sábado, 23 de outubro de 2010

O que Spurgeon pregaria hoje?

                                                                                                                                                                                                                 

O que Spurgeon pregaria hoje?



















E como o público evangélico reagiria às suas contundentes pregações?


O pregador inglês Charles Haddon Spurgeon nasceu em 19 de junho de 1834 e começou a pregar em 1850. Ele, que tem sido considerado o príncipe dos pregadores e um apologista exemplar, pregou o Evangelho e combateu heresias e modismos de seu tempo até 1892, quando partiu para a eternidade. As citações abaixo deixam-nos com a impressão de que ele se referia aos trabalhosos dias em que vivemos...

"A apatia está em toda parte. Ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso. Um sermão é um sermão, não importa o assunto; só que, quanto mais curto, melhor" ("Preface", 
The Sword and the Trowel [1888, volume completo], p.iii).

Meu Deus, se naquela época as coisas já estavam assim, o que Spurgeon diria hoje?!

"Haveria Jesus de ascender ao trono por meio da cruz, enquanto nós esperamos ser conduzidos para lá nos ombros das multidões, em meio a aplausos? (...) se você não estiver disposto a carregar a cruz de Cristo, volte à sua fazenda ou ao seu negócio e tire deles o máximo que puder, mas permita-me sussurrar em seus ouvidos: 'Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?'" ("Holding Fast the Faith", 
The Metropolitan Tabernacle Pulpit, vol.34 [Londes, Passmore and Alabaster, 1888], p.78).

O sermão acima foi pregado em 5 de fevereiro de 1888, quando Spurgeon estava sendo censurado por defender o Evangelho. O que ele falaria hoje das pregações antropocêntricas, que nada falam acerca do Senhor Jesus e sua gloriosa obra vicária?

"Estão as igrejas vivenciando uma condição saudável ao terem apenas uma reunião de oração por semana e serem poucos que a frequentam?" ("Another Word Concerning the Down-Grade",
The Sword and the Trowel [agosto, 1887], pp.397,398).

Infelizmente, o chamado "louvorzão" tem substituído o período de oração, em nossos cultos. Spurgeon ainda fala!

"O fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada, podemos, ao menos, prevenir os homens quanto à sua existência e suplicar que fujam dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhe tragam satisfação. Na falta de pão, se alimentam de cinzas; rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice" ("Another Word Concerning the Down-Grade", 
The Sword and the Trowel [agosto, 1887], p.398).

Spurgeon disse isso em 1887 mesmo?!

"Não há dúvidas de que todo tipo de entretenimento, que manifesta grande semelhança com peças teatrais, tem sido permitido em lugares de culto, e está, no momento, em alta estima. Podem essas coisas promover a santidade ou nos ajudar na comunhão com Deus? Poderiam os homens, ao se retirarem de tais eventos, implorar a Deus em favor da salvação dos pecadores e da santificação dos crentes?" ("Restoration of Truth and Revival", 
The Sword and the Trowel [dezembro, 1887], p.606).

Hoje, os seguidores da "nova onda" revoltam-se contra os que defendem o Evangelho. Mas o que diriam eles de Spurgeon?

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi



Revelações extrabíblicas? Nem morto!


Por: Dave Breese

Como tem Deus revelado a Si mesmo?
A resposta cristã a essa pergunta é que Deus revelou-se a Si mesmo "por muitas vezes e de muitas maneiras”, nos dias da anti guidade. Nestes últimos dias, entretanto, Deus se tem revelado a nós plena e finalmente, na pessoa de Jesus Cristo, conforme Ele é apresentado na Bíblia (Hebreus 1.1,2).

A Palavra de Deus, portanto, é a revelação final e completa de Deus, que não pode ser substituída por qualquer outra revelação. As seitas, porém, não têm este compromisso, porquanto acreditam na doutrina herética de supostas revelações extrabíblicas. Eles afirmam que Deus tem falado e registrado palavras, através de quais quer meios, desde o tempo em que nos deu as Escrituras do Novo Testamento. Asseveram, pois, que Deus fala ou tem falado a parte da Bíblia.
A primeira e mais típica característica de uma seita é que reivindica como sua autoridade alguma revelação distinta das claras assertivas da Palavra de Deus. A maioria das seitas afirma respeitar os ensinamentos da Bíblia. Muitas dessas seitas chegam mesmo a atribuir inspiração divina às Sagradas Escrituras. Logo, porém, anun ciam a sua real confiança em alguma revelação subseqüente, o que, na verdade cancela o ensino da Bíblia em favor de algo novo e supostamente mais autoritativo, que, segundo eles dizem, Deus revelou somente há pouco tempo. Portanto, estão dizendo que a Bí blia é apenas uma parcela da revelação verbal de Deus, e que Ele tem falado, ou continua falando, de uma forma extrabíblica, à parte das Escnturas.
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Uma seita, em Los Angeles, publicou recentemente o seguinte:
"Para você, a Bíblia tornou-se o Livro; mas quero que você saiba que Deus tem inspirado a homens e mulheres com o poder de revelarem, em nossos próprios dias, verdades ainda maiores, novos desdobramentos que partem do coração da vida”.
"Acima de tudo, queremos que você tenha seus olhos abertos hoje em dia, para coisas ainda maiores que estão chegando, pois Deus está fazendo maravilhas entre os ho mens. Regozije-se na nova revelação, que transborda de esperança. O novo revelará a você o antigo com frescor renovado. Não permita dúvidas. Lance-se nas profundezas de Deus e não tema. A eternidade já chegou".
Algumas vezes, essas revelações extrabíblicas vêm por inter médio de algum “líder divinamente inspirado”. Muitas religiões têm atribuído autoridade divina à pessoa de algum indivíduo, que é infalível quando fala, cujas palavras têm a mesma autoridade, ou mesmo maior autoridade do que as Santas Escrituras. Algumas dessas religiões têm feito seus líderes iguais a Deus.
Em qualquer lugar do mundo, as seitas continuam em busca de uma revelação melhor do que a Palavra de Deus. William Bra nham, em seu livro Word to the Bride (Uma Palavra à Noiva), escreveu: “Uma noite, quando eu estava buscando ao Senhor, o Espírito Santo disse-me que apanhasse a pena e escrevesse. Enquan to eu estendia a mão para apanhar a pena, o Espírito Santo deu-me uma mensagem para a Igreja. Quero anunciá-la a vocês... Tem a ver com a Palavra e com a noiva”.
O Deus da Bíblia, sabendo que isso sucederia no futuro da Igreja, declarou mui claramente que a Sua Palavra, as Escrituras, é a revelação final e insuperável. O Espírito Santo orientou o apóstolo João a encerrar categoricamente a revelação verbal de Deus, quan do disse: “Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e se alguém tirar qual quer cousa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa, e das cousas que se acham escritas neste livro” (Apocalipse 22.18,19).
Como é claro, pois, há nas Escrituras uma temível maldição imposta sobre todo aquele que resume apresentar alguma nova revelação verbal da parte de Deus.

Numa frenética tentativa de racionalização, alguns cultistas têm afirmado: “Bem, a nossa revelação não se alicerça sobre a palavra do homem, mas provém de uma origem superior”. A reivin dicação dos mórmons, acerca da revelação recebida de um anjo, é uma boa ilustração disso.

Como se estivesse prevendo tudo isso, escreveu o apóstolo Paulo: “Mas, ainda que nós, ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anáte ma. Assim como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema” (Gála tas 1.8,9).
É verdade que, nos tempos bíblicos, a Palavra de Deus era transmitida aos homens por meio de anjos (Hebreus 2:2). No entan to a Bíblia instrui-nos que a revelação de Jesus Cristo ultrapassou a tudo isso. “Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as cousas, pelo qual também fez o universo” (Hebreus 1.1,2).

Cristo é superior aos anjos, e a todos os anjos de Deus foi determinado que O adorassem. As palavras finais das Escrituras, “a revelação de Jesus Cristo” (Apocalipse 1.1), jamais poderão ser suplantadas pelos ministérios dos anjos. Por essa precisa razão foi que Jesus Cristo advertiu os Seus discípulos: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos...” (João 8.31). Os homens desta nossa época também foram devidamente avisados a darem ouvidos às palavras do Pai: “Este é o meu Filho amado... a ele ouvi” (Mateus 17.5).
É doutrina fundamental do cristianismo que a verdade final, a palavra definitiva, reside em Jesus Cristo. De fato, a Escritura, em si mesma, é ainda mais contundente, pois diz: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1.1).

A verdade final, por conseguinte, é a Pessoa, a Palavra e a obra de Jesus Cristo. Nenhuma revelação subseqüente, quanto ao caráter da verdade, pode tomar o lugar a revelação de Jesus Cristo. É simplesmente impossível haver uma maior revelação do que Cris to neste ou em qualquer outro possível universo feito por Deus.
Um dos freqüentes artifícios das seitas é validar os seus próprios escritos, colocando-os como iguais às Sagradas Escrituras, para, em seguida, conferir-lhes autoridade maior do que a da Bíblia.
“As escrituras reveladas predizem as genuínas encar nações de Deus muito tempo antes de acontecerem na terra. Por exemplo, o Antigo Testamento predizia o aparecimento do Senhor Jesus Cristo, e o Srimad-Bhagavatam predisse o aparecimento do Senhor Buda, do Senhor Caitanya Maha prabhu e mesmo do Senhor Kalki, que não aparecerá antes de quatrocentos mil anos. Sem alusões a alguma predição escriturística comprovada, nenhuma encarnação do Senhor pode ser verídica. De fato, as escrituras advertem que nesta era haverá muitas falsas encarnações. O Senhor Jesus Cristo avisou aos Seus seguidores que, no futuro, muitos imposto res haveriam de asseverar ser Ele mesmo. Por semelhante modo, o Srimad-Bhagavatam também adverte acerca de falsas encarnações, descrevendo-os como vagalumes que tentam imitar a lua. Os impostores modernos geralmente afirmam que as suas idéias representam os mesmos ensinos ministrados por Cristo ou por Krishna; mas, qualquer pes soa realmente familiarizada com os ensinos de Cristo ou de Krishna facilmente pode ver que isso é um absurdo” (Back to Godhead, (De Volta ao Supremo), nº 61, 1974, pág. 24).
É dessa maneira que a seita Hare Krishna, os modernos seguidores de Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, procura obter posição de autoridade nas mentes dos tolos. Eles põem os seus escritos misteriosos e enigmáticos ao lado da Palavra de Deus.
Portanto, cabe aqui uma palavra de advertência. O crente acredita que a Bíblia é a única e final revelação verbal de Deus. Crendo nisso, ele precisa dedicar-se ao estudo da Palavra de Deus de maneira mais intensa do que nunca.
Os sutis ataques que estão sendo desfechados contra a Escri tura, nestes dias, precisam ser respondidos por crentes bem prepara dos, em todos os níveis da sociedade. Não basta dedicarmos à Bíblia uma tranqüila veneração, contemplando-a com profunda admiração, como a pedra de toque da fé cristã. A Bíblia é “a espada do Espíri to” e torna-se um instrumento eficaz contra os assaltos satânicos, quando tecemos os ensinos das Santas Escrituras nas próprias fibras de nossos seres.
Está sendo incoerente e, talvez, até hipócrita, o indivíduo que professa ter uma visão superior das Escrituras, mas negligencia dissipar a sua própria ignorância da verdade de Deus, mediante um programa sério de estudos bíblicos. A grande e primeira razão do avanço das seitas no mundo atual é a ignorância das sagradas Es crituras por parte dos crentes. A segunda grande razão é a má vontade por parte do povo de Deus em transmitir a verdade divina, mediante o seu testemunho em favor de Cristo, a pessoas que ainda necessitam receber a salvação que há em Cristo.
Segue-se disso que a grande necessidade da comunidade cristã de nossos dias é o retorno ao estudo cuidadoso da Palavra de Deus. A fé de que a Bíblia é a verdade última resulta exatamente desse programa de estudos bíblicos. O estudo das Escrituras produz, na vida do crente, o cumprimento daquela promessa que diz: “E assim, a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo” (Roma nos 10.17).

Para a mente honesta, a verdade apresenta suas próprias cre denciais. Ninguém que se dê ao estudo atento da doutrina bíblica e à memorização das Escrituras, duvidará da autoridade final da Escritura. Só se poderá oferecer resistência aos temíveis assaltos contra a Igreja, por parte de seitas poderosas e cheias de animação, quando os crentes se tornarem poderosos no Senhor, mediante o conhecimento sólido da Sua Palavra.
O salmista escondia a Palavra de Deus no seu coração, a fim de que pudesse resistir às alternativas pecaminosas da vida (Salmos 119.11). Isso significa que ele memorizava porções das Escrituras, assim deveríamos fazer.
A vida do crente ficará firmemente ancorada, capaz de resis tir a toda oposição, quando estiver firmada em um operoso conhecimento da Sagrada Escritura.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Onde está o seu Coração? Richard Baxter

É apenas justo que nosso coração esteja em Deus, quando o coração de Deus está tanto em nós. Se o Senhor da glória pode inclinar-se tanto a ponto de fazer seu coração repousar em seres pecadores, feitos de pó, certamente seríamos persuadidos a pôr nosso coração em Cristo e na glória, e ascender a ele, que se digna a ser condescendente conosco, em nossos sentimentos diários! Ó, se o deleite de Deus não estivesse mais em nós na mesma proporção que o nosso não está nele, o que deveríamos fazer?

Em que situação estaríamos! Cristão, você não percebe que o coração de Deus está sobre você? E que ele ainda cuida de você com amor cuidadoso, mesmo quando se esquece de si mesmo e dele? Você não o vê quando o acompanha com suas misericórdias diárias, movendo-se em sua alma e provendo para seu corpo, a fim de preservar ambos? Ele não o acolhe continuamente nos braços do amor e promete que tudo coopera para o seu bem? E ajusta todas as formas de lidar com você para seu próprio benefício? E não pede que seus anjos tomem conta de você?

E você não consegue encontrar em seu coração um lugar para ele, pois está muito ocupado com as alegrias terrenas, a ponto de esquecer seu Senhor que não se esquece de você? Esse não foi o pecado que Isaías clamou, de forma solene, para que o céu e a terra testemunhassem contra ele? "O boi reconhece o seu dono, e o jumento conhece a manjedoura do seu proprietário, mas Israel nada sabe, o meu povo nada compreende" (Is 1.3). Se o boi e o jumento desgarram-se durante o dia, eles, provavelmente, voltam para sua casa à noite, mas nós não elevamos nossos pensamentos a Deus nem uma vez ao dia. Portanto, permita que sua alma ascenda até Deus e o visite todas as manhãs, e que seu coração se volte para ele todos os momentos.

Fonte: http://www.mayflower.com.br/

Porque os pastores (e outras pessoas) deveriam escutar Lutero – John Piper


Em primeiro lugar, Lutero foi um pregador — mais pregador do que a maioria dos pastores. Conhecia o fardo e a pressão da pregação semanal. Havia duas igrejas em Wittenberg, a igreja da cidade e a igreja do castelo. Lutero era um pregador regular na igreja da cidade. Ele afirmou: "Se hoje pudesse me tornar rei ou imperador, ainda assim não renunciaria ao meu ofício de pregador". Era compelido por uma paixão pela exaltação de Deus na Palavra. Em uma das suas orações, ele diz: "Querido Senhor Deus, quero pregar para que o Senhor seja glorificado. Quero falar do Senhor, louvar ao Senhor, louvar o teu nome. Mesmo que eu não possa fazer tudo isso, será que o Senhor não poderia fazer com que tudo isso desse certo"?


Para sentir a força desse compromisso, você precisa perceber que na igreja em Wittenberg não havia nenhuma programação de igreja, somente louvor e pregação. Aos domingos, havia o louvor das cinco horas com um sermão na Epístola, o culto das dez horas com um sermão do Evangelho e uma mensagem da tarde sobre o Antigo Testamento ou catecismo. Os sermões de segunda e terça-feira eram sobre o catecismo; o de quarta-feira sobre Mateus; às quintas e sextas sobre as cartas apostólicas; e aos sábados sobre João.

Seu amigo, Johannes Bugenhagen, foi o pastor da igreja da cidade de 1521 a 1558. Mas Lutero compartilhava as pregações toda semana em que ele se encontrava na cidade. Pregava porque o povo da cidade desejava escutá-lo e porque ele e seus contemporâneos entendiam seu doutorado em teologia como um chamado para ensinar a Palavra de Deus a toda igreja. Portanto, Lutero pregava duas vezes no domingo e uma vez durante a semana. Walther von Loewenich disse em sua biografia: "Lutero foi um dos maiores pregadores da história da cristandade (...) Entre 1510 e 1546, Lutero pregou cerca de três mil sermões. Freqüentemente, pregava várias vezes por semana, e quase sempre duas ou mais vezes por dia".

Por exemplo, ele pregou 117 sermões em Wittenberg em 1522 e 137 sermões no ano seguinte. Em 1528, pregou quase 200 vezes e no ano de 1529, pregou 121 sermões. Portanto, nesses quatro anos, a média foi de um sermão a cada dois dias e meio. Como Fred Meuser disse no livro sobre a pregação de Lutero: "Ele nunca tirou um fim de semana de folga. Nem mesmo um dia por semana de folga. Nunca tirou férias do trabalho de pregação, ensino, estudo individual, produção, escrita e aconselhamento". Essa é sua primeira conexão com aqueles de nós que somos pastores. Ele conhece o fardo da pregação.

Em segundo lugar, como a maioria dos pastores, Lutero era um homem de família. Pelo menos da idade de 41 anos aos 62. Ele conhecia a pressão e o sofrimento de ter, criar e perder filhos. Katie deu à luz seis crianças em rápida sucessão: Johannes (1526), Elisabeth (1527), Magdalena (1529), Martin (1531), Paul (1533) e Margaret (1534). Façamos um pequeno cálculo aqui.

O ano entre o nascimento de Elisabeth e Magdalena foi o ano no qual ele pregou 200 vezes (mais de uma vez a cada dois dias). Acrescente a isso o fato de Elisabeth ter morrido nesse ano com oito meses de idade. Lutero, porém, continuou a pregar, apesar do sofrimento.

E, antes de pensarmos que tenha negligenciado seus filhos, considere que domingo à tarde, após ter pregado duas vezes, Lutero dirigia as devoções em sua casa, que eram praticamente outro culto de louvor durante uma hora, incluindo convidados além das crianças. Portanto, Lutero conhecia as pressões de ser um homem do público e de ter família.

Em terceiro lugar, Lutero era um clérigo, não um teólogo acadêmico que evitava os problemas do cotidiano fechando-se em uma torre de marfim. Não somente participava de quase todas as controvérsias e conferências de sua época, como, em geral, também era o líder delas. Havia a controvérsia de Heidelberg (1518), o encontro com o cardeal Caetano em Augsburg (1518) , a disputa Leipzig com Johann Eck e Andrew Karlstadt (1519) , a dieta de Worms diante do imperador (1521), o colóquio Marburg com Zuínglio (1529) e a dieta de Augsburg (mesmo não estando lá pessoalmente, 1530).

Além de seu envolvimento ativo em conferências nas igrejas, também se dedicou a uma quantidade inacreditável de publicações, todas voltadas para a igreja. Por exemplo, em 1520, Lutero escreveu 133 obras; em 1522, 130; em 1523, 183 (uma a cada dois dias!) e a mesma quantidade em 1524.27 Ele era o pára-raios das críticas feitas contra a Reforma. "Todos afluíam a ele, cercando sua porta de hora em hora, grupos de cidadãos, doutores, príncipes. Enigmas diplomáticos precisavam ser resolvidos, assuntos teológicos complicados precisavam ser postos em ordem e a ética da vida social necessitava de ser exposta e explicada".

Com a queda do sistema medieval da vida eclesiástica, uma maneira completamente nova de pensar sobre a igreja e a vida cristã, precisava ser desenvolvida. Na Alemanha, essa tarefa ficou, em grande parte, nas mãos de Lutero. E surpreendente como ele se lançou aos assuntos corriqueiros da vida paroquiana. Por exemplo, quando foi decidido que os "inspetores" do Estado e da universidade seriam mandados a cada paróquia para averiguar a condição das igrejas e fazer sugestões a respeito da vida delas, Lutero tomou sobre si a tarefa de escrever as normas de procedimento: "Instruções para os inspetores de pastores das paróquias na Saxônia eleitoral". Ele tratou de uma grande variedade de problemas práticos. Quanto à educação das crianças, ele chegou ao ponto de determinar que primeiras séries deveriam ser divididas em três grupos: pré-leitores, leitores e leitores avançados, além de dar sugestões sobre como ensiná-las:

Primeiro, eles irão aprender o livro elementar no qual são encontrados o alfabeto, o Pai-Nosso, o Credo e outras orações. Após terem aprendido essas coisas, receberão Donatus e Cato, para ler Donatus e para expor Cato. O professor deverá expor um ou dois versos por vez e as crianças deverão repeti-los para que possam construir um bom vocabulário.

Vemos então que esse professor universitário estava intensamente envolvido com as tentativas de solucionar os problemas mais práticos do ministério, do berço à sepultura. Ele não estudava durante folgas ininterruptas de licenças ou nos longos verões. Era constantemente cercado e estava constantemente em ação.

Portanto, mesmo sendo professor universitário, há uma boa razão para pastores e ministros leigos da Palavra atentar para o seu trabalho e ouvir suas palavras, a fim de aprenderem e serem inspirados para o ministério da Palavra — a "Palavra externa", o Livro.

Fonte: http://www.josemarbessa.com/

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Não Desperdice Sua Vida - John Piper


Fonte: http://www.vemvertvblog.com/

domingo, 17 de outubro de 2010

A Teologia Reformada é Centrada em Deus – R. C. Sproul


Na igreja moderna os pressupostos aceitos do passado nem sempre são conservados. Muitos têm rejeitado a divina inspiração da Escritura e com ela qualquer comprometimento com uma revelação unificada. Quando a pessoa se chega à Bíblia como sendo um documento puramente humano, ela não precisa harmonizar os ensinos de seus vários autores. Desse ponto de vista, a teologia sistemática geralmente é uma tentativa de explicar a Bíblia à luz e sob o controle de um sistema que se traz de fora para a Bíblia. Outras pessoas fogem de sistemas completamente e abraçam uma teologia que é autoconscientemente relativista e pluralista. Elas colocam autores bíblicos em oposição um ao outro, e vêem a própria Bíblia como uma coletânea de teologias conflitantes.

A teologia reformada clássica, por outro lado, vê a Bíblia como sendo a Palavra de Deus. Embora reconheça que as Escrituras foram obra de diferentes escritores em diferentes tempos, a inspiração divina do todo carrega a unidade e a coerência da verdade de Deus. Portanto, a busca reformada por uma teologia sistemática é um esforço para descobrir e definir o sistema de doutrina ensinado internamente pelas próprias Escrituras.

E porque a teologia é sistemática, toda doutrina da fé toca de alguma maneira cada outra doutrina. Por exemplo, como entendemos a pessoa de Cristo afeta como entendemos sua obra de redenção. Quando vemos Jesus meramente como um grande mestre humano, então somos inclinados a ver a missão dele como sendo primariamente de instrução ou influência moral. Quando o vemos como sendo o Filho de Deus encarnado, então isso emoldura nossa compreensão de sua missão. Inversamente, nosso entendimento da obra de Cristo também influencia nosso entendimento de sua pessoa.

Talvez nenhuma doutrina tenha maior relação com todas as outras doutrinas do que a doutrina de Deus. Como entendemos a natureza e o caráter de Deus influencia como entendemos a natureza do homem, que leva

a imagem de Deus; a natureza de Cristo, que trabalha para satisfazer o Pai; a natureza da salvação, que é efetuada por Deus; a natureza da ética, cujas normas se baseiam no caráter de Deus; e uma miríade de outras considerações teológicas, todas tendo a ver com nosso entendimento de Deus.

A teologia reformada é primeiramente e antes de tudo teocêntrica em vez de antropocêntrica. Isto é, é centrada em Deus em vez de centrada no homem. Esse caráter centrado em Deus não desmerece em nada o valor dos seres humanos. Ao contrário, estabelece o valor deles. A teologia reformada muitas vezes tem sido qualificada como tendo uma visão baixa da humanidade em razão de sua insistência no caráter "caído" e na corrupção radical da humanidade. Tenho argumentado que a teologia reformada tem a visão mais alta possível da humanidade. E por termos uma visão tão alta de Deus que nos importamos tanto com aquele criado à sua imagem. A teologia reformada leva o pecado a sério porque leva Deus a sério e porque leva as pessoas a sério. O pecado ofende a Deus e viola os seres humanos. Essas duas coisas são assuntos sérios.

A teologia reformada mantém uma visão alta do valor e da dignidade dos seres humanos. Difere radicalmente nesse ponto de todas as for¬mas de humanismo em que o humanismo atribui uma dignidade intrínseca ao homem, enquanto que a teologia reformada vê a dignidade do homem como sendo extrínseca. Quer dizer, a dignidade do homem não é inerente. Não existe em e de si mesmo. O que temos é uma dignidade derivada, dependente e recebida. Em e por nós mesmos somos do pó. Mas Deus nos designou um valor notável como criaturas feitas à sua imagem. Ele é a origem de nossa vida e nosso próprio ser. Ele nos pôs um manto de valor extremo.

Às vezes surge uma disputa com respeito ao alvo ou propósito do plano de redenção de Deus. As perguntas são apresentadas: será o alvo da redenção a manifestação da glória de Deus? Ou será a manifestação do valor da humanidade caída? E o alvo centrado no homem ou centrado em Deus? Se fôssemos forçados a escolher entre essas opções, teríamos de optar pela primazia da glória de Deus. A boa-nova é que não precisamos fazer uma "escolha de Sofia" aqui. No plano de redenção de Deus vemos tanto sua preocupação com o bem-estar de sua criação quanto com a manifestação da própria glória. A glória de Deus é manifesta em e por meio de sua obra de redenção. E até manifestada no castigo dos maus. Deus expõe com majestade surpreendente tanto sua graça inefável quanto seu reto juízo. Mesmo no juízo de Deus ele vindica o valor do homem ao castigar o mal que tanto estraga a vida humana.

Embora eu não seja apaixonado pelo uso de paradoxo no discurso teológico, não me esquivo de afirmar um agora. Ainda que não haja muito na doutrina de Deus reformada que se diferencie significativamente da doutrina confessada pelas outras comunhões cristãs, o aspecto mais distintivo da teologia reformada é a sua doutrina de Deus. Como pode essa afirmação ser verdadeira? Conquanto a doutrina reformada de Deus não seja tão diferente assim daquela de outros corpos confessionais, a maneira em que essa doutrina funciona na teologia reformada é singular. A teologia reformada aplica a doutrina de Deus inflexivelmente a todas as outras doutrinas, tornando-a o principal fator de controle em toda a teologia.

Por exemplo, eu nunca encontrei um cristão confesso que não estivesse pronto a afirmar que Deus é soberano. Soberania é um atributo divino confessado quase que universalmente no Cristianismo histórico. No entanto, quando pressionamos a doutrina de soberania divina em outras áreas de teologia, ela é freqüentemente enfraquecida ou destruída totalmente. Muitas vezes já ouvi dizer: "A soberania de Deus é limitada pela liberdade humana". Nessa declaração a soberania de Deus não é absoluta. E cerceada por um limite e esse limite é a liberdade humana.

A teologia reformada de fato insiste que uma verdadeira medida de liberdade tem sido designada ao homem pelo Criador. Mas essa liberdade não é absoluta e o homem não é autônomo. Nossa liberdade é sempre e em toda parte limitada pela soberania de Deus. Deus é livre e nós somos livres. Mas Deus é mais livre do que nós somos. Quando nossa liberdade esbarra na soberania de Deus, nossa liberdade precisa ceder. Dizer que a soberania de Deus é limitada pela liberdade do homem é fazer o homem soberano.

Na teologia reformada, se Deus não é soberano sobre toda a ordem criada, então ele não é soberano de modo nenhum. O termo soberania com muita facilidade se toma uma quimera. Se Deus não é soberano, então ele não é Deus. Pertence a Deus como Deus ser soberano. A maneira em que entendemos a soberania dele tem implicações radicais para nossa compreensão da doutrina de providência, eleição, justificação e uma multidão de outras doutrinas. O mesmo poderia ser dito com respeito a outros atributos de Deus, como sua santidade, onisciência e imutabilidade, para dar nome apenas a alguns.

Os dois mundos – Lloyd-Jones


... o cristão e o não-cristão pertencem a dois domínios inteiramente diversos. . . a primeira coisa que você deve entender sobre si mesmo é que você pertence a um reino diferente. Você não difere apenas na essência; você vive. em dois mundos que diferem de modo absoluto entre si. Você está neste mundo; não pertence a ele, porém. . . você é cidadão doutro reino. . .

Que se quer dizer com este reino dos céus?... Significa, em sua essência, o governo de Cristo, ou a esfera e domínio em que Ele reina. . . Muitas vezes, quando Ele estava aqui, nos dias de Sua carne, nosso Senhor disse que o reino dos céus já estava presente. Onde quer que Ele estivesse presente e exercesse autoridade, ali estava o reino dos céus. Você recorda como, em certa ocasião, quando O acusaram de expulsar demônios pelo poder de Belzebu, Ele demonstrou-lhes a completa loucura disso, e prosseguiu, dizendo: «Se, porém, eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós» (Mateus 12.28).

Eis o reino de Deus. Sua autoridade e Seu reinado estavam presentes na prática. Eis, então, Sua frase, quando disse aos fariseus:«0 reino de Deus está dentro em vós», ou, «o reino de Deus está entre vós». Era como se dissesse: «Ele está-se manifestando no meio de vós. Não digais: olhe para cá, ou: olhe para lá. Despojai-vos dessa noção materialista. Aqui estou entre vós; estou realizando obras. O reino está aqui». Onde quer que o reino de Cristo esteja sendo manifestado, ali está o reino de Deus. E quando Ele enviou Seus discípulos para pregar, disse-lhes que falassem às cidades que não os recebessem: «Não obstante, sabei que está próximo o reino de Deus» (Lucas 10.11).