia diz: "Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe, e faça resplandecer o seu rosto sobre nós. Para que se conheça na terra o teu caminho, e em todas as nações a tua salvação" (Sal. 67:1-2). Bênçãos são dadas às nações através do povo de Deus. Lem¬brem-se da promessa: "Eu serei para Israel como orvalho; ele florescerá como o lírio, e espalhará as suas raízes como o Líbano" (Os. 14:5). Quando vocês se entregarem completamente a Deus, as pessoas ao seu redor serão abençoadas pela graça que Deus lhes dará. O verdadeiro avivamento começa em casa. Tirem primeiro as ervas daninhas de seus próprios jardins. Capinem seus jardins para que deles possam crescer flores. Se vocês querem que a graça de Deus passe às suas famílias, cuidem para que a graça de Deus esteja em suas próprias vidas. Entreguem-se ao Senhor agora, assim como as cestas de espigas de trigo eram entregues a Ele nos dias do Velho Testamento.

Até aqui estive falando aos filhos de Deus. Não posso falar, porém, da mesma maneira aos que não são filhos de Deus. Se o seu coração, meu ouvinte, não está correto diante de Deus, você não pode fazer oferta alguma a Ele. Deus não aceitaria nenhuma oferta a Ele oferecida que venha de um incrédulo.

No entanto, digo o que você pode fazer, por meio da graça de Deus. Você não pode trazer nada a Ele, mas pode pedir-Lhe algo. Você não pode ser um doador porém pode ser um receptor. Pode receber o amor de Cristo. Cristo apela a você que traga seu coração vazio e necessitado a Ele. Seu mandamento é: "Creia, e viverá". Crer é confiar em Cristo para lhe salvar. Ninguém que já creu em Cristo constatou que Ele não cumpriu a Sua promessa. Que você seja guiado pelo Espírito Santo a vir em confiança ao Salvador, Àquele que uma vez foi morto, mas que agora vive. Daí você dará a Deus todo o seu coração. Você irá então viver para Aquele que morreu por você.