quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Voz de anjo, coração de demônio: hipócrita


Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por forase mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! — Mateus 23.27
Os hipócritas são como pinturas em tela, são mais belas de mais longe. As manifestações dos hipócritas são garrafais; a sinceridade deles, rodapé; não têm igual no mundo. O hipócrita é como o vulcão Etna, com fogo na boca e neve no sopé: a boca fala ardentemente, mas os pés caminham friamente. O rouxinol tem a voz suave e um corpo irrisório; uma voz, nada mais que uma voz: assim são todos os hipócritas ....

Os hipócritas empenham-se para parecer santos, não para serem santos; mas os santos lutam para ser santos, mais do que para parecerem santos. O urubu paira no alto céu, mas seus olhos e mente estão na terra. Lá nas alturas, parece uma ave elegante, até que se precipita sobre a carniça. Oh, como exibe-se com elevadas declarações de fé em honra a Cristo o zelote fingido, como se fosse também um homem do céu: espera-se um pouquinho, lança-se a isca da glória ao modo dele, e logo o hipócrita se lançará sobre a carniça e será apanhado com o orgulho do autolouvor ....

Se você tem língua de anjo e coração de demônio, não é melhor do que um poste na encruzilhada, que se apodrece para dar direção aos outros; ou do que uma tocha, que depois de deleitar os outros com a luz, extingue-se em fumaça e fedor.

VIVENDO PARA DEUS - Paulo Junior


Fonte: http://www.defesadoevangelho.com/

Três Razões pelas quais Cristo Sofreu e Morreu – John Piper


Romanos 6.1-14

I. Para que morramos para o pecado e vivamos para a justiça

“... carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça" 1 Pedro 2.24

Por mais estranho que pareça, a morte de Cristo em nosso lugar e por nós significa que nós morremos. Talvez alguém pense que ter um substituto para morrer em seu lugar significa que ele escapa da morte. É claro que escapamos da morte. Da morte eterna de miséria sem fim e separação de Deus. Jesus disse: "Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão" ao 10.28). "Todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente" ao 11.26). A morte de Jesus realmente significa que todo o que nele crê não perece, mas tem a vida eterna ao 3.16).

Mas existe outro sentido em que morremos precisamente porque Cristo morreu em nosso lugar e por nossos pecados. "Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados..." (lPe 2.24). Ele morreu para que vivamos; e morreu também para que morrêssemos. Quando Cristo morreu, eu, como crente em Cristo, morri com ele. A Bíblia é clara: "fomos unidos com ele na semelhança da sua morte" (Rm 6.5). "Um morreu por todos; logo, todos morreram" (2Co 5.14).

A fé é a evidência de que estamos unidos em Cristo dessa maneira profunda. Os crentes foram "crucificados com Cristo" (GI 2.20). Olhamos para trás, para sua morte, sabendo que na mente de Deus nós estávamos lá. Nossos pecados estavam sobre ele e a morte que merecíamos acontecia nele. O batismo significa essa morte com Cristo. "Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo" (Rm 6.4). A água é como um túmulo. recebê-la é um retrato da morte. Tê-Ia recebido é retrato de nova vida. E tudo isso é um retrato do que Deus está fazendo "pela fé". "Tendo sido sepultados com ele no batismo, fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos" (Cl 2.12).

Sendo assim, ser cristão significa morte para o pecado. O velho eu que amava o pecado morreu com Jesus. O pecado passa a ser como uma prostituta que não é mais bonita. Ela é quem matou o meu Rei e a mim mesmo. Assim, o crente está morto para o pecado, não é mais dominado por seus atrativos. O pecado, a prostituta que matou meu amigo, não tem mais apelo. Tornou-se meu inimigo.

Agora em novidade de vida sou movido pela justiça. "Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós... vivamos para a justiça" (1 Pe 2.24). A beleza de Cristo, que me amou e se entregou por mim, é o desejo de minha alma. E sua beleza é a justiça perfeita. O mandamento que agora amo obedecer é este (e eu o convido a atender comigo este mandamento): "... oferecei-vos a Deus, como ressuscitados dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça" (Rm 6.13).

II.      Para que morramos para a lei e frutifiquemos para Deus

"... meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus." Romanos 7.4

Quando Cristo morreu por nós, nós morremos com ele. Deus olhou para nós que cremos como quem está unido a Cristo. Sua morte por nossos pecados foi nossa morte nele. Mas o pecado não foi a única realidade que matou a Jesus e a nós. A lei de Deus também o fez. Quando quebramos a lei pelo pecado, a lei nos sentencia à morte. Se não houvesse lei, não haveria castigo. Onde não há lei, também não há transgressão (Rm 4.15). Mas "... tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus" (Rm 3.19).

Não havia como escapar da maldição da lei. Ela era justa e nós éramos culpados. Só havia um modo de nos libertar. Alguém tinha de pagar a pena. Foi para isso que veio Jesus. "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar" (Gl 3.13).

Sendo assim, a lei de Deus não pode nos condenar se estivermos em Cristo. Seu domínio sobre nós é duplamente quebrado. Por um lado, as exigências da lei foram cumpridas por Cristo em nosso favor. Ele guardou perfeitamente a lei e isso foi creditado em nossa conta. Por outro lado, a penalidade da lei foi paga pelo sangue de Cristo.

É por isso que a Bíblia ensina claramente que estar bem com Deus não é questão de guardar a lei. "Ninguém será justificado diante dele por obras da lei" (Rm 3.20). "O homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus" (G12.16). Não existe esperança de estar em paz com Deus por guardar a lei. A única esperança está no sangue e na justiça de Cristo, que é nossa somente pela fé. "Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei" (Rm 3.28).

Como, então, podemos agradar a Deus, se nos encontramos mortos para sua lei e ela não mais nos domina? A lei não é a expressão da boa e santa vontade de Deus? (Rm 7.12). A resposta bíblica é que, em vez de pertencermos à lei, que exige e condena, agora pertencemos a Cristo, que exige e concede. Anteriormente, a justiça nos era exigida do lado de fora, em letras escritas na pedra. Mas agora a justiça surge de dentro de nós como um desejo no nosso relacionamento com Cristo. Ele está presente e é real. Pelo seu Espírito ele nos auxilia em nossa fraqueza. Uma pessoa viva substituiu uma lista letal. "A letra mata, mas o espírito vivifica" (2Co 3.6).

Por essa razão a Bíblia diz que o novo caminho da obediência é frutificador, e não guardador da lei. "... meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus" (Rm 7.4).

III.     Para nos capacitar a viver para Cristo e não para nós mesmos

"Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória." João 17.24

"Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou." 2 Coríntios 5.15

Muitas pessoas se perturbam com a idéia de que Cristo morreu para exaltar a Cristo. Em sua essência, 2 Coríntios 5.15 diz que Cristo morreu para que vivamos por ele. Noutras palavras, ele morreu por nós para que nós o valorizemos muito. Ou seja, Cristo morreu para Cristo.

Ora, isso é verdade. Não é um jogo de palavras. A essência do pecado é que não conseguimos glorificar a Deus. Isso inclui não glorificar ao Filho (Rm 3.23). Mas Cristo morreu para levar sobre si esse pecado e nos livrar do mesmo. Ele carregou a desonra que havíamos amontoado sobre ele com nosso pecado. Ele morreu para dar a virada nisso. Cristo morreu para a glória de Cristo.

Cristo é único. Ninguém mais consegue agir dessa maneira e chamá-la de amor. Cristo é o único ser humano do universo que também é Deus, portanto, de valor infinito. Ele é de beleza infInita em toda a sua perfeição moral. É infinitamente sábio, justo, bom e forte. "Ele ... é o resplendor da glória e a expressão exata do ... Ser [de Deus], sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder" (Hb 1.3). Vê-Io e conhecê-lo satisfaz mais do que possuir todos os bens da terra.

Aqueles que o conheciam melhor disseram o seguinte:

"... o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo" (Fp 3.7,8).

"Cristo morreu para que vivêssemos por ele" não significa "para que o ajudássemos". [Deus] "não é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse" (At 17.25). Nem Cristo. "... pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos" (Mc 10.45). Cristo morreu, não para que pudéssemos ajudá-lo, mas para que o pudéssemos ver e prová-lo como de valor infinito. Morreu para nos desmamar dos prazeres venenosos e nos enlevar com os prazeres de sua beleza. Nisso somos amados e ele é honrado. Não são objetivos que competem entre si. São o mesmo.

Jesus disse aos seus discípulos que tinha de ir para que pudesse enviar o Espírito Santo, o Ajudador (Jo 16.7). Passou então a lhes dizer o que o Consolador faria quando viesse: "Ele me glorificará" (Jo 16.14). Cristo morreu e ressurgiu para que o víssemos e o glorificássemos. É essa a maior ajuda que existe no mundo. É amor. A oração mais repleta de amor feita por Jesus foi: "Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória" (Jo 17.24). Foi para isto que Cristo morreu. Isto é amor. Sofrer para nos conceder prazer eterno, ou seja, ele mesmo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Como amar o inimigo sem ser hipócrita?


Por 

Alguém já perguntou: "Como eu posso amar o inimigo? Se amá-lo, vou ser descaradamente falso". 
Esse dilema surge porque temos idéias estranhas sobre o amor.

Primeiro temos que pensar sobre os vários significados da palavra amor. Diferentemente da língua portuguesa, o grego apresenta pelo menos 3 palavras para o amor: Phileo é o amor da amizade. Eros é o apaixonado amor entre homem e mulher. E o amor Ágape é o amor divino, resistente, eterno. Phileo e Eros são sentimentos conquistados por merecimento; já o ágape é decisão de amar imerecidamente sem trocas ou reciprocidade. Jesus nos ordenou a exercitar o amor ágape nos relacionamentos (Jo 13:34). Podemos destacar aqui a lição de que devemos amar uns aos outros com o mesmo modelo, padrão e exemplo do amor de Jesus. Assim, devemos olhar para Jesus e saber como ele amou aos outros. Olhando para a vida de Jesus podemos aprender pelo menos 3 lições sobre o significado do amor em nossos relacionamentos:

1. O amor ágape é muito mais do que gostar de alguém. 
Amar é diferente de gostar. Devemos amar todo mundo. Isso não significa que devemos gostar de todo mundo. Nós gostamos de algumas pessoas e não gostamos de outras. Mas devemos amar todas as pessoas, inclusive aquelas de quem não gostamos. Você não precisa gostar para amar. Deve inclusive amar sem gostar. Jesus não gostava de seus inimigos religiosos e políticos, porém, amou todos eles. Isso significa que amar não é gostar do inimigo ou ter afinidade com ele. Isso implica que amar não impede de denunciar a injustiça, protestar contra a maldade, reinvidicar os direitos humanos nem disciplinar quem erra. Vemos que Jesus não demonstrou seu amor fazendo serenatas de saudades para os religiosos fariseus, nem escreveu cartas de amor para os ladrões do templo, nem fez homenagens para Herodes. Mas Jesus amou todos eles, inclusive, ao ponto de denunciar o pecado deles e dar sua própria vida para salvá-los. Enfim, Jesus amou seus inimigos, mas não gostou deles, não aprovou seus erros nem se alegrou com as injustiças deles (I Co 13:6).

2. O amor ágape ultrapassa a convivência íntima. 
Amar não é necessariamente conviver intimamente com todas as pessoas em todo o tempo e transformar sua casa na “casa da mãe joana”. Aprendemos nos evangelhos que o amor de Jesus respeitava fronteiras e limites de convivência. Jesus vivia distante de seus inimigos religiosos e políticos, era mais formal com a multidão, porém mais próximo dos 70, mais chegado dos 12, mais ligado a 3 (Pedro, Tiago e João) e mais íntimo de um (João – quem encostou a cabeça sobre os ombros de Jesus). Isso significa que não é necessário conviver intimamente com certas pessoas para amá-las. Acredito que existem relacionamentos que devem promover amor numa convivência à distância. Não vemos Jesus comendo pizza com os fariseus, nem indo ao shopping com herodes, nem passeando na praça com os soldados romanos; pelo contrário, Jesus fugia deles. Isso nos diz que Jesus convivia separado de seus inimigos; porém os amou mesmo a distância, a tal ponto de dar a sua vida para realizar a reconciliação pelo seu sacrifício na cruz. Assim, Jesus mandou amar os inimigos e não ter intimidade com eles. Fuja dos inimigos que vos perseguem, porém os ame de longe.

3. O amor ágape é incondicionado a roupa social, cultural e religiosa.
 
O olhar de Jesus despia a personagem que todos vestiam para olhar o ser humano que cada pessoa é. Ele não enxergava apenas uma adúltera ou prostituta, mas uma mulher carente de amor. Jesus não enxergava apenas um pobre, ou um leproso ou um endemoniado, mas um ser humano carente, doente e oprimido. Jesus não enxergava impressionado apenas o glamour dos cargos políticos nem o status social e religioso dos fariseus, mas ele enxergava um ser humano perdido e morto em seus pecados. Jesus não enxergava apenas um rico, corrupto, cobrador de impostos, traidor e ladrão como Zaqueu, mas enxergava um homem pobre de espírito, com o coração vazio e carente da maior riqueza do mundo, o amor de Deus. Jesus não enxergava apenas o seu inimigo ofendendo, perseguindo e traindo; mas ele enxergava um ser humano doente no caixão do seu egoísmo. Assim, Jesus amou o ser humano despido de sua roupa social, cultural e religiosa. Isso significa que devemos amar o inimigo, porque antes de ser um inimigo, ele é um ser humano. Por isso, podemos amar o inimigo como Jesus amou.

As palavras e a vida de Jesus ecoam nas palavras de Paulo, apóstolo, que diz: “O amor seja sem hipocrisia...Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal,...abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis...se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber, porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer o mal, mas vence o mal com o bem”. (Rm 12: 9a, 15, 20 e 21). 
Assim, podemos concluir que amar não é sentimento, intimidade nem tratamento condicionado à personalidade, mas amar é dar tudo o que somos e tudo o que temos em favor do bem da pessoa amada; mesmo que seja o teu inimigo, mesmo que seja dar aquilo que a pessoa não deseja, mas precise para gerar transformação e vida. 
Lute e vença o mal do ciclo vicioso e ininterrupto da vingança e do ódio com o bem do amor.

Fonte: http://www.ecosdovale.blogspot.com/

O sentido da vida - Ed René Kivitz

Estudo publicado pela revista britânica Journal of Humanistic Psychology diz ter concluí­do qual é afinal o sentido da vida. Pelo menos na visão de 17% (o maior grupo) das 200 personalidades marcantes cujas palavras foram analisadas por uma equipe de psicólogos americanos, "a vida é para ser desfrutada". Entre os que partilhariam dessa visão estão o ex-presidente dos EUA Thomas Jefferson e a cantora Janis Joplin, que morreu aos 27 anos. Em segundo lugar, aparecem aqueles que acreditavam que o sentido da vida é "amar, ajudar e prestar serviços aos demais". Neste grupo estão o fí­sico Albert Einstein e o líder indiano Mahatma Gandhi. Mas há também os pessimistas, para quem a vida simplesmente não tinha sentido. Onze por cento, segundo o estudo, pensavam dessa forma. Entre eles Sigmund Freud e os escritores Franz Kafka e Jean Paul Sartre. Finalmente, um menor número de estudados pensava que a vida é simplesmente "uma piada". Entre os tais estão o cantor Bob Dylan e o escritor Oscar Wilde.
Acredito que se fosse entrevistado por este grupo de psicólogos, marcaria X em todas as alternativas. Estou entre aqueles que acreditam que o sentido da vida está em viver. O mistério da vida se resolve passo a passo, quando somos capazes de realizar com dignidade o sentido embutido em cada momento e situação. Por isso, o sentido da vida não se equaciona na elucidação dos grandes mistérios, nem no êxtase dos grandes eventos, feitos, ou experiências arrebatadoras. Harold Kushner disse que "tentar encontrar a Grande Resposta para a Grande Pergunta a respeito do problema da vida é como tentar comer a Grande Refeição, para nunca mais ter de se preocupar com a fome". Jesus ensinou que devemos buscar o reino de Deus e sua justiça a cada dia, vivendo o hoje e deixando o amanhã nas mãos do Pai Celestial.
Amar, ajudar e prestar serviços aos demais? Claro. Egoí­smo e narcisismo são da mesma famí­lia da infelicidade, pois qualquer que pretenda encontrar sentido em si mesmo vai se decepcionar. Jesus ensinou que Deus é amor e, portanto, acredito na máxima que diz que quem "não vive para servir, não serve para viver".
Mas há também os pessimistas, para quem a vida simplesmente não tem sentido. E com eles me solidarizo. Os filósofos existencialistas ocupam lugar de honra em minha biblioteca. Também faço suas perguntas. Também sofro a ausência de respostas para muitas delas. A Bí­blia ensina que os dias são maus, pois esse mundo é mau, já que tem como seu deus o Maligno. Não fosse a paz que Jesus dá, paz que o mundo desconhece, eu não suportaria a maldade e as fatalidades que acometem pessoas inocentes e, se não totalmente inocentes, certamente não mais culpadas do que eu.
A afirmação de que a vida é simplesmente "uma piada" também faz eco no meu coração. Mark Twin disse que "ninguém tem mais saúde do que aquele que é capaz de rir de si mesmo". Por isso é que Deus de vez em quando "morre" de rir (Salmo 2.4). Que pena que os pessimistas que consideraram a vida uma piada riram sozinhos, melancólicos, irônicos e se deixaram vencer pelo cinismo e a amargura de alma. Que pena que não aprenderam a rir com Deus. Deus logo após se rir da patética configuração que os homens deram ao mundo, começou a chorar. E porque tanto amou os homens e seu mundo, invadiu a história para redimir tudo com o poder da cruz de Jesus e a vida que deixou vazio o túmulo onde o sepultaram.
Imagino como se comportariam Thomas Jefferson e Janis Joplin, Albert Einstein e Mahatma Gandhi, Sigmund Freud, Franz Kafka e Jean Paul Sartre, Bob Dylan e Oscar Wilde, na maioria dos auditórios evangélicos, por exemplo, na cidade de São Paulo, no próximo domingo. Fico a me perguntar se ouviriam algo que lhes fizesse sentido, uma palavra relevante, uma resposta inteligente. Considero se ficariam impressionados com a reverência no ambiente ou se seriam tomados de temor diante de um povo em profunda adoração. Devo confessar minha incredulidade. Acho que sairiam sacudindo a cabeça, indiferentes, ou até mesmo com mais motivos para o cinismo, o pessimismo, a blasfêmia e a chacota. Paradoxalmente, isto não me desmotiva, nem enfraquece minha fé. Na verdade, revigora minha fé e me faz ser grato a Deus, pelo Espírito Santo que constrange o coração humano, razão pela qual as pessoas continuam sendo convertidas a Deus. Pessoas que eu jamais acreditaria fossem se converter. Inclusive eu.

Nem a Razão nem os Sentimentos - M. Lloyd-Jones


Como devo saber o que é verdade? Qual a minha autoridade em relação a ela? A grande questão atual é a questão da autoridade. Que devo dizer no meio desta babel de vozes? A primeira resposta é que a minha autoridade não deve ser a razão humana. Essa é a autoridade suprema hoje - a razão humana baseada no conhecimento moderno. O que nos dizem é que, porque estamos vivendo numa era científica, toda a situação é diferente. Mas isso é clara, patente e completamente inadequado, porque são tantas as coisas que eu não sei, e são tantas as coisas que eu não entendo! Minha mente é demasiado finita, é pequena demais.

Depois me dizem que a nossa situação hoje depende do conhecimento moderno, e que eu não devo confiar num conhecimento que vem do passado. Isso, porém, me deixa na seguinte situação: se, à luz do meu conhecimento, eu digo que o grosso do "conhecimento" passado estava errado, sei perfeitamente que daqui a cinqüenta ou cem anos as pessoas estarão dizendo exatamente a mesma coisa sobre o meu conhecimento atual; portanto, o que eu sei agora provavelmente estará errado. Não tenho nada; estou em areia movediça, e me defronto com uma oscilante escala da verdade.

Mas, fora isso, que é a razão humana-a razão de qualquer homem -quando encaradapela razão, pelo conhecimento, pela inteligência e pela astúcia do diabo? "Não temos que lutar contra a carne e o sangue." Não estamos meramente argumentando com homens, estamos argumentando com a maior mente do universo inteiro, depois da mente do Deus triúno. Essa é, como vocês devem recordar, a constante ênfase do apóstolo - as artimanhas e as astúcias do diabo. E a história que nos é dada na Bíblia é uma ilustração dessa astúcia. Ela mostra como as melhores, as maiores e as mais santas mentes foram laçadas pelo diabo; os melhores homens tiveram os seus extravios. Se eu puser a minha confiança na razão humana, também serei derrotado. Você não pode confiar em sua razão; ela é pequena demais, é deveras inadequada. Todavia, é o que os homens estão fazendo hoje. Estão confiando em sua razão e criticando a Bíblia; criticam até o Senhor Jesus Cristo! "Ele era um filho da Sua era", dizem eles, "Ele não tinha a mínima possibilidade de saber o que nós sabemos."


Essa é a razão humana, o conhecimento humano, a razão colocada na posição suprema; e deixam você sem nenhuma autoridade superior. A nossa autoridade final não pode ser a razão.

Que dizer dos meus sentimentos? Os sentimentos são colocados na posição de autoridade por muitos hoje, porque as mentes mais sinceras têm de admitir que, em última instância, a razão falha. As duas guerras mundiais destroçaram a fé na razão humana, que caracterizou a primeira parte do século atual. O humanismo foi grandemente ridicularizado e desacreditado pelas duas guerras mundiais. Por isso, muitos se afastaram dele e estão dando um salto para a esfera do "sentimento". "Ah", dizem eles, "não tente entender demais, não tente raciocinar. É o que você sente, é o que você experimenta que importa- este algo indefinível que o "apanha"!"

Mas os sentimentos não podem ser a nossa autoridade final, porque, como bem sabemos, eles são instáveis e não são confiáveis. Eles vêm e vão, e você nunca sabe o que poderão ser. "Não ouso confiar na disposição mais fina", diz um autor de hinos, porque amanhã ela poderá ter desaparecido. Se eu estiver sendo governado por meus sentimentos, ver-me-ei mudando constantemente-às vezes feliz, às vezes infeliz, às vezes achando que está tudo bem, ora achando que tudo vai mal, ora emocionado pela leitura da Bíblia, outras vezes tendo que me esforçar para extrair algo dela, sentindo-me frio, árido, lerdo, tolo! Não seria essa a sua experiência? Se é assim, como você pode confiar nos sentimentos como sua autoridade?

Lembrem-se também de que os sentimentos podem ser facilmente simulados. Se o que é agradável é necessariamente bom, se o que me causa um sentimento prazeroso e an imador tem que ser certo, então não tenho como responder às seitas. Eu teria que dizer pura e simplesmente: "Pois bem, busque-as. Tudo o que o faça sentir-se melhor, qualquer coisa que lhe dê algum descanso e alívio é bom; siga isso. Qualquer coisa que faça de você um melhor homem só pode estar certa; siga-a". Se confiamos meramente na prova pragmática do que me faz sentir melhor, não temos nenhum padrão. Não posso criticar nenhum ensino. É tão inteiramente subjetivo que eu não tenho padrão de espécie alguma.
Prossigamos, porém. Se a autoriade não é a razão e não é o sentimento, será possível que é a Igreja? Aí está sempre a igreja católica romana, é claro, alegando que a sua autoridade é final. "Oh, sim", diz ela, "aBíbliaé muito boa, contudo não é suficiente. Nós temos acrescentado algo a ela, tivemos revelação adicional. Você deve crer na Igreja tanto como na Bíblia." Aí está essa pequenina "corrente", que tão depressa.

Fonte: http://www.martynlloyd-jones.com/