O aplauso dos homens era o vento que impulsionava a vela dos religiosos nos dias de Jesus...
O aplauso dos homens era o vento que impulsionava a vela da vida dos Fariseus...
Fonte: http://www.josemarbessa.com/
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
No que Consiste a Santidade? - Jonathan Edwards
Deus preza a santidade na criatura e a santidade é, em essência, prezar a Deus
Temos aqui duas coisas para as quais precisamos atentai" em particular.
(1) Em Deus, o amor por si mesmo e o amor do público não devem ser diferençados, como no caso do homem, pois o ser de Deus compreende todas as coisas. Uma vez que a sua existência é infinita, deve ser equivalente à existência universal. E, pelo mesmo motivo [o fato] de a afeição pública na criatura ser apropriada e bela, [segue-se que] a deferência de Deus por si mesmo também o é.
(2) Em Deus, o amor àquilo que é apropriado e decoroso não pode ser algo distinto do amor dele por si mesmo, pois o amor de Deus é o que constitui, fundamentalmente e acima de tudo, toda a santidade, a qual deve consistir, em essência, do amor dele por si mesmo. Logo, se a santidade de Deus consiste do seu amor por si mesmo, fica implícita uma aprovação da estima e do amor dos outros por ele, pois um ser que se ama, necessariamente, ama amar-se. Se a santidade em Deus consiste principalmente em amor por si mesmo, a santidade na criatura deve, principalmente, consistir em amar a ele. E, se Deus ama a santidade nele mesmo, deve amá-la na criatura.
De acordo com a visão dos filósofos mais recentes e renomados, a virtude se encontra na afeição pública ou na benevolência geral. E, se a essência da virtude está em princípio nisso, o amor à virtude é igualmente virtuoso, uma vez que fica subentendido ou tem origem nessa afeição pública ou benevolência mais ampla da mente. Porquanto, se um homem ama o público de fato, também ama, necessariamente, o amor ao público.
Quando Deus faz da virtude o seu fim, faz de si mesmo o seu fim, uma vez que a virtude é a benevolência para com o Ser, ou seja, Deus.
Portanto, pelo mesmo motivo, se a benevolência universal no sentido mais nobre é a mesma coisa que a benevolência para com o Ser Divino, o qual é, na verdade, o Ser Universal, segue-se que o amor à virtude, em si, é igualmente virtuoso, uma vez que fica subentendido ou tem origem no amor ao Ser Divino.53 Em decorrência disso, o amor de Deus pela virtude fica implícito no seu amor por si mesmo e é igualmente virtuoso, uma vez que tem origem no amor dele por si mesmo. Assim, a disposição virtuosa de Deus, manifesta no amor à santidade da criatura, deve ser considerada parte do amor dele por si mesmo. E, por conseguinte, sempre que ele faz da virtude o seu fim, faz de si mesmo o seu fim. Logo, uma vez que Deus é um Ser absolutamente abrangente, todas as suas perfeições morais - sua santidade, justiça, graça e benevolência - devem, de um modo ou de outro, ser consideradas parte de uma deferência suprema e infinita por si mesmo. Nesse caso, não há dificuldade em supor que é apropriado para Deus fazer de si mesmo o fim supremo e maior nas suas obras.
Observo aqui, a propósito, que se há quem insista que convém a Deus amar e se deleitar na virtude da sua criatura em razão dela mesma, de tal modo que não a ama por deferência a ele mesmo, essa afirmação contradiz a objeção anterior ao fato de Deus se deleitar na transmissão de si mesmo, ou seja, que, tendo em vista Deus ser perfeitamente independente e auto-suficiente, a sua felicidade e o seu prazer consistem em desfrutar de si mesmo. Assim, se a mesma pessoa levanta essas duas objeções, se mostra incoerente.
Ovelhas e Ovelhas - C. H. Spurgeon
“Julgarei entre ovelhas e ovelhas” (Ez 34.22)
Algumas ovelhas são gordas, robustas e, por esta razão, indelicadas para com as mais fracas. Este é um pecado grave e causa muita tristeza. Aqueles safanões com os ombros e com a barriga, aqueles empurrões das doentes, com os chifres, são meios desagradáveis usados para ofensa, na assembléia dos que professam ser crentes. O Senhor toma nota desses atos soberbos e maldosos, e se mostra bastante irado por causa de tais atos, visto que Ele ama as ovelhas fracas.
Você é uma dessas ovelhas rejeitadas?
Você é um daqueles que lamenta em Sião e está marcado por causa de sua consciência tenra? Os seus irmãos o julgam com severidade? Não fique ressentido pela conduta deles. Acima de tudo, não revide com safanões e empurrões. Entregue o assunto nas mãos do Senhor. Ele é o juiz. Por que devemos nos intrometer em um de seus ofícios? Ele decidirá com mais retidão do que somos capazes de julgar. Seu tempo de julgamento é o melhor; e não devemos nos apressar para antecipá-lo.
O opressor que tem o coração endurecido deve tremer ante essa verdade. Embora no presente ele trate alguém com crueldade e permaneça impune, todas as suas palavras severas são anotadas; e de cada uma delas ele prestará contas no tribunal do Juiz Supremo.
Tem paciência, é minha alma! Tem paciência! O Senhor conhece a tua aflição. Ele tem compaixão de ti.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Igrejismo ou Reinismo?
A Igreja do Futuro não pode ser em-si-mesmada, isto é, voltada para si mesma, mas para o mundo, tendo por objetivo primordial a implantação do Reino de Deus. Ela tem que ser reinista, em vez de ser igrejista. '
Assim como o Espírito Santo não chama a atenção para Si, mas para Cristo, a Igreja do Futuro não pretende ser o centro das atenções, mas projeta seus holofotes para a nova humanidade, a ser edificada ao redor do Trono.
A igreja contemporânea (salvo exceções), não passa de uma caricatura mal acabada da verdadeira igreja de Cristo, cujo protótipo pode ser claramente visto nas páginas de Atos dos Apóstolos.
Urge reformularmos nossa concepção eclesiológica.
A igreja enquanto instituição deveria ser vista como a placenta onde a nova humanidade está sendo gestada. Quando chegar a hora do parto, a placenta pra nada mais servirá, e será descartada.
Por isso, não há templos na Sociedade Definitiva vislumbrada por João em Apocalipse.
A igreja é o andaime usado pelo Grande Construtor,que será removido tão logo a obra tenha sido concluída.
A Igreja que perdurará por toda a Eternidade é a Nova Humanidade, a Civilização do Amor, que tem como Cabeça o Novo Adão, Jesus Cristo.
Enquanto a "igreja" insistir em trabalhar voltada para si mesma, e para a manutenção de seus projetos, ela estará fadada a perder a relevância no Mundo. A igreja precisa converter-se ao Mundo, pois foi para o benefício dele que ela foi levantada.
Paradigma Igrejista x Paradigma Reinista
O neologismo “igrejismo” aponta para a concepção eclesiológica vigente em nossos dias, onde a igreja se confunde com o próprio Reino de Deus, e se acha o centro das atividades divinas entre os homens.
O igrejismo é mais do que uma concepção, é uma postura promotora de alienação e sectarismo. A igreja acaba por se tornar um gueto religioso, com sua própria subcultura, repleta de jargões e clichês.
Já o neologismo “reinismo” pretende resgatar uma concepção eclesiológica bíblica e condizente com os anseios da pós-modernidade, onde se mantém a distinção entre o Reino e a Igreja, e o foco deixa de ser as atividades religiosas para ser o agir de Deus na História, envolvendo todas as dimensões da existência humana.
Ser reinista não é apenas pertencer a uma agremiação eclesiástica, mas ser um agente do Reino de Deus, empenhado na transformação do Mundo por intermédio da implementação do conjunto de valores e princípios ensinados por Jesus.
Neste contexto, a igreja é o farol, a humanidade é o navio, e o Reino de Deus é o Porto Seguro.
Um farol não pode apontar sua luz para si mesmo. Seu papel é iluminar o caminho, possibilitando ao navio chegar seguro ao porto. Assim, a igreja tem a missão de ser paradigma civilizatório, a fim de que as nações andem à sua luz. A igreja deve ser uma espécie de microcosmos, de protótipo, de amostra grátis, de plano piloto. Ela, portanto, não é um fim em si mesma.
A Igreja do Futuro deve ser proativa, em vez de reativa. Deve antecipar-se, como fez a mulher que derramou o perfume sobre Jesus. Deve ser vanguardista. O Mundo deve conformar-se aos valores por ela apregoados, e não vice-versa. Ela deve estar sempre um pé à frente, e isso com respeito a qualquer questão de interesse humano. Ela não apenas responde questões pertinentes ao seu tempo, como prevê questões que ainda surgirão, e busca respondê-las ainda antes que se tornem pertinentes.
Embora sua origem seja celestial, ela emerge da realidade em que está inserida. Portanto, ela só pode ser emergente, se for antes, imergente. Ao emergir, ela atrai para si, não os holofotes, mas a responsabilidade por tudo o que diz respeito à condição humana e suas demandas. Por isso, ela é convergente. Sua cosmovisão é ampla e abarca a realidade como um todo, desde a cultura, a educação, as ciências, a justiça social e o meio-ambiente.
Hermes Fernandes
Fonte: http://www.genizahvirtual.com/
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Quem Crê em Tudo, não Crê em Nada
Por C. H. Spurgeon
Sem fé é impossível agradar a Deus." Se agradamos a Deus, não é por nosso talento, e sim por nossa fé.
Atualmente necessitamos de muita fé na forma de crença fixa. Devemos saber mais do que antes; procuramos desenvolver, mas não como alguns, pois não pertencemos à escola liberal daqueles que crêem pouco ou nada com convicção, porque desejam crer em tudo. Alguns não têm credo, ou se o possuem, o alteram tão freqüentemente que não lhes serve para nada. Variadas são as crenças e as incredulidades de alguns, um aglomerado de conceitos filosóficos, teorias científicas, resíduos teológicos e invenções heréticas.
Quando tais "eruditos" se referem a nós, manifestam grande desprezo e demonstram crer que somos estúpidos por natureza. Pode ocorrer que alguém esteja se mirando num espelho quando julga estar comtemplando o vizinho pela janela. Atrevo-me a dizer que não devemos temer ante a perspectiva de medir forças com os seguidores do "pensamento moderno". Seja assim ou não, a nós nos compete crer. Cremos que quando o nosso Deus fez uma revelação, sabia o que queria e pensava, e Se expressou da maneira melhor e mais sábia, em linguagem que pode ser entendida pelos que são sinceros e desejosos de aprender. Portanto cremos que não necessitamos de nova revelação, e que a idéia que há de surgir outra luz é praticamente incredulidade segundo a luz que já recebemos, visto que a luz da verdade é una. Embora a Bíblia tenha sido distorcida e posta a ridículo por mãos sacrílegas, continua sendo a revelação infalível de Deus. O aspecto mais importante da nossa religião é aceitar humildemente o que Ele tem revelado. Talvez a forma mais elevada possível de adoração é a submissão de todo o nosso ser mental e espiritual ante o pensamento revelado de Deus, o entendimento prostrado, ante aquela sagrada presença, cuja glória faz com que os anjos cubram os rostos. Aqueles que desejarem, adorem a ciência, a razão ou seus próprios raciocínios; contudo nosso deleite é prostrar-nos ante o Senhor Deus e dizer: "Este Deus é o nosso Deus para sempre; Ele será nosso guia até à morte.
Reunam-se em torno do antigo estandarte. Lutem até à morte pelo evangelho imutável, pois é a sua vida. Que a cruz de Cristo esteja sempre em proeminência, e que todas as benditas verdades que a cercam sejam mantidas com todo o coração.
Precisamos ter fé — não só na forma de credo fixo — mas também na forma de constante dependência de Deus. Se me perguntasse qual a mais agradável disposição de ânimo dentro de toda a gama dos sentimentos humanos, não falaria do poder da oração, ou da abundância de revelação, ou de gozos arrebatados ou vitória sobre os espíritos maus; mencionaria como o mais estranho deleite do meu ser, o estado em que se experimenta uma consciente dependência de Deus. Freqüentemente esta experiência tem vindo acompanhada de enormes dores físicas e profundas humilhações do espírito, mas é inexplicavelmente agradável cair passivamente nas mãos do amor e morrer absorvido na vida de Cristo. É um deleite chegar à compreensão de que você não sabe, mas seu Pai celestial sabe; você não pode falar, mas "temos um advogado"; quase não pode levantar a mão, porém Ele opera todas as coisas em você. A absoluta submissão das nossas almas ao Senhor, o pleno contentamento do coração ante a vontade e os caminhos de Deus, a segura confiança do espírito quanto à presença e ao poder do Senhor; isto é o mais próximo ao céu que pode ocorrer conosco. É melhor que o êxtase, pois qualquer um pode permanecer nessa experiência sem esforço ou reação.
"Ah, não ser nada, nada; apenas permanecer aos Seus pés." Não é uma sensação tão sublime como voar em asas de águia; quanto à doçura no entanto ela é profunda, misteriosa, indescritível e insuperável. É uma bem-aventurança na qual se pode pensar, um gozo que nunca parece ser roubado; pois não resta dúvida de que um pobre e frágil filho de Deus tem direito indiscutível a depender do Pai, direito a não ser nada na presença dAquele que o sustém. Gratifica-me pregar nesse estado de ânimo, como se não fora pregar, mas esperar que o Espírito Santo fale por mim. Presidir dessa maneira as reuniões de oração e da igreja, e toda a espécie de atividades, redundará em sabe¬doria e gozo para nós. Geralmente cometemos nossos maiores erros nos assuntos mais fáceis, achando tudo tão simples que não pedimos a Deus que nos guie e julgando que nossa própria capacidade será suficiente. Todavia, as graves dificuldades, essas nós levamos a Deus. Bondosamente Ele dá aos jovens prudência e aos simples conhecimento e discrição por meio delas. A dependência de Deus é a fonte inesgotável da eficácia. Aquele verdadeiro santo de Deus, George Muller, me surpreende sempre, por ser uma pessoa que depende tão simples e puerilmente de Deus; mas, lamentavelmente, a maioria de nós se julga demasiadamente grande para que Deus nos use. Sabemos pregar tão bem que fazemos um sermão de qualquer coisa...e fracassamos. Cuidado, irmãos, pois se julgamos que podemos fazer algo por nós mesmos, tudo que obteremos de Deus será a oportunidade de prová-lo. Deste modo, Ele nos examinará, e nos permitirá ver nossa incapacidade. Certo alquimista, que servia ao papa Leão X, declarou que havia descoberto como transformar os metais vis em ouro. Esperava receber grande soma de dinheiro por seu invento, mas Leão não era tão bobo; deu-lhe tão somente uma enorme bolsa para que guardasse o ouro que fizesse. Nesta resposta havia tanto sabedoria como sarcasmo. Isto é precisamente o que Deus faz com os orgulhosos; permite-lhes ter a oportunidade de fazer o que se jactavam de poder fazer. Jamais soube de alguma moeda de ouro que tenha chegado a cair na bolsa de Leão; estou certo de que vocês jamais serão espiritualmente ricos pelo que podem fazer com as próprias forças. Despojem-se das suas próprias vestimentas, e então Deus poderá comprazer-Se em revestir-lhes de honra, mas nunca antes.
É essencial que demonstremos fé em forma de confiança em Deus. Seria grande calamidade que alguém afirmasse de vocês: "Tem um excelente caráter moral e dons notáveis, mas não confia em Deus." Necessidade importante é a fé. O apostolo recomenda: "Tomando sobretudo o escudo da fé." Pena é que alguns vão à luta deixando o escudo em casa. Terrível é pensar num sermão que tivesse todas as qualidades que um sermão precisa possuir e, no entanto, constatar que o pregador não confiasse no Espírito Santo para abençoá-lo de modo a converter almas. Tal mensagem seria vã. Nenhum sermão será o que deveria ser se lhe faltar a fé; equivale a dizer que um corpo está sadio quando a vida já se extinguiu. É admirável ver alguém humildemente consciente da sua própria fraqueza e ao mesmo tempo bastante confiante no poder divino para atuar por meio das suas limitações. Se intentamos fazer grandes coisas, não nos excederemos na tentativa; esperando notáveis feitos, não cairemos desenganados em nossas esperanças. Alguém interrogou a Nelson se não eram perigosos determinados movimentos de seus navios, e a resposta foi: "Pode ser perigoso, mas em assuntos navais nada há impossível ou improvável." Atrevo-me a asseverar que, no serviço de Deus, nada é impossível e nada é improvável. Empreendam grandes coisas em nome de Deus; arrisquem tudo, confiados em Sua promessa, e conforme a sua fé lhes será feito.
Oxalá tivéssemos mais coragem, mais ânimo, mais "garra". Intentemos grandes coisas, porque os que confiam no Senhor vencem acima de todas as esperanças. Este é o tipo de fé da qual necessitamos cada vez mais; confiar em Deus de tal maneira, que em Seu nome ponhamos a mão no arado. É ocioso passar o tempo fazendo planos e modificando-os, sem nada fazer; o melhor plano para executar a obra de Deus é realizá-la. Irmãos, se não crêem em mais ninguém, confiem em Deus sem reservas. Creiam plenamente. Crer na Palavra de Deus é o mais razoável que temos a fazer; é seguir o caminho mais simples que devemos tomar; é a norma menos perigosa que podemos adotar, inclusive quanto ao cuidado de nós mesmos, pois Jesus declara: "Qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas o que perder sua vida por minha causa, a achará." Exponhamo-nos a tudo, confiados na fidelidade absoluta de Deus, e jamais seremos envergonhados ou confundidos.
Fonte: http://ministeriobbereia.blogspot.com/
Qual a Natureza do Verdadeiro Cristianismo? – Jonathan Edwards
NÃO há questão de maior importância para a humanidade, e que seja mais concernente a cada pessoa individual para ser bem resolvida, do que esta: Quais são as qualificações distintivas daqueles que estão em favor com Deus, e designadas às Suas eternas recompensas? Ou, o que vem ser a mesma coisa, Qual é a natureza da verdadeira religião? E onde descansa as marcas distintivas daquela virtude e santidade que é aceitável aos olhos de Deus? Mas, embora isto seja de tal importância, e apesar de termos clara e abundante luz na Palavra de Deus para nos dirigir neste assunto, todavia não há um ponto em que os Cristãos professos façam mais diferença um do outro. Seria sem fim calcular a variedade de opiniões, neste ponto, que divide o mundo Cristão; fazendo manifesta a verdade da declaração de nosso Salvador: “Estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem”.
A consideração destas coisas tem por muito tempo me engajado a atentar para esta matéria com a maior diligência e cuidado, e toda a exatidão de busca e investigação de que eu fui capaz. Este é um assunto sobre o qual minha mente tem sido peculiarmente solícita, desde a primeira vez que entrei no estudo da teologia. — Mas quanto ao sucesso de minhas investigações, isto deve ser deixado ao julgamento do leitor do tratado que se segue.
Sou consciente de que é difícil julgar imparcialmente o assunto deste discurso, no meio da poeira e fumaça da presente controvérsia, sobre as coisas desta natureza. Pois, assim como é muito difícil escrever imparcialmente, do mesmo modo é muito difícil ler imparcialmente. — Muitos provavelmente serão magoados, ao encontrar tanto do que pertence às afeições religiosas, aqui condenadas: e talvez indignações e desprezo serão excitados em outros, ao achar tanto justificado e aprovado. E pode ser que alguns estarão prontos para acusar-me de inconsistência comigo mesmo, em tanto aprovando algumas coisas, como condenando outras; como tenho encontrado, isto tem sido sempre objetado a mim por alguns, desde o princípio de nossas últimas controvérsias sobre religião. É uma coisa difícil ser um sincero e zeloso amigo do qual tem sido bom e glorioso nas últimas aparências extraordinárias, e regozijar muito nele; e ao mesmo tempo, ver a tendência má e perniciosa dos que tem sido maus, e ardentemente opor a isso. Mas, todavia, estou humildemente, mas inteiramente persuadido que nós nunca estaremos no caminho da verdade, um caminho aceitável a Deus, e tendendo ao avanço do reino de Cristo, até que façamos assim. Há certamente algo muito misterioso nisto, esse tão bom e esse tão mau, devem ser misturado juntamente na igreja de Deus: como é uma coisa misteriosa, e que tem embaraçado e assombrado muitos bons Cristãos, que deva existir o que é tão divino e precioso, como a graça salvadora de Deus, residindo no mesmo coração, com tanta corrupção, hipocrisia, e iniqüidade, em um santo em particular. Contudo, nenhum destes é mais misterioso do que real. E nenhum deles é uma coisa nova. Não é uma coisa nova, que tanta falsa religião deva prevalecer no tempo de grande reavivamento; e que, ao mesmo tempo, multidões de hipócritas devam brotar entre os verdadeiros santos. Foi assim na grande reforma, e reavivamento da religião, no tempo de Josias; como aparece em Jeremias 3:10, e Jeremias 4:3,4, e também pela grande apostasia que houve na nação, tão logo após seu reinado. Assim foi com o grande derramamento do Espírito sobre os Judeus, nos dias de João Batista; como se mostra pela grande apostasia daquele povo, tão logo depois de tão geral despertamento, e os temporários confortos e alegrias de muitos; João 5:35: “E vós quisestes alegrar-vos por um pouco de tempo com a sua luz”. Assim foi naquelas grandes comoções entre a multidão, ocasionas pela pregação de Jesus Cristo. Muitos são chamados, mas poucos escolhidos ; da multidão que foi excitada e afetada pela Sua pregação — e em um tempo ou outro pareciam poderosamente engajados, cheios de admiração por Cristo, e elevados com alegria — mas poucos eram verdadeiros discípulos, que agüentaram os abalos das provas, e perseveraram até o fim. Muitos eram semelhantes a terra pedregosa ou espinhosa; e porém poucos, comparativamente, eram semelhantes a boa terra. Do monte inteiro que foi recolhido, grande parte era palha, que o vento mais tarde levou; e o monte de trigo que foi deixado, era comparativamente pequeno; assim como aparece abundantemente pela história do Novo Testamento. Assim foi no grande derramamento do Espírito que houve nos dias dos apóstolos; como se mostra por Mateus 24:10-13; Gálatas 3:1; e 4:11,15; Filipenses 2:21; e capítulo 3:18,19, e as duas epístolas aos Coríntios, e muitas outras partes do Novo Testamento. E assim foi na grande reforma do papismo — Parece claramente ter estado na igreja visível de Deus, nos tempos dos grandes reavivamentos, assim como as árvores frutíferas na primavera; há uma multidão de flores, que parecem legítimas e belas, e há uma aparência promissora de frutos novos: mas muitos delas são de curta duração; elas breve murcharão, e nunca chegarão a maturidade.
Não é, contudo, para ser suposto que será sempre assim. Porque embora nunca haverá, neste mundo, uma inteira pureza, em cada um dos santos em particular, por uma perfeita libertação das misturas de corrupção, ou na igreja de Deus, sem qualquer mistura de hipócritas com santos — ou religião falsifica e falsas aparências de graça com verdadeira religião e real santidade — todavia é evidente, virá um tempo de pureza muito maior na igreja, do que tem havido nas erras passadas. Isto se mostra claramente por estes textos das Escrituras: Isaías 52:1; Ezequiel 44:6,7,9; Joel 3:17; Zacarias 14:21; Salmos 69:32,35,36; Isaías 35:8,10; capítulo 4:3,4; Ezequiel 20:38; Salmos 37:9,10,11,29. E uma grande razão disto será que naquele tempo, Deus dará uma luz muito maior para Seu povo, para distinguir entre a verdadeira religião e suas falsificações. Malaquias 3:3: “E assentar-se-á como fundidor e purificador de prata; e purificará os filhos de Levi, e os refinará como ouro e como prata; então ao SENHOR trarão oferta em justiça”. Com o versículo 18, que é a continuação da profecia dos mesmos tempos felizes: “Então voltareis e vereis a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que não o serve”.
É pela mistura da falsificada religião com a verdadeira, não discernida e distinguida, que o diabo tem tido suas maiores vantagens contra a causa e o reino de Cristo. É por este meios, principalmente, que ele tem prevalecido contra todos os reavivamentos da religião, desde a fundação da igreja Cristã. Com isto, ele prejudicou a causa do Cristianismo, tanto na era apostólica como depois, tanto mais do que por todas as perseguições tanto de Judeus como de gentios. Os apóstolos, em todas suas epístolas, nos mostram muito mais concernente ao primeiro dano, do que o segundo. Com isto, Satã prevaleceu contra o reforma, iniciada por Lutero, Zwínglio, etc., para colocar uma parada em seu progresso, e traze-la à desgraça, dez vezes mais do que por todas aquelas sanguinárias e cruéis perseguições da igreja de Roma. Com isto, principalmente, ele prevaleceu contra os reavivamentos da religião em nossa nação. Com isto ele prevaleceu contra a Nova Inglaterra, apagando o amor e saqueando a alegria de seus matrimônios, aproximadamente cem anos atrás. E penso que tive bastante oportunidades para ver claramente, que por isto o diabo tem prevalecido contra o último grande reavivamento da religião na Nova Inglaterra, tão feliz e prometedor em seu princípio. Aqui, mais evidentemente, tem sido a principal vantagem de Satã contra nós; por isto ele tem nos frustrado. É por estes meios que a filha de Sião nesta terra agora descansa no chão, em semelhantes lastimosas circunstâncias, com seus vestuários rasgados, sua face desfigurada, sua nudez exposta, seus membros quebrados, e encapelando no sangue de suas próprias feridas, e de maneira nenhuma capaz de levantar; e isto, tão rapidamente depois de sua última grande felicidade e esperança. Lamentações 1:17: “Estende Sião as suas mãos, não há quem a console; mandou o SENHOR acerca de Jacó que lhe fossem inimigos os que estão em redor dele; Jerusalém é entre eles como uma mulher imunda”. Tenho visto o diabo prevalecer pelo mesmo caminho, contra dois grandes reavivamentos de religião neste país. — Satã continua com a humanidade assim como ele começou com eles. Ele prevaleceu contra nossos primeiros pais, e lhes arremessou para fora do paraíso, e subitamente trouxe toda sua felicidade e glória ao fim, aparentando ser um amigo de seu estado feliz, e fingindo avançar-lhes a um degrau mais alto. Assim, a mesma serpente perspicaz que enganou Eva através de sua astúcia, nos apartando da simplicidade que há em Cristo, tem subitamente nos privado daquele justo prospecto que tínhamos, há pouco tempo atrás, de uma espécie de estado paradisíaco da igreja de Deus na Nova Inglaterra.
Após a religião reviver na igreja de Deus, e os inimigos aparecer, as pessoas que são engajadas a defender sua causa são comumente mais expostas, onde elas estão sensíveis de perigo. Enquanto elas estão inteiramente atentas sobre a oposição que aparece abertamente diante deles, para fazer cabeça contra esta, e enquanto elas negligenciam cuidadosamente para olhar ao redor, o diabo vem atrás deles, e dá uma punhalada fatal não vista; e ele tem oportunidade para dar uma pancada mais interna, e machucar o profundo, porque ele ataca em seu descanso e não sendo obstruído por nenhuma guarda ou resistência.
E assim provavelmente sempre será na igreja, não importa quando a religião reviver consideravelmente, até que nós tenhamos aprendido bem a distinguir entre a verdadeira e a falsa religião, entre as emoções e experiências salvíficas e aquelas diversas impressões atraentes e aparências brilhantes, pelas quais elas são falsificadas; as conseqüências das quais, quando elas não são distinguidas, são freqüentemente indizivelmente terríveis. Por estes meios , o diabo gratifica a si mesmo, pois as multidões oferecem uma adoração falsa a Deus sob a ilusão de um culto aceitável, que é na realidade acima de todas as coisas abominável a Ele. Por estes meios, ele ludibriou grandes multidões sobre o estado de suas almas; fazendo-lhes pensar que eles são alguma coisa, quando eles não são nada; e assim eternamente lhes desfazendo; e não somente assim, mas estabelecendo muitos na forte confiança de sua eminente santidade, que, aos olhos de Deus, são alguns dos vis hipócritas. Por este meios, ele muitas vezes desanimou e feriu a religião nos corações dos santos, obscureceu e deformou-a pelas misturas corrompidas, fez com que suas emoções religiosas tristemente se degenerassem, e algumas vezes, por um considerável tempo, ser como o maná que produziu vermes e fedor; e terrivelmente enlaçou e confundiu as mentes de outros, trazendo-lhes à grandes dificuldades e tentações, e embaraçando-lhes em uma vastidão, dentre os quais eles não podiam de forma alguma se desembaraçar. Por estes meios, Satanás poderosamente encoraja os corações dos inimigos explícitos, fortalecendo suas mãos, enchendo-lhes com armas, e fortalecendo suas fortalezas; quando ao mesmo tempo, a religião e a igreja de Deus permanece exposta a eles, como uma cidade sem muralhas. Por estes meios, ele faz com que os homens ímpios pequem na ilusão de estarem servindo a Deus; e portanto, pecam sem restrições, sim, com ardente solicitude e zelo, e com todo sua força. Por estes meios, ele faz que até os amigos da religião, insensivelmente, façam o trabalho de seus inimigos, destruindo a religião em uma maneira mais eficaz do que os inimigos declarados podem fazer, na ilusão de o estarem fazendo progredir. Por estes meios, o diabo dispersa o rebanho de Cristo, e colocá-os uns contra os outros com grande calor de espírito, sob uma noção de zelo por Deus; e a religião, gradualmente, degenera em vãs disputas. Durante os conflitos, Satanás conduz ambas as partes para fora do caminho correto, dividindo cada um em grandes extremos, um na mão direita, e o outro na esquerda, conforme ele os encontra mais inclinados, ou mais facilmente movidos e oscilantes, até que o caminho correto no meio é quase completamente negligenciado. No meio desta confusão, o diabo tem grande oportunidade para avançar em seu próprio interesse, para fazê-lo forte de inumeráveis modos, de obter o governo de todas as coisas em suas próprias mãos, e operar sua própria vontade. E pelo que é visto das terríveis conseqüências desta falsificação, quando não distinguida da verdadeira religião, o povo de Deus em geral têm suas mentes perturbadas na religião, e não sabem onde colocar os seus pés, ou o que pensar, e muitos são trazidos à duvidar de o quer que seja na religião; e heresia, infidelidade, e ateísmo prevalece grandemente.
Conseqüentemente, é vital que nos esforcemos ao máximo para claramente discernir, e ter bem assentado e estabelecido, no que consiste a verdadeira religião. Até que isto seja feito, não podemos esperar que grandes avivamentos de religião tenham longa duração; até que isto seja feito, não podemos esperar muito proveito de todos nossos calorosos debates, em conversação e a partir da impressa, não sabendo claramente e distintivamente o que devemos contender.
Meu propósito é contribuir com o meu pouco, e usar o meu melhor (embora débil) esforçando-me para este fim, no subseqüente tratado: no qual deve ser notado que é um tanto diferente do propósito de que eu tinha anteriormente publicado, que foi para mostrar As marcas distintivas da obra do Espírito de Deus, incluindo tanto suas operações comuns e salvifícas. O que tenciono agora, é mostrar a natureza e sinais das graciosas operações do Espírito de Deus, pelas quais elas são distinguidas de todas as outras — sejam quais forem - que não são de uma natureza salvífica. Se eu for sucedido nesta minha intenção, em qualquer medida tolerável, espero que tenda a promover o interesse da religião. E se eu for sucedido em trazer alguma luz para este assunto ou não, e embora meus esforços possam ser reprovados, nestes tempos ardilosos e censuradores, espero na misericórdia da graça e justiça de Deus, para aceitação da sinceridade de meus esforços; e espero também pelo candor e orações dos verdadeiros seguidores do manso e benevolente Cordeiro de Deus.
Fonte: http://www.jonathanedwards.com.br/
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