quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Igreja x Igreja = Pregadores x Pregadores













Por Pastor João de Souza

Ao longo desses anos Deus tem me proporcionado viver intensamente a igreja – em seu sentido mais amplo e verdadeiro. Refiro-me a igreja de Jesus Cristo composta de todos os redimidos e salvos. Quando falo em igreja não me refiro a igreja institucionalizada, sejam denominações ou não-denominações ou aos nomes que se dão a igreja. Sim, porque existem muitas igrejas que se dizem não serem denominações, mas agem ou mantêm uma estrutura de governo eclesiástico pior que algumas denominações. Às vezes seus poucos membros são mais denominacionais que os milhares de outra igreja que vivem sob a égide de um nome denominacional.
Vivo no meio da igreja, desviando-me aqui e ali dos obstáculos que podem me levar a tropeçar nos meandros do eclesiologismo com sua política nefanda. Explico. Avesso que sou a toda política eclesiástica consigo encontrar no meio da confusão babilônica que hoje se chama “igreja” os fieis que não se rendem ao sistema nem apupam líderes que vivem no erro.
Conheço igrejas de vários matizes, mas posso dividi-las em apenas duas: Igrejas que priorizam relacionamentos e propósitos, e igrejas sem relacionamentos. Nas igrejas que têm relacionamentos e trabalham com propósito, todos canalizam seus esforços para a vinda do reino de Deus, diferentemente daquelas igrejas que usam dos relacionamentos para manter seu sistema denominacional. As igrejas que priorizam os relacionamentos não se preocupam com o que acontece nas reuniões, mas enfatizam o que acontece entre as reuniões. Não procuram o seu próprio bem-estar, mas o bem-estar do reino!
Nessa jornada da fé percebo que algumas igrejas convidam pregadores e cantores, não porque estes sejam homens ou mulheres de Deus, mas porque precisam manter a agenda da igreja e os cultos com boa frequência. A igreja institucionalizada – isto é, aquela que busca seu próprio interesse e se utiliza dos membros para buscar fama e poder – não valoriza relacionamentos entre os irmãos. Aliás, quanto menos as pessoas se conhecerem e andarem juntas, melhor para o sistema.
As igrejas que buscam relacionamentos anelam crescer na fé e, para tanto buscam homens e mulheres de Deus que os ajudem nesse crescimento que favorecerá unicamente o reino de Deus.
Diferentemente de igrejas que veem nos conferencistas apenas um profissional eclesiástico, e não um homem de Deus. Para este tipo de igreja os pregadores são como material descartável: Usa-se e se joga fora! Isto permitiu a proliferação de pregadores que satisfazem os interesses da igreja institucional que estabelecem preços e cachês de profissionais; são os preletores de autoajuda, porque sabem que são tratados como profissionais eclesiásticos. E, como são tidos por material descartável é importante que sejam descartáveis de alto preço. É nesse sentido que as grandes celebrações das igrejas – as marchas para Jesus, o dia da Bíblia etc., que são pagos com o dinheiro público atraiam profissionais que cobram preços elevados, sejam cantores, bandas ou pregadores.
As igrejas que buscam relacionamentos agem de maneira diferente. Querem ouvir, aprender e, depois que o pregador vai embora continuam mantendo uma amizade de amor e de ajuda, remoendo as pregações, analisando os conselhos recebidos, porque não tratam o preletor como um profissional do clero, mas como homem de Deus. Ao contrário detestam o profissionalismo eclesiástico e mantêm vínculos com os homens de Deus tratando-os como verdadeiros profetas ou apóstolos que cooperam para o serviço do reino de Deus.
As igrejas institucionalizadas que tratam os pregadores e mestres como profissionais cumprem uma agenda de cultos para satisfazer a curiosidade de seus membros, e os programas da igreja. Convidam certos pregadores porque estes produzem coceiras nos ouvidos dos membros da igreja. São pregadores que dizem o que o povo quer ouvir; e são valorizados porque embalam a vida espiritual do povo. São pregadores que não deixam o povo inquieto com seus pecados, bem ao contrário, tais pregadores jamais aguçam seus ouvintes com esta palavra tão feia. São pregadores profissionais que sabem como produzir coceira espiritual no povo, e suas preleções têm aparência de fogo de Deus, mas é palha que logo se consome e cujo fogo logo se apaga. O verdadeiro avivamento queima lentamente as toras enquanto transforma os corações.
Desculpe-me dizer, mas o Brasil está cheio de pregadores que produzem coceiras nos ouvidos; profissionais da pregação que encontraram na igreja institucionalizada seu filão financeiro. Sim, porque descobriram que a igreja que não deseja relacionamentos está interessada em profissionais do clero; em pregadores charmosos; em profetas que falam o que o povo quer ouvir, e, para tanto, essas igrejas estão dispostas a pagar altas somas, porque o preço é justo, mesmo sendo salgado! E, por isso, muitos pregadores se profissionalizam como palestrantes dos mais diversos temas; não porque amam aquele povo que os convida, nem porque amam a vinda do reino de Deus, mas porque sabem que esse tipo de igreja exige que haja profissionais do clero, e não homens de Deus.
No entanto, a igreja que prioriza relacionamentos não vive à cata de profissionais para pregar em seus cultos, mas de homens com ministérios reconhecidos que lhes ajudem a cumprir o projeto de Deus na terra. Nesse tipo de igreja os vínculos permanecem. Os pregadores convidados são bem-tratados e honrados como mestres, apóstolos, profetas e pastores, conforme a descrição de Efésios 4.11 e não como apóstolos ou profetas profissionais!
Continuo a percorrer os caminhos da igreja discernindo com clareza quando sou chamado como profissional – e sou tentado a fixar um preço – ou quando sou chamado porque meu ministério é reconhecido e considerado importante para o desenvolvimento da igreja que me convida.

O Deus que Vê - C. H. Spurgeon


Viu Deus que a luz era boa. Gênesis 1.4

Observe a atenção especial que o Senhor deu à luz. "Viu Deus que a luz era boa" — Ele olhou para a luz com cuidado, contemplou-a com prazer e viu que ela era boa. Se o Senhor já lhe outorgou luz, Ele a contempla com especial interesse. Essa luz é apreciada por Deus não somente porque é uma obra de suas próprias mãos, mas porque ela é semelhante a Ele mesmo, porque Deus é luz. E agradável para o crente saber que os olhos de Deus observam com ternura a obra da graça que Ele mesmo começou.


Deus nunca perde de vista o tesouro que Ele colocou em nossos vasos de barro. Às vezes, não podemos ver a luz, mas Deus sempre a vê. Saber que pertenço ao povo de Deus é reconfortante para mim; mas pouco importa se estou ciente disso ou não. Se o Senhor me conhece, eu estou seguro. Este é o fundamento: "O Senhor conhece os que lhe pertencem" (2 Timóteo 2.19).


Talvez você esteja suspirando e lamentando por causa de seus pecados ou chorando por causa de suas trevas; o Senhor, porém, vê a luz em seu coração. Ele a colocou ali. Toda a obscuridade e a melancolia de sua alma não podem ocultar sua luz dos graciosos olhos do Senhor Jesus. Você pode ter se aprofundado em desânimo e mesmo em desespero. No entanto, se a sua alma tem algum desejo intenso por Cristo e se você está procurando descansar na obra consumada dEle, Deus vê a luz em seu coração. Deus não somente a vê, Ele também a preserva em você.

Este é um pensamento valioso para aqueles que, após um ansioso vigiar e guardar a si mesmos, sentem a sua própria falta de capacidade para fazer tal coisa. A luz preservada pela graça de Deus um dia se desenvolverá no esplendor do meio-dia e na plenitude da glória. A luz em nosso íntimo é a aurora do dia eterno.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Minha vida é diferente? – M. Lloyd-Jones


«. . . desde que Jesus entrou no meu coração. . .»

Minha fé cristã influi em minha idéia da vida e a dirige em todos os aspectos? Declaro-me cristão e seguidor da fé cristã; a pergunta que agora me faço é: «Será que essa minha fé cristã afeta meu conceito da vida, no todo e nos pormenores? ela está sempre determinando a minha reação e a minha resposta às coisas específicas que acontecem?» Ou então, podemos colocar a questão assim: «Está claro e óbvio para mim e para toda gente que toda a minha abordagem da vida, a minha concepção essencial da vida, em geral e em particular, difere completamente da do que não é cristão?» É preciso que o seja.

O Sermão da Montanha começa com as bem-aventuranças. Estas descrevem pessoas totalmente diversas de todas as demais, tão diferentes como a luz das trevas, tão diferentes como o sal da putrefação. Se, pois, somos dife¬rentes no essencial, temos que ser diferentes em nossa maneira de ver todas as coisas e em nossa reação a tudo que sucede. Não conheço melhor indagação que uma pessoa possa fazer a si própria, em quaisquer circunstâncias, do que essa. Quando lhe sobrevier algo que o transtorne, pergunte-se: «Minha reação é essencialmente diversa do que seria se eu não fosse cristão?» Lembremo-nos do ensino. . . que consta no final do capítulo cinco do Evangelho (segundo Mateus).

Você decerto lembra que nosso Senhor colocou a questão em termos como estes: «Se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis mais do que os outros?» E isso. Cristão é aquele que faz «mais do que os outros». É aquele que é absolutamente diferente. E, se em cada detalhe de sua vida, não penetrou este seu cristianismo, você é um cristão de tipo muito inferior, é um homem de «pequena fé».

Viva para a Eternidade! - Paul Washer


Fonte: http://bereianos.blogspot.com/

domingo, 2 de janeiro de 2011

Todos devem conhecer a Deus



Nem sequer entre os bárbaros e completamente selvagens é possível encontrar um homem que careça de certo sentido religioso; e isso é devido a que todos nós temos sido criados para este fim: conhecer a Majestade de nosso Criador e, uma vez conhecida, tê-lo em grande estima por acima de tudo, e honrá-lo com todo temor, amor e reverência.

Deixando de lado os infiéis, que só tratam de apagar de sua memória este sentido de Deus, implantando em seus corações, nós, os que fazemos confissão de piedade, devemos ter presente que esta vida caduca e que pronto acabará, não deveria ser outra coisa senão uma meditação da imortalidade. Agora bem, em nenhuma parte podemos achar a vida eterna e imortal, se não for em Deus. Portanto, o principal cuidado e preocupação de nossa vida deve consistir em buscar a Deus e aspirar a Ele com todo o afeto de nosso coração e encontrar o único repouso somente nEle.

João Calvino

O que é um Cristão?



Meditação sobre 2 Coríntios 5.14-15
Por John Piper 

Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.
O que significa ser um cristão? 
Charles Hodge, um dos grandes teólogos reformados do século XIX, achou a resposta neste texto: "É ser constrangido por um senso do amor de nosso divino Senhor, de tal modo que Lhe consagramos nossa vida".
Ser um cristão não significa apenas crer, de coração, que Cristo morreu por nós. Significa "ser constrangido" pelo amor demonstrado nesse ato. A verdade nos pressiona. Ela força e se apropria; impele e controla. A verdade nos cerca, não nos deixando fugir. Ela nos prende em gozo.
Como a verdade faz isso? 
Paulo disse que o amor de Cristo o constrangia por causa de um julgamento que ele fazia a respeito da morte: "Julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram". Paulo se tornou cristão não somente por meio da decisão com base no fato de que Cristo morreu pelos pecadores, mas também por meio do sábio discernimento de que a morte de Cristo foi também a morte de todos aqueles em favor dos quais Ele morreu.

Em outras palavras, tornar-se um cristão é chegar a crer não somente que Cristo morreu por seu povo, mas também que todo o seu povo morreu quando Ele morreu. Tornar-se um cristão é, primeira¬mente, fazer esta pergunta: estou convencido de que Cristo morreu por mim e de que eu morri nEle? Estou pronto a morrer, a fim de viver no poder do amor dEle e para a demonstração da sua glória. Em segundo lugar, tornar-se um cristão significa responder sim, de coração.
O amor de Cristo nos constrange a responder sim. Sentimos tanto amor fluindo da morte de Cristo para nós, que descobrimos nossa morte na morte dEle — nossa morte para todas as lealdades rivais. Somos tão dominados ("constrangidos") pelo amor de Cristo, que o mundo desaparece, como que diante de olhos mortos. O futuro abre um amplo campo de amor.
Um cristão é uma pessoa que vive sob o constrangimento do amor de Cristo. O cristianismo não é meramente crer num conjunto de doutrinas a respeito do amor de Cristo. É uma experiência de ser constrangido por esse amor — passado, presente, futuro.
Entretanto, esse constrangimento surge de um juízo que fazemos sobre a morte de Cristo: "Quando Ele morreu, eu morri". É um julgamento profundo. "Assim como o pecado de Adão foi, legal e eficazmente, o pecado de toda a raça, assim também a morte de Cristo foi, legal e eficazmente, a morte de seu povo."2 Visto que nossa morte já aconteceu, não temos mais condenação (Rm 8.1-3). Isto é a essência do amor de Cristo por nós. Por meio de sua morte imerecida, Cristo morreu nossa morte bem merecida e abriu o seu futuro como o nosso futuro.
Portanto, o juízo que fazemos sobre a sua morte resulta em sermos constrangidos pelo amor dEle. Veja como Charles Hodge expressou isso: "Um cristão é alguém que reconhece a Jesus como o Cristo, o Filho do Deus vivo, como Deus manifestado em carne, que nos amou e morreu por nossa redenção. E também uma pessoa afetada por um senso do amor deste Deus encarnado, a ponto de ser constrangida a fazer da vontade de Cristo a norma de sua obediência e da glória de Cristo o grande alvo em favor do qual ela vive".
Como não viver por Aquele que morreu nossa morte, para que vivamos por sua vida? Ser um cristão é ser constrangido pelo amor de Cristo.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A Falta de Avivamento Pessoal - Richard Baxter


Eu não sei o que os outros pensam, mas da minha parte, me envergonho de minha ignorância, e me admiro de mim mesmo, porque não tenho tratado as almas dos outros e da minha como almas que esperam o grande dia do Senhor; e porque tenho espaço para quase qualquer outros pensamentos e palavras; e porque tais assuntos assombrosos não tomam completamente minha mente. Admiro-me de como posso pregar sobre isto desapaixonadamente e descuidadamente; e como posso deixar os homens sozinhos em seus pecados; e como não vou atrás deles, rogando-lhes, pelo amor do Senhor, que se arrependam, não importa a forma que recebam a mensagem, e qual seja a pena e dor que custem a mim.

Muito poucas vezes saio do púlpito sem que minha consciência me golpeie por não ter sido mais fervoroso e sério. Ela não me acusa tanto pela falta de ornamentos e elegância, nem por deixar passar uma palavra errada; mas me pergunta “Como você pode falar de vida e da morte com um coração assim? Como pode pregar sobre o céu e o inferno de uma forma tão relaxada e descuidada? Crê no que disse? Leva a sério ou embroma? Como pode dizer às pessoas que o pecado é algo assim, e que tanta miséria está sobre elas e diante delas, e não ser mais afetado com isto? Você não deveria chorar sobre pessoas assim, e não deveriam tuas lágrimas interromper suas palavras? Você não deveria clamar em alta voz, e mostrar a eles suas transgressões, e implorar a eles e rogá-los como uma questão de vida e morte?

E, por mim mesmo, como estou envergonhado do meu coração descuidado e torpe, e do meu modo de vida inútil e lento, assim como, o Senhor sabe, estou envergonhado de cada sermão que tenho pregado; quando penso sobre o que estou falando, e quem me enviou, e que a condenação e salvação dos homens é completamente relacionada nEle, estou preste a tremer por temor de que Deus me julgará como um mau administrador de Suas verdades e das almas dos homens, e imagino que no meu melhor sermão eu seja culpado pelo sangue deles. Penso que não devemos falar qualquer palavra aos homens, em assuntos de tamanhas conseqüências, sem lágrimas ou com a maior seriedade que possamos alcançar; já que somos tão culpados do pecado que reprovamos, deveria ser dessa forma.

Verdadeiramente, este é o tinir da consciência que soa em meus ouvidos, e apesar disso, minha alma sonolenta não quer ser despertada. Oh! Que coisa é um coração endurecido e insensível. Oh, Senhor, salva-nos da praga da infidelidade e da dureza de coração de nós mesmos! Como poderíamos ser instrumentos aptos para salvar os outros do erro? Oh, faz em nossas almas aquilo que Tu nos usaria para fazer nas almas dos outros.