quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Onde está o seu Coração? Richard Baxter

É apenas justo que nosso coração esteja em Deus, quando o coração de Deus está tanto em nós. Se o Senhor da glória pode inclinar-se tanto a ponto de fazer seu coração repousar em seres pecadores, feitos de pó, certamente seríamos persuadidos a pôr nosso coração em Cristo e na glória, e ascender a ele, que se digna a ser condescendente conosco, em nossos sentimentos diários! Ó, se o deleite de Deus não estivesse mais em nós na mesma proporção que o nosso não está nele, o que deveríamos fazer?

Em que situação estaríamos! Cristão, você não percebe que o coração de Deus está sobre você? E que ele ainda cuida de você com amor cuidadoso, mesmo quando se esquece de si mesmo e dele? Você não o vê quando o acompanha com suas misericórdias diárias, movendo-se em sua alma e provendo para seu corpo, a fim de preservar ambos? Ele não o acolhe continuamente nos braços do amor e promete que tudo coopera para o seu bem? E ajusta todas as formas de lidar com você para seu próprio benefício? E não pede que seus anjos tomem conta de você?

E você não consegue encontrar em seu coração um lugar para ele, pois está muito ocupado com as alegrias terrenas, a ponto de esquecer seu Senhor que não se esquece de você? Esse não foi o pecado que Isaías clamou, de forma solene, para que o céu e a terra testemunhassem contra ele? "O boi reconhece o seu dono, e o jumento conhece a manjedoura do seu proprietário, mas Israel nada sabe, o meu povo nada compreende" (Is 1.3). Se o boi e o jumento desgarram-se durante o dia, eles, provavelmente, voltam para sua casa à noite, mas nós não elevamos nossos pensamentos a Deus nem uma vez ao dia. Portanto, permita que sua alma ascenda até Deus e o visite todas as manhãs, e que seu coração se volte para ele todos os momentos.

Fonte: http://www.mayflower.com.br/

Porque os pastores (e outras pessoas) deveriam escutar Lutero – John Piper


Em primeiro lugar, Lutero foi um pregador — mais pregador do que a maioria dos pastores. Conhecia o fardo e a pressão da pregação semanal. Havia duas igrejas em Wittenberg, a igreja da cidade e a igreja do castelo. Lutero era um pregador regular na igreja da cidade. Ele afirmou: "Se hoje pudesse me tornar rei ou imperador, ainda assim não renunciaria ao meu ofício de pregador". Era compelido por uma paixão pela exaltação de Deus na Palavra. Em uma das suas orações, ele diz: "Querido Senhor Deus, quero pregar para que o Senhor seja glorificado. Quero falar do Senhor, louvar ao Senhor, louvar o teu nome. Mesmo que eu não possa fazer tudo isso, será que o Senhor não poderia fazer com que tudo isso desse certo"?


Para sentir a força desse compromisso, você precisa perceber que na igreja em Wittenberg não havia nenhuma programação de igreja, somente louvor e pregação. Aos domingos, havia o louvor das cinco horas com um sermão na Epístola, o culto das dez horas com um sermão do Evangelho e uma mensagem da tarde sobre o Antigo Testamento ou catecismo. Os sermões de segunda e terça-feira eram sobre o catecismo; o de quarta-feira sobre Mateus; às quintas e sextas sobre as cartas apostólicas; e aos sábados sobre João.

Seu amigo, Johannes Bugenhagen, foi o pastor da igreja da cidade de 1521 a 1558. Mas Lutero compartilhava as pregações toda semana em que ele se encontrava na cidade. Pregava porque o povo da cidade desejava escutá-lo e porque ele e seus contemporâneos entendiam seu doutorado em teologia como um chamado para ensinar a Palavra de Deus a toda igreja. Portanto, Lutero pregava duas vezes no domingo e uma vez durante a semana. Walther von Loewenich disse em sua biografia: "Lutero foi um dos maiores pregadores da história da cristandade (...) Entre 1510 e 1546, Lutero pregou cerca de três mil sermões. Freqüentemente, pregava várias vezes por semana, e quase sempre duas ou mais vezes por dia".

Por exemplo, ele pregou 117 sermões em Wittenberg em 1522 e 137 sermões no ano seguinte. Em 1528, pregou quase 200 vezes e no ano de 1529, pregou 121 sermões. Portanto, nesses quatro anos, a média foi de um sermão a cada dois dias e meio. Como Fred Meuser disse no livro sobre a pregação de Lutero: "Ele nunca tirou um fim de semana de folga. Nem mesmo um dia por semana de folga. Nunca tirou férias do trabalho de pregação, ensino, estudo individual, produção, escrita e aconselhamento". Essa é sua primeira conexão com aqueles de nós que somos pastores. Ele conhece o fardo da pregação.

Em segundo lugar, como a maioria dos pastores, Lutero era um homem de família. Pelo menos da idade de 41 anos aos 62. Ele conhecia a pressão e o sofrimento de ter, criar e perder filhos. Katie deu à luz seis crianças em rápida sucessão: Johannes (1526), Elisabeth (1527), Magdalena (1529), Martin (1531), Paul (1533) e Margaret (1534). Façamos um pequeno cálculo aqui.

O ano entre o nascimento de Elisabeth e Magdalena foi o ano no qual ele pregou 200 vezes (mais de uma vez a cada dois dias). Acrescente a isso o fato de Elisabeth ter morrido nesse ano com oito meses de idade. Lutero, porém, continuou a pregar, apesar do sofrimento.

E, antes de pensarmos que tenha negligenciado seus filhos, considere que domingo à tarde, após ter pregado duas vezes, Lutero dirigia as devoções em sua casa, que eram praticamente outro culto de louvor durante uma hora, incluindo convidados além das crianças. Portanto, Lutero conhecia as pressões de ser um homem do público e de ter família.

Em terceiro lugar, Lutero era um clérigo, não um teólogo acadêmico que evitava os problemas do cotidiano fechando-se em uma torre de marfim. Não somente participava de quase todas as controvérsias e conferências de sua época, como, em geral, também era o líder delas. Havia a controvérsia de Heidelberg (1518), o encontro com o cardeal Caetano em Augsburg (1518) , a disputa Leipzig com Johann Eck e Andrew Karlstadt (1519) , a dieta de Worms diante do imperador (1521), o colóquio Marburg com Zuínglio (1529) e a dieta de Augsburg (mesmo não estando lá pessoalmente, 1530).

Além de seu envolvimento ativo em conferências nas igrejas, também se dedicou a uma quantidade inacreditável de publicações, todas voltadas para a igreja. Por exemplo, em 1520, Lutero escreveu 133 obras; em 1522, 130; em 1523, 183 (uma a cada dois dias!) e a mesma quantidade em 1524.27 Ele era o pára-raios das críticas feitas contra a Reforma. "Todos afluíam a ele, cercando sua porta de hora em hora, grupos de cidadãos, doutores, príncipes. Enigmas diplomáticos precisavam ser resolvidos, assuntos teológicos complicados precisavam ser postos em ordem e a ética da vida social necessitava de ser exposta e explicada".

Com a queda do sistema medieval da vida eclesiástica, uma maneira completamente nova de pensar sobre a igreja e a vida cristã, precisava ser desenvolvida. Na Alemanha, essa tarefa ficou, em grande parte, nas mãos de Lutero. E surpreendente como ele se lançou aos assuntos corriqueiros da vida paroquiana. Por exemplo, quando foi decidido que os "inspetores" do Estado e da universidade seriam mandados a cada paróquia para averiguar a condição das igrejas e fazer sugestões a respeito da vida delas, Lutero tomou sobre si a tarefa de escrever as normas de procedimento: "Instruções para os inspetores de pastores das paróquias na Saxônia eleitoral". Ele tratou de uma grande variedade de problemas práticos. Quanto à educação das crianças, ele chegou ao ponto de determinar que primeiras séries deveriam ser divididas em três grupos: pré-leitores, leitores e leitores avançados, além de dar sugestões sobre como ensiná-las:

Primeiro, eles irão aprender o livro elementar no qual são encontrados o alfabeto, o Pai-Nosso, o Credo e outras orações. Após terem aprendido essas coisas, receberão Donatus e Cato, para ler Donatus e para expor Cato. O professor deverá expor um ou dois versos por vez e as crianças deverão repeti-los para que possam construir um bom vocabulário.

Vemos então que esse professor universitário estava intensamente envolvido com as tentativas de solucionar os problemas mais práticos do ministério, do berço à sepultura. Ele não estudava durante folgas ininterruptas de licenças ou nos longos verões. Era constantemente cercado e estava constantemente em ação.

Portanto, mesmo sendo professor universitário, há uma boa razão para pastores e ministros leigos da Palavra atentar para o seu trabalho e ouvir suas palavras, a fim de aprenderem e serem inspirados para o ministério da Palavra — a "Palavra externa", o Livro.

Fonte: http://www.josemarbessa.com/

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Não Desperdice Sua Vida - John Piper


Fonte: http://www.vemvertvblog.com/

domingo, 17 de outubro de 2010

A Teologia Reformada é Centrada em Deus – R. C. Sproul


Na igreja moderna os pressupostos aceitos do passado nem sempre são conservados. Muitos têm rejeitado a divina inspiração da Escritura e com ela qualquer comprometimento com uma revelação unificada. Quando a pessoa se chega à Bíblia como sendo um documento puramente humano, ela não precisa harmonizar os ensinos de seus vários autores. Desse ponto de vista, a teologia sistemática geralmente é uma tentativa de explicar a Bíblia à luz e sob o controle de um sistema que se traz de fora para a Bíblia. Outras pessoas fogem de sistemas completamente e abraçam uma teologia que é autoconscientemente relativista e pluralista. Elas colocam autores bíblicos em oposição um ao outro, e vêem a própria Bíblia como uma coletânea de teologias conflitantes.

A teologia reformada clássica, por outro lado, vê a Bíblia como sendo a Palavra de Deus. Embora reconheça que as Escrituras foram obra de diferentes escritores em diferentes tempos, a inspiração divina do todo carrega a unidade e a coerência da verdade de Deus. Portanto, a busca reformada por uma teologia sistemática é um esforço para descobrir e definir o sistema de doutrina ensinado internamente pelas próprias Escrituras.

E porque a teologia é sistemática, toda doutrina da fé toca de alguma maneira cada outra doutrina. Por exemplo, como entendemos a pessoa de Cristo afeta como entendemos sua obra de redenção. Quando vemos Jesus meramente como um grande mestre humano, então somos inclinados a ver a missão dele como sendo primariamente de instrução ou influência moral. Quando o vemos como sendo o Filho de Deus encarnado, então isso emoldura nossa compreensão de sua missão. Inversamente, nosso entendimento da obra de Cristo também influencia nosso entendimento de sua pessoa.

Talvez nenhuma doutrina tenha maior relação com todas as outras doutrinas do que a doutrina de Deus. Como entendemos a natureza e o caráter de Deus influencia como entendemos a natureza do homem, que leva

a imagem de Deus; a natureza de Cristo, que trabalha para satisfazer o Pai; a natureza da salvação, que é efetuada por Deus; a natureza da ética, cujas normas se baseiam no caráter de Deus; e uma miríade de outras considerações teológicas, todas tendo a ver com nosso entendimento de Deus.

A teologia reformada é primeiramente e antes de tudo teocêntrica em vez de antropocêntrica. Isto é, é centrada em Deus em vez de centrada no homem. Esse caráter centrado em Deus não desmerece em nada o valor dos seres humanos. Ao contrário, estabelece o valor deles. A teologia reformada muitas vezes tem sido qualificada como tendo uma visão baixa da humanidade em razão de sua insistência no caráter "caído" e na corrupção radical da humanidade. Tenho argumentado que a teologia reformada tem a visão mais alta possível da humanidade. E por termos uma visão tão alta de Deus que nos importamos tanto com aquele criado à sua imagem. A teologia reformada leva o pecado a sério porque leva Deus a sério e porque leva as pessoas a sério. O pecado ofende a Deus e viola os seres humanos. Essas duas coisas são assuntos sérios.

A teologia reformada mantém uma visão alta do valor e da dignidade dos seres humanos. Difere radicalmente nesse ponto de todas as for¬mas de humanismo em que o humanismo atribui uma dignidade intrínseca ao homem, enquanto que a teologia reformada vê a dignidade do homem como sendo extrínseca. Quer dizer, a dignidade do homem não é inerente. Não existe em e de si mesmo. O que temos é uma dignidade derivada, dependente e recebida. Em e por nós mesmos somos do pó. Mas Deus nos designou um valor notável como criaturas feitas à sua imagem. Ele é a origem de nossa vida e nosso próprio ser. Ele nos pôs um manto de valor extremo.

Às vezes surge uma disputa com respeito ao alvo ou propósito do plano de redenção de Deus. As perguntas são apresentadas: será o alvo da redenção a manifestação da glória de Deus? Ou será a manifestação do valor da humanidade caída? E o alvo centrado no homem ou centrado em Deus? Se fôssemos forçados a escolher entre essas opções, teríamos de optar pela primazia da glória de Deus. A boa-nova é que não precisamos fazer uma "escolha de Sofia" aqui. No plano de redenção de Deus vemos tanto sua preocupação com o bem-estar de sua criação quanto com a manifestação da própria glória. A glória de Deus é manifesta em e por meio de sua obra de redenção. E até manifestada no castigo dos maus. Deus expõe com majestade surpreendente tanto sua graça inefável quanto seu reto juízo. Mesmo no juízo de Deus ele vindica o valor do homem ao castigar o mal que tanto estraga a vida humana.

Embora eu não seja apaixonado pelo uso de paradoxo no discurso teológico, não me esquivo de afirmar um agora. Ainda que não haja muito na doutrina de Deus reformada que se diferencie significativamente da doutrina confessada pelas outras comunhões cristãs, o aspecto mais distintivo da teologia reformada é a sua doutrina de Deus. Como pode essa afirmação ser verdadeira? Conquanto a doutrina reformada de Deus não seja tão diferente assim daquela de outros corpos confessionais, a maneira em que essa doutrina funciona na teologia reformada é singular. A teologia reformada aplica a doutrina de Deus inflexivelmente a todas as outras doutrinas, tornando-a o principal fator de controle em toda a teologia.

Por exemplo, eu nunca encontrei um cristão confesso que não estivesse pronto a afirmar que Deus é soberano. Soberania é um atributo divino confessado quase que universalmente no Cristianismo histórico. No entanto, quando pressionamos a doutrina de soberania divina em outras áreas de teologia, ela é freqüentemente enfraquecida ou destruída totalmente. Muitas vezes já ouvi dizer: "A soberania de Deus é limitada pela liberdade humana". Nessa declaração a soberania de Deus não é absoluta. E cerceada por um limite e esse limite é a liberdade humana.

A teologia reformada de fato insiste que uma verdadeira medida de liberdade tem sido designada ao homem pelo Criador. Mas essa liberdade não é absoluta e o homem não é autônomo. Nossa liberdade é sempre e em toda parte limitada pela soberania de Deus. Deus é livre e nós somos livres. Mas Deus é mais livre do que nós somos. Quando nossa liberdade esbarra na soberania de Deus, nossa liberdade precisa ceder. Dizer que a soberania de Deus é limitada pela liberdade do homem é fazer o homem soberano.

Na teologia reformada, se Deus não é soberano sobre toda a ordem criada, então ele não é soberano de modo nenhum. O termo soberania com muita facilidade se toma uma quimera. Se Deus não é soberano, então ele não é Deus. Pertence a Deus como Deus ser soberano. A maneira em que entendemos a soberania dele tem implicações radicais para nossa compreensão da doutrina de providência, eleição, justificação e uma multidão de outras doutrinas. O mesmo poderia ser dito com respeito a outros atributos de Deus, como sua santidade, onisciência e imutabilidade, para dar nome apenas a alguns.

Os dois mundos – Lloyd-Jones


... o cristão e o não-cristão pertencem a dois domínios inteiramente diversos. . . a primeira coisa que você deve entender sobre si mesmo é que você pertence a um reino diferente. Você não difere apenas na essência; você vive. em dois mundos que diferem de modo absoluto entre si. Você está neste mundo; não pertence a ele, porém. . . você é cidadão doutro reino. . .

Que se quer dizer com este reino dos céus?... Significa, em sua essência, o governo de Cristo, ou a esfera e domínio em que Ele reina. . . Muitas vezes, quando Ele estava aqui, nos dias de Sua carne, nosso Senhor disse que o reino dos céus já estava presente. Onde quer que Ele estivesse presente e exercesse autoridade, ali estava o reino dos céus. Você recorda como, em certa ocasião, quando O acusaram de expulsar demônios pelo poder de Belzebu, Ele demonstrou-lhes a completa loucura disso, e prosseguiu, dizendo: «Se, porém, eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós» (Mateus 12.28).

Eis o reino de Deus. Sua autoridade e Seu reinado estavam presentes na prática. Eis, então, Sua frase, quando disse aos fariseus:«0 reino de Deus está dentro em vós», ou, «o reino de Deus está entre vós». Era como se dissesse: «Ele está-se manifestando no meio de vós. Não digais: olhe para cá, ou: olhe para lá. Despojai-vos dessa noção materialista. Aqui estou entre vós; estou realizando obras. O reino está aqui». Onde quer que o reino de Cristo esteja sendo manifestado, ali está o reino de Deus. E quando Ele enviou Seus discípulos para pregar, disse-lhes que falassem às cidades que não os recebessem: «Não obstante, sabei que está próximo o reino de Deus» (Lucas 10.11).

Quando escolhemos Barrabás


Por Clóvis Cabalau


Barrabás não era um bandido qualquer (Mt:27:16). Preso por se amotinar contra Roma e estar envolvido em um homicídio (Mc 15:1-13), ele detinha a admiração do povo - à época subjugado pelo Império Romano. Era uma espécie de herói, corajoso ao ponto de enfrentar o poderio do inimigo dos judeus. O povo se identificava com ele.
Do outro lado, estava Jesus. Corpo dilacerado, ensangüentado. O retrato da “fragilidade” humana ante a crueldade de seus algozes. Os dias de curas, milagres, sermões impactantes haviam se apagado da memória do povo ensandecido. Não, aquele não era o herói que eles queriam. As pessoas não se pareciam com Jesus. O povo se parecia com Barrabás.

Talvez inspirados no episódio bíblico, muitos falsos líderes e falsos profetas têm levado vantagem em nosso tempo. Eles têm facilidade de vender um “Jesus” diferente do Jesus da Bíblia. Oferecem Barrabás disfarçado de “Jesus” e muitos crêem. Um falso Je sus que não fala de arrependimento ou de mudança. Um “Jesus” que é parecido com o mundo: vaidoso, ganancioso, egoísta e acomodado em seu pecado.

O Jesus da coroa de espinhos, da cruz, da carne mortificada, do negar-se a si mesmo não é atrativo para a maioria. Mas, o “Jesus” da “prosperidade”, esse sim, é irrecusável. É esse o “Cristo” que muitos almejam, o gênio da lâmpada, sempre disponível para satisfazer desejos.

Queremos um Jesus que se pareça conosco em vez de alguém que precisemos mudar para se parecer com Ele.

Nos evangelhos, o povo escolheu a Barrabás porque se parecia mais com ele do que com Jesus. Muitas vezes, agimos da mesma forma, como imitadores daquelas pessoas. Escolhemos o preso pecador, que se parece conosco, ao invés de Jesus, que exige de nós uma mudança de vida.

Pense nisso.


Fonte: http://www.pulpitocristao.com/

sábado, 16 de outubro de 2010

Cuidado com o mito da igreja perfeita


Há um mito recorrente no meio evangélico que precisa ser esclarecido sob pena de muitos viverem docemente sua ilusão, o qual lhe trará muitos prejuízos espirituais. Falo do mito da igreja perfeita. Ou seja, cristãos que acreditam piamente que a "sua" igreja é perfeita. Que é a que mais segue perfeitamente o que a Bíblia diz. E digladiam-se com outros conservos seus por causa disto, causando muitos malefícios e atrasos para o avanço do Reino de Deus.

O orgulho religioso é a pior espécie de orgulho que pode existir. É um contrasenso falar-se de alguém que seja crente em Jesus Cristo, salvo, lavado e remido por Seu sangue e que seja possuidor de uma incrível arrogância porque pertence a igreja "A". Ele é convicto de que a igreja "A", a sua querida igreja, igreja de sua infância, igreja onde casou, onde seus filhos nasceram e foram apresentados, igreja onde agora exerce seu diaconato, é a igreja que Deus idealizou para Seus filhos. Possui a melhor liturgia, a melhor "doutrina", os melhores cânticos, os cantores melhores estão ali, o seu pastor é o grande homem de Deus na cidade, enfim, o lugar da benção de Deus é ali.

Mas este hipotético crente, em seu lugar de trabalho, mantém a amizade com outro igualmente irmão em Cristo que pertence à igreja "B". Este seu amigo fala maravilhas de sua igreja. Que culto abençoado. Que cânticos maravilhosos. Que testemunhos de vida. Que mocidade laboriosa. E que poder do Espírito Santo opera ali. Ali, na igreja "B" realmente, é o lugar da benção divina. é o melhor lugar onde o crente pode estar. A igreja melhor na história daquele município. Não sabe este irmão como o seu conservo e companheiro de trabalho pode continuar naquela igreja, qual o nome mesmo? Ah, a igreja "A" sendo que na igreja "B" o "pasto" é de superior qualidade para as "ovelhas". Afinal, o pastor ali é mais ungido não é?

Acontece que o encarregado deste dois irmãos, é membro da igreja "C". E, como chefe imediato deles, todas as manhãs distribui as tarefas da seção onde trabalham. E aproveita os momentos iniciais antes de iniciarem o turno, ou nos intervalos de almoço e lanche, para falar maravilhas de sua igreja. Para ele, não há igreja melhor na cidade que a igreja "C". Ganha disparado das outras em todos os quesitos. Com um detalhe a mais: recentemente inauguraram um templo. Um templo não: Um templaço! Afinal, como esta igreja, além de ser nota 10 em todos os quesitos, é também uma igreja altamente "marketeira". E igualmente utiliza as últimas novidades em mídia eletrônica. Estação de rádio própria, canal de TV, site na web. Liturgia, pregação, música, liderança, enfim, em tudo que se possa imaginar, o crente membro daquela comunidade pode verdadeiramente se "orgulhar" de que pertence à verdadeira igreja do Senhor porque tudo lá "é do bom e do melhor", afinal, "eles são filhos do Rei". Estão inteiramente convencidos que as duas horas de culto ali é um verdadeiro "show", um verdadeiro megaevento que não é comparável a qualquer culto dessas "igrejinhas" de periferia.

Afinal, o que faz alguém pensar que a sua igreja é a melhor do "pedaço"? O que leva um cristão a alimentar tal vaidade em relação às outras igrejas e denominações? Tais irmãos sofrem da "síndrome do tubo". Acreditam que Deus só olha para eles lá do céu através de um tubo comprido, com Seu olhar concentrado sobre eles de tal forma que os outros grupos, outras igrejas, estariam fora deste Seu "especial cuidado". Miseravelmente, muitos acreditam que a coisa se dá desta forma. Deus não estaria se lixando com os outros, porque eles não procedem em conformidade com Sua vontade. Claro, vontade que se expressa em tudo o que se relaciona com o seu próprio "abençoado" e "eleito" grupo.

Não é considerada por nenhuma das hipotéticas igrejas relatadas, a passagem de Efésios 4.1-6: "Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados,com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós."

Também não devem considerar o que Jesus disse para João que dissera: "Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demônios, e lho proibimos porque não te segue conosco. E Jesus lhes disse: Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós" (Lc 9.49,50).

E muito menos outra instrução de Paulo, desta feita em 1Coríntios 12.12-14: "Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos." E na continuidade destes versículos, Paulo faz uma maravilhosa analogia entre os membros do corpo humano e os membros do Corpo de Cristo, a Igreja, ajudando ainda mais a compreendermos a mistificação que muitos fazem de se acharem a verdadeira igreja.

O Novo Testamento deixa de forma clara e irredutível a certeza a todos os crentes de que a igreja em que estão NÃO É A VERDADEIRA E A ÚNICA IGREJA! Todo aquele que faz tal afirmação estapafúrdia, não compreende a natureza da verdadeira igreja de Deus. Infelizmente, em seu aspecto puramente humano, a Igreja de Jesus sofre com divisões e contendas que conspiram contra sua verdadeira natureza. Mas o que nos causa espécie é o fato indubitável de que, mesmo assim, o Senhor da Igreja age, mesmo em meio às dúbias posturas humanas. O Senhor age mesmo em meio às vaidades e atitudes mesquinhas de seus servos.

Fica o apelo para que possamos discernir, em espírito de oração e com a Palavra de Deus em mãos, tendo o Espírito Santo como supremo intérprete, todas as questões que se possam levantar no que tange à missão da Igreja no mundo. Se houver uma ampla abertura para o agir do Senhor no seio da Sua Igreja, se ela caminhar inteiramente sob Sua direção e não segundo diretrizes humanas e discutíveis, muito do que vemos hoje será assunto do passado.

É certo que há diferenças entre os cristãos. Muitas diferenças. Mas há um núcleo central que os une. Há um elo inquebrantável: Jesus Cristo. Aprendamos com Ele, que ainda é o SENHOR DE SUA IGREJA. Aquele que estabeleceu o colégio apostólico com homens bem diferentes entre si. E que durante três anos lhes ensinou como deveriam andar, posto que seguidores Seus.

Cuidado com o mito da igreja perfeita. Cuidado com esta mentira diabólica. A igreja perfeita? É a que vemos, igreja triunfante e gloriosa, descrita em Hebreus 12.23: "À universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados."

Meus irmãos, aí está a igreja perfeita. Aqui na terra? Pretensões espúrias e diabólicas. Vaidades lamentáveis de cristãos que não conhecem a natureza da igreja de Cristo.

Pense nisso.